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Delator da JBS disse que pagou propina a políticos com doação oficial

Data: 01/06/2012Editoria: PoliticaReporter: Raphael Zaghi Di CuntoLocal: Sede da J&F, Sao Paulo, SPPauta: Entrevista com o presidente da J&F, Joesley Batista, sobre a desistencia da holding em adquirir a empreiteira DeltaSetor: frigorifico, carne, construtora, empreiteiraPersonagem: Joesley Batista, ex-presidente da JBS, presidente da holding J&FTags: homem, executivo, entrevistaFoto: Luis Ushirobira/Valor

O empresário Joesley Batista confirmou em sua delação premiada que a JBS usou doações oficiais para pagar propina a políticos que deram contrapartidas para beneficiar a empresa. Em depoimento à Procuradoria-Geral da República (PGR), o empresário explicou como funcionava o esquema de compra de políticos e confirmou que foram repassados recentemente cerca de R$ 500 milhões para agentes públicos.

Joesley estimou que a empresa fez doação oficial de cerca de R$ 400 milhões em troca de contrapartidas e mais R$ 100 milhões por meio de moeda em espécie e notas fiscais falsas. Aos procuradores, Batista confirmou atos de corrupção que foram cometidos pela empresa, senadores, deputados, ex-presidentes da República. Joesley afirmou que a maioria das doações oficiais feitas pela JBS era propina disfarçada por contrapartidas recebidas.

“Tem pagamento via oficial, caixa 1, via campanha, tem via caixa 2, tem dinheiro em espécie. Essa era a forma de pagar. Acontece o seguinte: combina-se o ilícito, o fato lá de corrupção com o político, com o dirigente do Poder Público, e daí para frente se procede o pagamento.”

“Os pagamentos são feitos das mais diversas maneiras, nota fiscal fria, seja dinheiro, caixa 2, até mesmo doação política oficial”, disse o empresário. O sigilo das delações foi retirado na manhã de hoje (19) pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator das investigações envolvendo as delações da JBS.

Edição: Valéria Aguiar
André Richter – Repórter da Agência Brasil

Representação contra Aécio no Senado aguarda formação do Conselho de Ética

A representação por quebra de decoro parlamentar apresentada ontem (18) pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e por deputados do PSOL contra o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) ainda não foi analisada pelo Conselho de Ética do Senado, porque falta a indicação de metade dos seus membros para que ele possa se reunir.

Até o fechamento desta reportagem, nesta sexta-feira (19), apenas oito dos 15 membros titulares haviam sido indicados por partidos ou blocos parlamentares da Casa para compor o colegiado. Apesar disso, depois das denúncias contra o senador mineiro feitas por um dos donos do frigorífico JBS, Joesley Batista, a expectativa é de que o Conselho seja instalado na semana que vem.

O caso

Aécio foi citado pelo empresário Joesley Batista, dono do grupo JBS, na delação premiada homologada ontem e divulgada hoje (19) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin. Joesley contou aos procuradores que Aécio lhe pediu R$ 2 milhões para pagar despesas com sua defesa na Operação Lava Jato, o que foi confirmado pelo senador. O pedido de empréstimo foi confirmado pela defesa que, no entanto, alegou que ele não tem nenhuma relação com a ocupação de cargo público.

Fachin afastou Aécio do mandato de senador durante as investigações. A defesa afirmou ontem que tentaria reverter a decisão. A defesa do senador diz que ele está “está absolutamente tranquilo quanto à correção de todos os seus atos”.

Composição do Conselho

Por enquanto, o PMDB indicou os senadores Airton Sandoval (SP), João Alberto Souza (MA), Romeró Jucá (RR) e ainda tem um nome pendente, que é o do corregedor da Casa, que ainda não foi eleito. Das três vagas do Bloco Social Democrata (PSDB,DEM e PV), só o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) foi indicado. O Bloco Moderador (PTB, PR,PSC,PRB, PTC), também com duas vagas, indicou o senador Telmário Mota (PTB-RO) e ainda tem um nome pendente. Os Blocos Democracia Progressista (PP, PSD) e Socialismo e Democracia (PSB, PPS, Pcdo B e Rede), com duas vagas cada, ainda não escolheram seus nomes.

