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Chaparral II: homens armados derrubam casa em terra da União, denuncia CPT

Chaparral II: homens armados derrubam casa em terra da União, denuncia CPT
Foto: Reprodução/Acervo da Comunidade

Comunidade camponesa fica na divisa entre Araguaína e Pau D’Arco; entidade afirma que nenhuma viatura foi ao local, apesar dos alertas feitos desde outubro

Por Geovane Oliveira – Portal O Melhor da Amazônia

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) denunciou que seguranças privados armados derrubaram uma casa na Comunidade Chaparral II na manhã desta quarta-feira (4). A área pertence à União e fica na divisa entre Araguaína e Pau D’Arco, no norte do Tocantins. Segundo a entidade, o grupo também ameaçou sitiar as famílias.

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De acordo com a CPT, os homens ameaçaram derrubar outra casa, onde moradores estavam reunidos. Entre eles está uma família que já havia recebido ameaça de expulsão na terça-feira (3). Além disso, o grupo anunciou que vai fechar todas as entradas e saídas da comunidade, conforme o relato da pastoral.

A CPT Araguaia-Tocantins publicou no Instagram um vídeo com os destroços da residência. As imagens foram reproduzidas por veículos de imprensa ao longo do dia.

Chaparral II: alertas sem resposta, segundo a CPT

A pastoral afirma que notificou órgãos públicos em 21 de outubro e repetiu os alertas na tarde de terça-feira. Entre os acionados está o oficial agrário da Polícia Militar do Tocantins. Ainda assim, nenhuma viatura havia chegado à comunidade até a divulgação da nota, conforme a entidade.

Para a CPT, a situação é grave e era previsível. Por isso, a organização cobra a mobilização imediata das forças de segurança. O texto afirma que “cada hora de silêncio” aproxima as famílias de uma tragédia.

Cerco começou em outubro

Os relatos de violência na área não são novos. Em nota pública de 21 de outubro, a CPT informou que cerca de dez homens armados chegaram ao local no dia 20. Na ocasião, a entidade os descreveu como seguranças a serviço da empresa Chaparral Ltda.

Segundo a denúncia, o grupo fez disparos, ameaçou moradores e bloqueou as estradas de acesso. Com isso, crianças deixaram de chegar ao ponto do transporte escolar. As famílias registraram boletim de ocorrência na Polícia Civil, de acordo com a nota.

Naquele documento, a CPT pediu a retirada dos homens armados e o desbloqueio das vias. A entidade também quer que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal investiguem o caso, já que a terra pertence à União.

Incra apontou a área da Chaparral II para reforma agrária

A comunidade ocupa os lotes 28 e 30 do Loteamento Muricizal, nas glebas 06 e 03. Conforme a CPT, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já concluiu o levantamento situacional do imóvel. O órgão considerou a área passível de destinação à reforma agrária, mas o assentamento ainda não saiu do papel.

A disputa é antiga. As famílias começaram a reivindicar a terra em 2010, quando 97 delas pediram a criação de um assentamento. Em dezembro de 2023, uma ação de reintegração de posse movida pela empresa resultou no despejo de cerca de 80 famílias. Segundo a CPT, a medida atingiu também moradores de lotes da União que não faziam parte do processo.

Mais tarde, parte dos camponeses voltou ao local. Em julho deste ano, entidades sociais divulgaram nota de apoio à retomada do acampamento.

Outro lado

A reportagem não localizou manifestação pública da empresa Chaparral Ltda., da Polícia Militar, da Secretaria da Segurança Pública nem do Incra sobre o episódio desta quarta. O espaço segue aberto para posicionamento.


Com informações da Comissão Pastoral da Terra (CPT)

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