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Ex-ministro diz que fundamentos para anular impeachment existem há muito tempo

Nesta terça-feira, 17, o ex-Ministro da Justiça da presidenta Dilma Rousseff e também seu advogado, José Eduardo Cardozo, protocolou no Supremo Tribunal Federal um pedido para que os termos da colaboração premiada do doleiro Lúcio Funaro sejam incorporados ao mandado de segurança que pretende anular o processo de impeachment.

Em nota oficial distribuída à imprensa, Cardozo afirmou que “desde o início do processo de impeachment, a defesa da presidenta eleita Dilma Rousseff tem sustentado que o processo de impeachment que a afastou da Presidência da República é nulo, em razão de decisões ilegais e imorais tomadas pelo ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e por todos os parlamentares que queriam evitar “a sangria da classe política brasileira. Agora, na delação premiada do senhor Lúcio Funaro, ficou demonstrado que o ex-deputado Eduardo Cunha comprou votos de parlamentares em favor do impeachment.”

Também advogado e igualmente ex-ministro da Justiça de Dilma, Eugênio Aragão, hoje professor de Direito Penal e Internacional da Universidade de Brasília (UNB), apoiou a posição do seu colega José Eduardo Cardozo, conforme declarou em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil. Segundo ele, “a iniciativa é corretíssima”, e que Cardozo está fazendo, na verdade, é “encartar novas provas no processo que já está em curso no Supremo Tribunal Federal”, e que tem como relator o ministro Alexandre de Moraes.

Para Aragão, há plenos fundamentos legais para a anulação do processo de impeachment de Dilma Rousseff:

“Os fundamentos já existem há muito tempo. Não vamos ser ingênuos. Todos nós sabemos que a presidenta Dilma Rousseff foi afastada não por crime de responsabilidade. Aliás, na sua primeira entrevista, como que (vamos dizer) usurpando o cargo de presidente da República, o Sr. Michel Temer confirmou isso: Dilma não foi afastada por crime de responsabilidade e sim por um problema de governabilidade. Ou seja, como se o processo de impeachment pudesse substituir o voto de confiança dentro de um regime parlamentar. Simplesmente, segundo Michel Temer, a presidenta não merecia mais a confiança do Congresso Nacional. Ora, o nosso sistema é presidencialista, não é um sistema parlamentarista. A presidenta não estava no poder por causa de confiança do Congresso, mas, sim, pela confiança dos eleitores que votaram nela.”

De acordo com o ex-ministro, Dilma terá de ser imediatamente reconduzida ao cargo se, por decisão do Supremo Tribunal Federal, o impeachment for anulado:

“Sendo nulo o processo de impeachment da presidenta, não é o fato de ela reassumir seu mandato como também temos que tirar consequências disso para todos os atores que, de uma forma ou de outra, foram cúmplices desse processo de traição à Constituição e ao regime político em que nós vivemos.”

Na hipótese de Dilma Rousseff reassumir o mandato, que só termina em 31 de dezembro de 2018, qual será sua atitude perante as reformas de Michel Temer? A reforma trabalhista entra em vigor em 11 de novembro; a reforma previdenciária está em debate no Congresso Nacional, e a reforma tributária continua a ser cogitada no âmbito do governo. Para Eugênio, existem dúvidas sobre as reformas:

“De qualquer forma, nós teremos uma situação de impasse se nós não conseguirmos construir um consenso político nesse país. Esse consenso não existe hoje e está sujeito a não existir se Dilma reassumir o mandato. Mas a gente precisa trabalhar nesse consenso e ninguém mais legítimo para construir o consenso do que aquela que foi eleita para ser a Chefe de Estado e Chefe de Governo.”

Por último, Aragão destaca que ainda há tempo hábil para o STF apreciar o pedido de impugnação do impeachment, mesmo faltando um ano, dois meses e alguns dias para o fim do mandato presidencial, em 31 de dezembro de 2018:

“Tudo depende da vontade política dos atores do Supremo Tribunal Federal. Não vejo muita dificuldade para isso, é só colocar em mesa e decidir. Isso aqui, com certeza, tem prioridade sobre qualquer outra questiúncula que esteja na pauta do Supremo Tribunal Federal.”

br.sputniknews.com

Após jantar com Temer, Dória diz que decisão sobre Aécio foi “serena e soberana”

O prefeito de São Paulo, João Dória, jantou na noite desta terça-feira (17) com o presidente Michel Temer no Palácio do Jaburu. Ocorrida horas antes, a votação no Senado que determinou o retorno de Aécio Neves (PSDB-MG) às atividades na Casa foi um dos assuntos no jantar, segundo admitiu o prefeito. Para Dória, tratou-se de uma decisão “pró-Congresso”.