Tramitação

Assim que o Conselho de Ética for instalado, caberá ao presidente do colegiado definir se arquivará o caso ou se dará continuidade ao processo. O prazo previsto no regimento é de 5 dias úteis.

Se admitida a representação, o senador Aécio será notificado e terá até dez dias para apresentar a defesa prévia. A partir daí, o relator tem cinco dias úteis para apresentar seu relatório preliminar. O responsável por relatar o caso é escolhido por meio de sorteio entre os membros do conselho. De acordo com o regimento do Senado, a escolha deve ser entre membros que não sejam filiados ao partido político representante ou ao partido político do representado.

Também em um prazo de cinco dias, o Conselho de Ética deve fazer, em votação nominal e aberta, a análise inicial do mérito da representação, para ver se há indício da prática de um ato sujeito à perda de mandato. O senador também pode ser punido apenas com medidas disciplinares como advertência, censura verbal ou escrita, perda temporária do exercício do mandato.

Se for decidido que há indícios, o processo disciplinar é instaurado e o conselho levanta as provas e ouve quem entender que é necessário. Segundo o regimento do Senado, o Conselho poderá inclusive convocar o representado ou denunciado para prestar depoimento pessoal. Se os senadores decidirem pela improcedência da representação, o processo é arquivado.

Depois, o conselho se reúne para apreciar o parecer do relator. Se o pedido de cassação do mandato for aprovado, o texto segue para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, que tem um prazo de cinco sessões para analisar aspectos constitucionais, legais e jurídicos do processo.

Depois disso, o caso é encaminhado à Mesa Diretora e tem de ser analisado pelo plenário do Senado onde a votação é também é aberta.

Edição: Lidia Neves
Karine Melo – Repórter da Agência Brasil

Temer mantém agenda no Palácio do Planalto

O presidente Michel Temer já está no Palácio do Planalto, dando início à extensa agenda de reuniões com parlamentares do PSDB, PMDB, PP, DEM, PTB, PSD e PSB, prevista para hoje (18). A agenda não foi alterada após as denúncias divulgadas ontem (17) à noite pelo jornal O Globo.

No início da noite, o jornal publicou reportagem, segundo a qual, em encontro gravado, em aúdio, pelo empresário Joesley Batista, do grupo JBS, Temer teria sugerido que se mantivesse pagamento de mesada ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e ao doleiro Lúcio Funaro para que esses ficassem em silêncio. Batista, conforme a reportagem, firmou delação premiada com o Ministério Público Federal e entregou gravações sobre as denúncias.

Em resposta, a Presidência da República informou que o presidente Michel Temer “jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha”, que está preso em Curitiba, na Operação Lava Jato.

A nota diz ainda que o presidente “não participou e nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar”. Segundo a Presidência, o encontro com o dono do grupo JBS foi no começo de março, no Palácio do Jaburu. “Não houve, no diálogo, nada que comprometesse a conduta do presidente da República”.

O comunicado acrescenta que Temer “defende ampla e profunda investigação para apurar todas as denúncias veiculadas pela imprensa, com a responsabilização dos eventuais envolvidos em quaisquer ilícitos e que venham a ser comprovados.”

Conforme a assessoria presidencial, Temer chegou por volta das 8h, para reunir-se com o coordenador da bancada do estado do Acre, senador Sérgio Petecão (PSD).

Em seguida, ele se encontra com o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), o senador José Maranhão (PMDB-PB), o líder do PP no Senado, Benedito de Lira (PP-AL), o líder do PSDB no Senado, Paulo Bauer (PSDB-SC), e o vice-líder da bancada do Amapá, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP).