“Falamos e entendemos que foi uma decisão serena e soberana do Congresso Nacional. Não apenas estabeleceu essa situação em prol do senador Aécio Neves, circunstancialmente do nosso partido, mas também de proteção ao Congresso Nacional. Eu diria que não foi uma decisão pró-Aécio, mas pró-Congresso”, disse Dória, na saída.

O jantar durou cerca de duas horas e o prefeito foi o único convidado de Temer. Segundo Dória, a economia foi o principal tema da noite. O prefeito apresentou dados sobre a economia de São Paulo, afirmou que a cidade vem se recuperando e os índices nos últimos dois meses são “bons de uma forma geral” na indústria, no comércio, setor de serviços e agronegócio.

Ambos confirmaram presença no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. O fórum acontecerá entre 23 e 26 de janeiro de 2018. Tanto Temer quanto Dória serão palestrantes e o prefeito se mostrou satisfeito com o evento. “Davos é a maior caixa de ressonância da economia mundial. Eu lá serei palestrante e o presidente Temer também estará lá. O Brasil terá, pela primeira vez nos últimos quatro anos, informações positivas a oferecer aos grandes investidores internacionais”.

O presidente e o prefeito jantaram camarão com mandioquinha, salada e frutas de sobremesa. Embora tenha negado que a votação da denúncia contra presidente na Câmara tenha sido conversada, Dória afirmou que Temer está “tranquilo e sereno”.

“Vi o presidente tranquilo em relação a isso e também bastante sereno em relação a este tema. Acho que o Congresso saberá tomar a decisão que for mais equilibrada, reproduzindo as manifestações dos votos que, a partir de amanhã, serão promulgados pelos parlamentares”.

Edição: Davi Oliveira
Marcelo Brandão – Repórter da Agência Brasil

Presidente da CCJ pede mais prazo para votação da denúncia contra Temer

O presidente da Comissão de Constituição e de Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), requereu ao presidente da Casa, Rodrigo Maia, a prorrogação por mais três sessões para o colegiado discutir e votar o parecer sobre a denúncia contra o presidente Michel Temer. O pedido foi feito como medida de precaução. Regimentalmente, a comissão tem só até a meia-noite de hoje (17) para concluir a discussão e votação da matéria.

O Regimento Interno da Câmara estabelece um prazo de cinco sessões plenárias da Casa, a partir da apresentação da defesa, para que a CCJ conclua seus trabalhos votando parecer sobre a denúncia, que será encaminhado à votação final no plenário da Câmara. As defesas do presidente Temer e dos ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral), que também foram denunciados, foram apresentadas no último dia 4. De lá para cá, foram realizadas sessões da Câmara, que serviram para contagem de prazos, nos dias 5, 9, 10, 11 e 17 de outubro.

Receoso com o pouco prazo de que o colegiado dispõe, já que hoje é a quinta e última sessão, o presidente da CCJ quer evitar o risco de não conseguir votar o parecer do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) e de a peça ser encaminhada diretamente à votação no plenário da Câmara. A expectativa é que seja concedido mais prazo para a CCJ até pelo significado da matéria.

Mesmo com a possível concessão de mais tempo para a comissão concluir seus trabalhos, a intenção dos deputados aliados do governo é concluir a tramitação da denúncia na CCJ na noite de amanhã (18). E, na terça-feira (24), votar a peça no plenário da Câmara. Pelos acordos feitos na comissão para a discussão e votação da denúncia, ficou estabelecido que todos os 66 deputados titulares da CCJ e os 66 suplentes poderão falar por até 15 minutos cada. Também terão direito ao uso da palavra 20 deputados a favor do governo e 20 contrários, sendo que cada um vai dispor de até 10 minutos.

Também terão direito à fala, por 20 minutos cada, o relator Bonifácio de Andrada e os três advogados da defesa – o do presidente e os dos dois ministros. Essas falas serão após o término das discussões. Não será permitida a apresentação de requerimento de encerramento de discussão da matéria.

A votação do parecer de Andrada, que é contrário à autorização para que o Supremo Tribunal Federal abra as investigações contra o presidente e os ministros, será nominal. Para que o parecer seja aprovado, são necessários os votos de no mínimo 34 deputados, metade mais um dos membros da CCJ.

A votação no plenário da Câmara também será nominal e, para que seja autorizada a instauração do processo de investigação, são necessários os votos de pelo menos 342 deputados, ou seja, dois terços da Casa.

Edição: Juliana Andrade
Iolando Lourenço – Repórter da Agência Brasil

Governador recebe nova diretoria da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Tocantins

O governador Marcelo Miranda recebeu, na tarde desta terça-feira, 17, representantes da nova diretoria da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Tocantins (Aprosoja). Além de apresentar alguns membros da diretoria eleita no dia 1º de outubro, o presidente eleito, Maurício Buffon, falou dos planos da entidade no processo de produção de grãos no Estado. Eles estiveram acompanhados do deputado estadual Valdemar Jr.

Para o governador, “a associação é de fundamental importância para o fortalecimento do agronegócio no Tocantins. As culturas da soja e do milho são carros-chefes do setor”, disse.

“Nosso encontro foi bastante proveitoso, muito bom”, avaliou Maurício. “Continuamos trabalhando com o Governo. Apresentamos algumas demandas essenciais do setor para o governador”. Dentre elas, ele citou “a nova ponte de Porto Nacional, a qual o governador já sinalizou seu empenho para que seja construída; e questões que envolvem algumas leis, a exemplo do Código Florestal”.

Diretores

Além do novo presidente, participaram da reunião: Dari Fronza, vice-presidente; Vanderlei Talevi, diretor administrativo; Rodrigo Barcellos, diretor financeiro e Rubem Ritter, diretor conselheiro.

Aprosoja

No Tocantins, a Aprosoja foi fundada em 25 de setembro de 2013, na cidade de Porto Nacional. O primeiro diretor-presidente e sócio-fundador foi Rubem Ritter. Desde então, a entidade tem desempenhado o papel de representar os produtores das culturas da soja e do milho no Estado e na Capital Federal, defendendo suas demandas e promovendo a boa imagem do setor.

Suzana Barros/Governo do Tocantins

Carlesse busca solução para “curva da morte” em Palmeirópolis

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Mauro Carlesse (PHS), se comprometeu a buscar uma solução definitiva para o trecho da rodovia TO-387, conhecido como “curva da morte”. A garantia foi dada nessa segunda-feira, dia 16, a prefeitos, vereadores, líderes políticos e moradores de Palmeirópolis, Paranã, São Salvador e Jaú durante visita para conhecer o local.

“Vou me reunir o quanto antes com o governador Marcelo Miranda (PMDB) e com o secretário [de Infraestrutura], Sérgio Leão, para ver o que o Estado pode fazer a fim de solucionar o problema”, explicou Carlesse.

A curva

Também conhecida como “apertar da hora”, a “curva da morte” liga a cidade de Palmeirópolis ao município goiano de Montevidiu. No local há uma curva em declive, considerada muito perigosa. Os boletins dos últimos anos registram 51 acidentes no local, que já provocaram nove mortes.

Na semana passada, representantes dos municípios da região reuniram-se com Carlesse e o deputado Ricardo Ayres (PSB) na sala da Presidência da Casa, para entregar ofícios, relatórios e abaixo-assinados informando sobre as reais condições do local.

Visita

Ao receber os líderes da região na semana passada, Carlesse garantiu que cobraria do Governo do Estado uma solução para o problema. Antes, porém, quis conhecer in loco o trecho da rodovia que tanto preocupa quem trafega pelo local.

Para o prefeito de Palmeirópolis, Fábio Vaz (PSD), a ida do presidente do Legislativo ao local já demonstra, por si só, a sensibilidade e a preocupação quanto ao problema. “Apresentamos nosso pleito ao Carlesse na terça-feira da semana passada, e hoje [segunda-feira, 16] ele já veio aqui para conhecer de perto o problema. O feed back, portanto,foi muito rápido. A visita dele para nós foi importantíssima, sobretudo pela sensibilidade com a nossa causa”, comentou.