À tarde, Temer tem agenda com o deputado Simão Sessim (PP-RJ), com o vice-líder do PTB, deputado Wilson Filho (PTB/PB), e o presidente do PTB na Paraíba, Wilson Santiago.

Em seguida, a reunião é com o deputado estadual do Rio de Janeiro Geraldo Pudim (PMDB), a deputada Mara Gabrilli (PSDB/SP), o deputado Fábio Faria (PSD/RN), o deputado Danilo Forte (PSB/CE),  o deputado Toninho Pinheiro (PP/MG), o senador Ciro Nogueira (PP/PI) e a deputada Bruna Furlan (PSDB/SP).

Ainda de acordo com a agenda oficial do presidente Temer, no fim da tarde, ele se encontra com o deputado Alex Canziani Silveira (PTB/PR), o deputado Esperidião Amin (PP/SC), o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM/RJ) e o pastor Silas Malafaia.

Edição: Graça Adjuto
Pedro Peduzzi – Repórter da Agência Brasil

PF cumpre mandados nos gabinetes de Aécio, Zezé Perrela e Rocha Loures

Agentes da Polícia Federal estão, desde as 6h15, cumprindo mandados de busca e apreensão nos gabinetes dos senadores Aécio Neves (PSDB-MG), Zezé Perrela (PMDB-MG) e do deputado Rocha Loures (PMDB-PR). Os agentes chegaram em seis carros e, neste momento, o acesso ao Anexo 1 do Congresso Nacional está restrito.

No início da noite de ontem (17), o jornal O Globo publicou reportagem, segundo a qual, em uma gravação de delação, o dono do grupo JBS, Joesley Batista, diz que o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), teria pedido R$ 2 milhões ao empresário.

O dinheiro teria sido entregue a um primo de Aécio. A reportagem diz ainda que a entrega foi registrada em vídeo pela Polícia Federal. A PF rastreou o caminho do dinheiro e descobriu que o montante foi depositado numa empresa do senador Zezé Perrella.

Segundo o jornal, ainda não há confirmação de que a delação do empresário tenha sido homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Edição: Denise Griesinger
 

Karine Melo – Repórter da Agência Brasil

Procuradoria-Geral da República pede prisão de Aécio Neves

A decisão sobre a prisão deve ser considerada pelo plenário da STF, respondeu Fachin ao pedido da PGR.

Procuradoria apresentou o pedido correspondente, mas o ministro Edson Fachin autorizou só o afastamento.

De acordo com ele, a decisão sobre a prisão deve ser considerada pelo plenário da STF.

De acordo com a última informação, o STF determinou o afastamento do senador Aécio Neves, do senador Rocha Loures (PMDB) e a prisão preventiva da irmã do senador Neves, Andrea Neves.

br.sputniknews.com

Questionada sobre candidatura ao governo do estado pelo omelhordaamazônia, a deputada Dulce Miranda disse que o futuro a Deus pertence

A deputada federal Dulce Miranda, PMDB-TO, cumpriu uma agenda extensa neste fim de semana nas cidades próximas de Araguaína. Entre elas Araguanã, Carmolândia, Santa Fé,  Muricilândia, e outras.   Por alguns momentos a equipe   do portal omelhordaamazônia acompanhou o trajeto feito pela deputada federal.

Na   cidade   de Muricilândia o ex-vereador de Araguaína, Mané Mudança, não escondeu sua admiração pela deputada federal Dulce Miranda, ao ponto de dizer que ela merece ser governadora do estado do Tocantins.

Ainda   em Muricilândia,  Dona Juscelina (líder Comunidade Quilombola), rasgou elogios a deputada. Inclusive, chamou-a de mãe devido ao apoio dado pela deputada à sua comunidade.

O prefeito Alessandro também elogiou a deputada pelo apoio que sempre tem dado ao município   de Muricilândia, em   todos os momentos em que ele tem procurado a deputada federal Dulce Miranda para ajudar solucionar problemas relacionados ao município. Da mesma forma o carinho das pessoas com a deputada se repetiram em Carmolândia, Araguanã, Santa Fé e por onde ela passou.