Problema ambiental

Além dos acidentes fatais e dos riscos permanentes a que está exposto quem passa pelo local, os constantes sinistros causam também inúmeros danos ambientais, uma vez que os caminhões que tombam na “curva da morte” derramam produtos químicos, como calcário, cimento, argamassa, fertilizantes e defensivos agrícolas, em um córrego às margens da rodovia.

Para Carlesse, caso nada seja feito, poderá acontecer algum desastre ambiental ainda mais grave, a exemplo de cargas como combustíveis fósseis. “De uma forma ou de outra, tanto as pessoas que passam por aqui, quanto as que vivem na região, estão expostas”, concluiu. (Rubens Gonçalves)

Primeira etapa do monitoramento de qualidade da água em 2017 é concluída no Tocantins

O Governo do Estado, por meio do trabalho dos técnicos da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), concluiu o trabalho de monitoramento de qualidade das bacias hidrográficas do Tocantins no primeiro semestre de 2017. A meta era analisar 30 pontos estabelecidos para 2017 na assinatura de adesão ao Programa Nacional de Avaliação da Qualidade das Águas (PNQA)/Programa de Estímulo à Divulgação de Dados de Qualidade de Água – QUALIÁGUA, da Agência Nacional das Águas (ANA), e todos foram cumpridos com sucesso.

Com o cumprimento, já foi repassada à Semarh a primeira parte do investimento anual pago pela ANA de acordo com o desempenho obtido, cerca de R$ 60 mil reais. O valor total para o primeiro ano do contrato é de aproximadamente R$ 120 mil reais. O Contrato nº 058/2016/ANA, no valor total de R$ 1.166.000,00, prevê o cumprimento de 156 metas de monitoramento e divulgação de dados de qualidade da água no prazo de vigência do contrato, que é de cinco anos no total.

“A meta do primeiro semestre de 2017 foi 100% concluída com sucesso e já estamos trabalhando no fechamentodo segundo semestre em dezembro”, afirma o diretor de Planejamento e Gestão de Recursos Hídricos da Semarh, Aldo Azevedo.

O diretor destaca ainda que os 30 pontosforam definidos de acordo com a demanda das bacias hidrográficas do Tocantins. “Nós priorizamos as bacias mais degradadas para o monitoramento de qualidade neste primeiro ano. Além disso, a meta é progressiva e vai crescendo ao longo do período de execução do QUALIÁGUA no estado. Neste ano foram 30 pontos, em 2018 serão 60 e chegaremos a 126 pontos no quinto ano”, explica Aldo.

Com adesão voluntária, o QUALIÁGUA parte do pressuposto que os dados de qualidade da água são importantes para diversos públicos, como gestores públicos, pesquisadores, estudantes e empresas.

Análise

A análise da qualidade da água é feita da seguinte maneira: utilizando uma sonda multiparâmetro, um dos equipamentos mais modernos para este tipo de trabalho, os técnicos coletam dados dos seguintes parâmetros: oxigênio dissolvido, condutividade, PH, turbidez e temperatura da ar e água.

Camila Mitye / Governo do Tocantins

Reforma eleitoral abre espaço para propaganda paga em sites

A reforma eleitoral, aprovada no Congresso Nacional e sancionada recentemente pelo presidente Michel Temer, traz mudanças importantes nas campanhas realizadas nos meios de comunicação. Uma delas é a liberação parcial de propaganda paga na internet. O tema levanta reflexões de especialistas na área de tecnologia e comunicação.

Conforme a reforma, é “vedada a veiculação de qualquer propaganda paga na internet, excetuado o impulsionamento de conteúdos”. Essa alternativa é permitida apenas quando o autor for identificado e se o serviço for contratado por partidos, coligações, candidatos e representantes. O uso deste recurso, contudo, não pode ser feito em dia de votação.

Ainda de acordo com o texto, é proibido usar ferramentas que não aquelas disponibilizadas pelo provedor “para alterar o teor ou a repercussão de propaganda eleitoral, tanto próprios quanto de terceiros”.

O provedor deve manter canal de comunicação com os usuários e pode ser responsabilizado por danos causados pela publicação impulsionada se houver decisão judicial pela retirada e ela não for cumprida.

Essa novidade amplia os instrumentos de divulgação para as campanhas em relação aos existentes hoje. Pela legislação atual, um candidato pode manter um site, desde que com endereço eletrônico informado à Justiça Eleitoral e hospedado em provedor estabelecido no Brasil. Também é permitido o envio de mensagens eletrônicas, como e-mails ou mensagens no Whatsapp, além de publicações nas redes sociais.

Redes Sociais e eleições

Segundo a pesquisa TIC Domicílios, do Comitê Gestor da Internet, 58% dos brasileiros estão conectados à internet. De acordo com a Pesquisa Brasileira de Mídia 2016, realizada pelo Ibope a pedido do governo federal, metade dos pesquisados afirmou se informar pela internet. O meio é o segundo mais popular para a busca de notícias, ficando atrás apenas da TV, mencionada por 89% dos entrevistados. A principal rede social usada pelos brasileiros, o Whatsapp, informou em maio deste ano ter cerca de 120 milhões de usuários no Brasil.

Para o professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e coordenador do Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic), Fábio Malini, as redes sociais vêm sendo elemento relevante nas eleições em diversos países (como Espanha, Reino Unido e Estados Unidos) e não será diferente no Brasil em 2018. Com a possibilidade de impulsionamento de conteúdo aberta pela reforma eleitoral, os candidatos poderão manter estratégias de propaganda mais sofisticadas.

“O papel mais central das redes sociais será a direção exata da propaganda política que não se tinha antes. Mesmo com ambiente digital, se partia do pressuposto de que o usuário tinha que ir até a página, fazer a busca. Pela primeira vez vai se poder trabalhar uma propaganda para um território, faixa etária, profissão. Essa experiência de ir no foco publicitário é algo que a gente vai ter de forma forte nas próximas eleições”, destaca Malini.

Riscos

Na avaliação do professor da Universidade Federal do ABC, Sérgio Amadeu, a medida é problemática porque beneficia candidaturas com mais recursos. Para além do impulsionamento implicar gastos, estes vão se tornar cada vez maiores, aumentando o obstáculo financeiro dos candidatos com menos estrutura. Isso porque o impulsionamento se dá pela forma de “leilão”. Ou seja, o preço para conseguir ampliar o alcance de um “post” aumenta conforme a demanda. Em uma eleição, com diversos candidatos tendo apenas o Facebook como canal pago na internet, a tendência é que esse custo seja cada vez maior.

“A postagem de um candidato com menos dinheiro vai atingir menos de 1% dos seus seguidores, enquanto candidatos com muito dinheiro e que já aplicam no Facebook vão poder fazer uma campanha de maior alcance, o que dará uma visão distorcida”, argumenta o professor, que também é membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI-Br).

“Muitos eleitores terão a falsa impressão de que aquele candidato é relevante, popular e bem visto quando comparado a outros invisíveis, quando na verdade ele só aparece em sua “timeline” porque pagou para que isso acontecesse e grande parte das suas interações positivas podem ser falsas, produzidas por “chatbots”, isto é, perfis artificiais que simulam conversas e interação”, acrescenta Sivaldo Pereira da Silva, professor da Universidade de Brasília e coordenador do Centro de Estudos em Comunicação, Tecnologia e Política (CTPol).

Para Renata Mielli, jornalista e coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, a abertura de propaganda privilegia os anúncios em somente uma plataforma, o Facebook, e impede que candidatos optem por outros sites ou canais na internet. “Criar distinção entre esses espaços não é compatível com uma postura mais equilibrada e democrática dentro das regras do jogo eleitoral”, defende.

Mielli acrescenta que há o problema da falta de transparência na disseminação dos conteúdos publicados. “O Facebook seleciona o que as pessoas visualizam na ‘timeline’ por meio de algoritmos e isso não é transparente. Isso pode gerar uma invisibilidade de candidatos com menos recursos enquanto outro serão privilegiados”, alerta.

Edição: Carolina Pimentel
Jonas Valente – Repórter da Agência Brasil

Corpo de Bombeiros socorre vítimas de acidente na TO-030 na região de Taquaruçu

Na manhã desta segunda-feira, 16, o Corpo de Bombeiros do Tocantins foi acionado, por volta das 9h25, para atendimento de ocorrência na região do Distrito de Taquaruçu. O acidente, envolvendo um caminhão e um ônibus escolar aconteceu na TO-030 entre Taquaralto e Taquaruçu.