A deputada falou com exclusividade ao omelhordaamazônia. Na oportunidade, o portal questionou sobre o fato da deputada   ter tido uma participação muito grande nas eleições de mais de 40 prefeitos e dezenas de vice-prefeitos e vereadores, e também se ela aceitaria caso houvesse um convite dos partidos   que compõem a base do governo do estado para que ela se candidatasse ao governo do estado nas eleições   de 2018.

Em resposta a pergunta feita pelo portal, a deputada disse: “Agradeço pelo carinho da população comigo, mas vejo que o grupo da base do governo é composta de bons nomes que podem   ser candidatos ao   governo do estado. Acredito que na hora certa os partidos devem discutir isso. Estou trabalhando na minha reeleição de deputada federal, porém o futuro a Deus pertence.”

‘XX Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios quebrou todos os recordes’

Começou nesta terça-feira, 16, e vai até quinta, 18, a XX Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios. Organizada pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), presidida por Paulo Ziulkoski, ex-prefeito de Mariana Pimentel (RS), a marcha quebrou todos os recordes, segundo o vice-presidente da CNM, Fernando Lira, prefeito de Maragogi (AL).

Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, Lira apontou as razões do sucesso desta de início:

“Para se ter ideia do poder, da força e da magnitude desta vigésima marcha a Brasília, que bateu todos os recordes, nós conseguimos mais de seis mil inscrições, e a presença de quase três mil prefeitos de todo país. Com muita responsabilidade, determinação e organização, nós convidamos os principais parceiros e atores da política brasileira como representantes das duas casas legislativas, Câmara dos Deputados e Senado, e a presença do presidente da República, Michel Temer, acompanhado de vários ministros. Discutimos de maneira franca, clara, direta e objetiva a problemática municipalista atual, como, por exemplo, o financiamento dos vários programas, a perda de recursos, e várias outras questões. Foi, de todas, a mais proveitosa marcha de todo municipalismo recente.”

A XX Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios teve neste ano o apoio direto da União Europeia. De acordo com Lira, a UE marcou presença com o diplomata João Gomes Cravinho, embaixador em Brasília. Também esteve presente à abertura da marcha um representante da Organização das Nações Unidas (ONU).

“A palavra de ordem é estudar e estimular a descentralização com responsabilidade e respeito ao Meio Ambiente, com vistas às gerações futuras. Então, o embaixador Cravinhos é um entusiasta deste movimento municipalista brasileiro, que visa, acima de tudo, ao cumprimento do compromisso que assumimos por um pacto pela vida, com muito respeito também pelo meio ambiente, baseados nos muitos estudos que fizemos com o apoio do Dr. Paulo Ziulkoski, presidente da Confederação Nacional dos Municípios, inclusive em países europeus, como Alemanha, Polônia, Espanha e Itália, e países latino-americanos, como Brasil, México, Argentina e Uruguai”, destacou o vice-presidente da CNM.

Lira também falou sobre o relacionamento dos prefeitos com o atual governo federal, sublinhando o atendimento, pelo Presidente Michel Temer, de uma antiga reivindicação dos administradores municipais, uma medida provisória que dará aos municípios a possibilidade de liquidar em até duzentas parcelas suas dívidas para com a Previdência Social.

“Temos mais de cinco mil e setecentos municípios em todo Brasil, quase todos devedores da Previdência Social, e também cuidando, alguns deles, dos seus próprios regimes previdenciários. Isso vai nos possibilitar que, em elastecendo este prazo de pagamento — com juros baixos, reduzidos em 80% e com redução de 50% nos valores das multas e nos encargos da dívida – nós possamos honrar os pagamentos dos nossos munícipes beneficiários dos nossos regimes previdenciários próprios”, finalizou.

br.sputniknews.com/

Justiça derruba decisão que suspendeu atividades do Instituto Lula

A Segunda Instância da Justiça Federal em Brasília derrubou hoje (16) a decisão que suspendeu, na semana passada, as atividades do Instituto Lula. A decisão atendeu a um recurso protocolado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foi proferida pelo desembargador Névton Guedes.