Após colidir com um caminhão, um ônibus que transportava alunos da zona rural para a Escola Família Agrícola, em Porto Nacional, saiu da pista e chocou-se contra um poste, atingindo a rede alta de tensão. Durante o atendimento da ocorrência, a pista ficou interditada nos dois sentidos pela Agência de Trânsito (ATTM) da Capital.

Ao todo, a colisão envolveu 10 pessoas, entre crianças e adolescentes, sendo nove encaminhadas para Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Sul, no Aureny II, em Palmas, e uma vítima, em estado mais grave, conduzida para o Hospital Geral de Palmas (HGP). Além disso, o acidente também vitimou fatalmente uma pessoa.

Nara Moura – Governo do Tocantins

Governador e ministro do Desenvolvimento Social visitam Aldeia Brejo Comprido em Tocantínia

O governador Marcelo Miranda, acompanhado da primeira-dama e deputada federal Dulce Miranda, recebeu na manhã desta segunda-feira, 16, o ministro do Desenvolvimento Social (MDS), Osmar Terra, em Palmas. A vinda do ministro ao Estado fez parte de uma visita domiciliar à Aldeia Brejo Comprido, no município de Tocantínia, que integra o Programa Criança Feliz.

O objetivo foi observar a aplicabilidade do programa, além de conhecer a realidade local com um propósito maior: traçar e promover ações que auxiliem no desenvolvimento das crianças da gestação aos seis anos de idade. A vice-governadora Claudia Lelis e uma comitiva chinesa também acompanharam o ministro durante a visita.

Na aldeia, a comitiva visitou residências indígenas e acompanhou atividades lúdicas desenvolvidas por técnicos do programa com as crianças. Também foram realizadas apresentações da cultura indígena local.

O governador ressaltou que a visita do ministro abre a possibilidade de novos projetos dessa natureza. “É um programa abrangente, que envolve não só as crianças, mas também as famílias”, disse, destacando a visita dos representantes do governo chinês como exemplo do alcance social da iniciativa.

O ministro Osmar Terra ressaltou que o governador Marcelo Miranda faz uma administração para marcar época. “O Tocantins é pioneiro no desenvolvimento desse programa, que foca a primeira infância, porque toda a inteligência do ser humano se desenvolve até os primeiros dois anos de vida. Uma criança bem estimulada vai ter mais facilidade ao chegar à escola e, automaticamente, um maior desenvolvimento intelectual”, explicou.

A técnica do Programa em Tocantínia, Elisabete Silva Xerente, disse que o  trabalho consiste em ouvir primeiramente as mães, que são orientadas em como estimular os filhos. “Esse trabalho lúdico é fundamental para o desenvolvimento dessas crianças e vem sendo bem aceito nas aldeias. É um programa muito bom, que pode mudar a realidade do nosso povo”.

“Não podemos deixar de reconhecer tudo o que o governador Marcelo Miranda tem feito pelos povos indígenas, principalmente para nós da nação Xerente”, disse Ercivaldo  Xerente, liderança e diretor de Escola. Ele justificou seu agradecimento citando a atenção que a aldeia tem recebido nos setores da Educação e Social, bem como pelas oportunidades de acesso ao ensino superior.  “Passei a admirar e, hoje, sou seu fã”, disse ele referindo-se ao governador. Ercivaldo completou seu pensamento, externando: “geralmente somos vistos como marginais, preguiçosos, mas na verdade nosso mundo, nossa cultura é diferente. Queremos crescer, queremos uma vida melhor. Esse programa é uma oportunidade. Por isso, agradeço também o ministro aqui presente”.

O coordenador regional da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Eduardo Batalha Macedo, também destacou a importância da iniciativa. “Um brilhante programa que vai impactar diretamente todas as famílias dessas aldeias beneficiadas. Entendemos que esse estímulo que as crianças estão recebendo será fundamental para o futuro dos indígenas”.

O Programa

O Programa Criança Feliz tem como foco o desenvolvimento integral das crianças brasileiras, principalmente aquelas que se encontram em situação de vulnerabilidade social, além de oferecer apoio abrangente para toda família, desde a gestação. O principal objetivo é assegurar as condições para que elas desenvolvam seu pleno potencial. Para isso, há uma estratégia de visitação domiciliar que visa atender famílias com crianças até 3 anos de idade. No caso de crianças em situação de extrema pobreza ou necessidades especiais, o apoio se estende até os 6 anos de idade.

A visita domiciliar ocupa o eixo principal do Criança Feliz. Por meio dela, as equipes conhecem a realidade do público e oferecem apoio e orientações que os auxiliem no desenvolvimento das crianças da gestação aos seis anos. A intenção é fazer com que as crianças cheguem à escola com melhores condições de aprendizado e tenham mais chances de vencer a pobreza. Como a criança tem o dobro de conexões cerebrais que um adulto, é nesse momento que os principais vínculos afetivos são estabelecidos.

Comitiva chinesa

A comitiva do governo chinês é formada pelo vice-presidente da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa da China, Luanda Maia; pelo Gerente de Operações, Gab Guoqing; e os diretores do Centro de Desenvolvimento Infantil, Mary Yong,  Cao Yang,  Wu Zhiping, Liang Bojiao e Shi Lijia.

Pioneira

A aldeia Porteira, no município de Tocantínia, foi a primeira comunidade indígena no País a receber as visitas domiciliares previstas pelo programa. Lá, a escolha da equipe de trabalho buscou levar em conta o conhecimento e a proximidade dos entrevistadores com a cultura Xerente.

A escolha da equipe é uma responsabilidade do município e o Governo do Estado capacita esses trabalhadores. As equipes receberam uma capacitação de 40 horas e tiveram aulas práticas.

O Tocantins aderiu ao programa em 2016. Em todo o Estado, 43 municípios já participam e, segundo o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), outros 37 municípios estão aptos a solicitar adesão. A expectativa é atender, no Tocantins, até 2018, 4.500 crianças.

Sugestão de legendas

Fotos: Frederick Borges

Temer envia carta a parlamentares e fala em “conspiração” para derrubá-lo

O presidente Michel Temer escreveu uma carta a deputados e senadores se defendendo de acusações contra ele. No texto, Temer diz que é vítima de “uma campanha implacável com ataques torpes e mentirosos” e que há uma “conspiração” para derrubá-lo do cargo.

A carta foi enviada por Temer a parlamentares da base aliada e da oposição no momento em que a segunda denúncia da Procuradoria-geral da República (PGR) contra ele está sendo analisada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.

Temer inicia a carta, entregue hoje (16), dizendo que a “indignação” é o que o faz se dirigir a eles. “São muitos os que me aconselham a nada dizer a respeito dos episódios que atingiram diretamente a minha honra. Mas para mim é inadmissível. Não posso silenciar. Não devo silenciar”, escreveu.

O presidente diz aos parlamentares que “afirmações falsas, denúncias ineptas alicerçadas em fatos construídos artificialmente sustentaram as inverdades que foram divulgadas” e que “a armação está sendo desmontada”.

Ao longo de quatro páginas, Temer cita os áudios das conversas entre os dirigentes da JBS Joesley Batista e Ricardo Saud e diz que neles fica claro que o objetivo era derrubar o presidente da República. Faz menção também à delação premiada do doleiro Lúcio Funaro, cujos vídeos foram divulgados pela imprensa nos últimos dias. “Agora trazem de volta um delinquente conhecido de várias delações premiadas não cumpridas para mentir, investindo contra o presidente, contra o Congresso Nacional, contra os parlamentares e partidos políticos”, defende na carta.

Temer ainda faz críticas à atuação do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e cita o ex-deputado Eduardo Cunha ao dizer que, em uma entrevista, Cunha relatou que sua delação não foi aceita porque o procurador-geral exigia que ele incriminasse o presidente da República.

“Jamais poderia acreditar que houvesse uma conspiração para me derrubar da Presidência da República. Mas os fatos me convenceram. E são incontestáveis”, diz Temer aos parlamentares.

Temer finaliza o texto citando dados positivos da economia como a redução da inflação, criação de emprego e ações como a aprovação da reforma trabalhista. Ele diz aos parlamentares que a retomada do crescimento no país foi alcançada com o “apoio decisivo” da Câmara e do Senado.

A partir de amanhã (17), os deputados se concentrarão na análise, discussão e votação na CCJ da Câmara da denúncia contra Temer e os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco. O parecer sobre a peça foi apresentado na última terça-feira (10) pelo relator, deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), que recomendou a rejeição do prosseguimento da denúncia, afirmando que ela se baseia em “delações espúrias, sem credibilidade não havendo justa causa para o prosseguimento da ação penal”.

Edição: Amanda Cieglinski
Yara Aquino – Repórter da Agência Brasil

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