A decisão em que as atividades foram suspensas por determinação do juiz Ricardo Augusto Soares Leite, substituto da 10ª Vara Federal de Brasília, foi tomada no processo em que o ex-presidente é réu, junto com mais seis pessoas, acusado de tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato.

Inicalmente, o magistrado informou que a decisão tinha sido tomada a pedido do Ministério Público Federal (MPF). No entanto, no dia seguinte, a Justiça Federal informou que a decisão foi tomada pelo juiz por conta própria. Dessa maneira,  Leite agiu “de ofício”, ou seja, sem provocação da defesa ou da acusação. Ele justificou a medida com base no Artigo 319 do Código do Processo Penal (CPP), que prevê a “suspensão do exercício de função pública ou de atividade de natureza econômica ou financeira quando houver justo receio de sua utilização para a prática de infrações penais”.

O desembargador Guedes entendeu que a suspensão das atividades do instituto, concedida pelo juiz da primeira instância, não poderia ter sido decretada de forma unilateral, sem solicitação do Ministério Público.

“Dificilmente os danos eventualmente causados ao paciente [Lula] e ao Instituto Lula poderiam ser revertidos, sendo essa mais uma razão para que a medida cautelar não tivesse sido deferida na primeira instância, muito menos de ofício. E sendo também essa uma razão para que, de imediato, lhe seja imposto a competente eficácia suspensiva para fazer cessar seus efeitos deletérios”, decidiu.

*texto atualizado às 22h27

Edição: Amanda Cieglinski
André Richter – Repórter da Agência Brasil

TSE marca para 6 de junho retomada do julgamento da ação da chapa Dilma-Temer

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, marcou para 6 de junho a retomada do julgamento da ação em que o PSDB pede a cassação da chapa Dilma-Temer, vencedora das eleições presidenciais de 2014. No despacho, foram definidas quatro sessões para a análise do processo, que serão realizadas nos dias seguintes.

A ação foi liberada ontem (15) para julgamento pelo relator, ministro Herman Benjamin. A liberação para julgamento ocorreu após a chegada da manifestação do Ministério Público Eleitoral (MPE) e das alegações finais das defesas do presidente Michel Temer e da ex-presidenta Dilma Rousseff.

O novo parecer, feito pelo vice-procurador eleitoral, Nicolau Dino, repete o posicionamento enviado ao TSE em março, antes da interrupção do julgamento, quando o tribunal decidiu conceder mais prazo para as defesas se manifestarem.  De acordo com o procurador, além da cassação da chapa, o tribunal também deve considerar a ex-presidenta inelegível por oito anos.

Processo

Após o resultado das eleições de 2014, o PSDB entrou com a ação, e o TSE começou a julgar suspeitas de irregularidade nos repasses a gráficas que prestaram serviços para a campanha eleitoral de Dilma e Temer. Recentemente, Herman Benjamin decidiu incluir no processo o depoimento dos delatores ligados à empreiteira Odebrecht investigados na Operação Lava Jato. Os delatores relataram que fizeram repasses ilegais para a campanha presidencial.

Em dezembro de 2014, as contas da campanha da então presidenta Dilma Rousseff e de seu vice, Michel Temer, foram aprovadas com ressalvas e por unanimidade no TSE. No entanto, o processo foi reaberto porque o PSDB questionou a aprovação, por entender que há irregularidades nas prestações de contas apresentadas por Dilma, que teria recebido recursos do esquema de corrupção investigado na Lava Jato. Segundo entendimento do TSE, a prestação contábil da presidenta e do vice-presidente é julgada em conjunto.

A campanha de Dilma Rousseff nega qualquer irregularidade e sustenta que todo o processo de contratação das empresas e de distribuição dos produtos foi documentado e monitorado. A defesa do presidente Michel Temer sustenta que a campanha eleitoral do PMDB não tem relação com os pagamentos suspeitos. De acordo com os advogados, não se tem conhecimento de qualquer irregularidade no pagamento dos serviços.

Edição: Amanda Cieglinski
André Richter – Repórter da Agência Brasil

Justiça Federal realiza audiências de custódia da Operação Lucas

Na tarde desta terça-feira (16), parte dos investigados pela Operação Lucas, presos pela Polícia Federal, prestaram depoimentos na sede da Justiça Federal, em Palmas (TO), perante o juiz federal João Paulo Abe. Após as audiências de custódia, as prisões temporárias foram mantidas, com exceção da investigada Myrian Pinto de Amorim, e de Dawes Rodrigues Sousa Lima. A investigada Myrian Pinto, que é idosa, foi posta em liberdade após ter esclarecido que não administrava concretamente as empresas investigadas. Dawes Lima justificou a razão dos depósitos que efetuou na conta da fiscal.

 Ainda na tarde desta terça-feira, foram ouvidos os investigados Djalma Luís Feitosa, Humphrey Teixeira dos Santos, Fernanda Alves Dias e Antônio Augusto Machado. A prisão temporária dos quatro envolvidos foi mantida pelo Juiz Federal João Paulo Abe.

 Segundo as investigações, a chefe do Serviço de Inspeção na Superintendência Federal de Agricultura, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no Tocantins, Adriana Carla Floresta, usava seu cargo para, supostamente, receber propinas e pagamentos mensais em troca do retardamento de atos de fiscalização em frigoríficos e laticínios do Estado do Tocantins.

 Durante o inquérito, escutas telefônicas e quebras de sigilos bancários e fiscais dos envolvidos apontaram para a existência de um amplo esquema de corrupção, que além de atrasar propositadamente processos administrativos de aplicação de sanções e multas administrativas, concorreu para a liberação de licenças de funcionamento sem a obediência dos requisitos legais, e para a aplicação, tão somente, de penalidades de advertência, em situações que implicariam, necessariamente, a autuação das empresas fiscalizadas, mediante aplicação de pesadas multas por descumprimento da legislação sanitária.

 A Operação Lucas, que não guarda relação com a operação Carne Fraca, teve por objetivo apurar os atos de corrupção passiva perpetrados na Superintendência Regional. No caso dos autos, na conta bancária da servidora teriam sido movimentados valores que superavam em mais de 200% de seus rendimentos informados, sendo certo que, em razão dos atos de corrupção, apenas a superintendente teria recebido cerca de R$ 3 milhões em propinas. O prejuízo eventualmente apurado, no entanto, pode ser muito maior, na medida em que, durante suas atividades, a chefe do serviço de inspeção teria realizado a anulação de inúmeros autos de infração, cujos recursos, consequentemente, deixaram de ser recolhidos ao Fisco Federal.

 Na conta bancária de um de seus filhos, foram identificados lançamentos de créditos periódicos no valor de R$ 5 mil, nos períodos de 2011 a 2016. Em outra conta de seu ex-marido, foi encontrado um montante de R$ 1.023.708,20, de origem não identificada. Todos os valores eram depositados por representantes de empresas fiscalizadas que, segundo a Polícia Federal, teriam sido beneficiados com a conduta da Superintendente.

 Ao todo foram cumpridos pela Polícia Federal 10 mandados de prisão temporária, 16 mandados de condução coercitiva e 36 mandados de busca e apreensão nos estados de Tocantins, São Paulo, Pará, Maranhão, e Pernambuco. O juiz federal João Paulo Abe também autorizou o bloqueio de contas bancárias e a indisponibilidade de bens móveis e imóveis nos valores de R$ 2,2 milhões.

Ascom SJTO – Seção Judiciária do Tocantins

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