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Prazo para inscrição no vestibular da Unitins termina neste domingo

 As inscrições para o vestibular 2018.1 da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins) encerram neste domingo, 22. Ao todo, a Universidade oferece 480 vagas em 12 cursos de graduação, distribuídos em quatro câmpus, sendo que parte destas vagas serão preenchidas via vestibular tradicional e a outra via Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Quanto ao vestibular tradicional, cujo as provas ocorrem em 3 de dezembro, o coordenador da Comissão de Concursos e Seleções, Paulo Rogério Mascarenhas, recomenda aos interessados não deixarem para a última hora para fazer sua inscrição, a fim de evitar transtornos.

 As inscrições poderão ser feitas no link, ao acessar aqui, e confirmadas mediante o pagamento do boleto bancário no valor de R$ 100. O processo seletivo da Unitins ocorre por meio de dois sistemas de preenchimento de vagas: Ampla concorrência: 35%, e Sistema especial de reserva de vagas: com 65%, distribuídas da seguinte forma: Egressos da Rede Pública de Ensino: 25%, Cota Racial: 10%, Sistema de Seleção Unificada (SISU): 30% das vagas.

Os 12 cursos de graduação oferecidos da Unitins compreendem os quatro campus da instituição assim distribuídos: Araguatins – Letras e Pedagogia; Augustinópolis – Direito, Ciências Contábeis e Enfermagem; Dianópolis – Direito, Administração e Ciências Contábeis e Palmas – Engenharia Agronômica, Direito, Serviço Social e Sistemas de Informação.

Saiba mais sobre o vestibular aqui.

Em reunião com a Fesserto, governo diz que deve apresentar proposta sobre data-base 2017

Solicitada pela Fesserto (Federação dos Sindicatos de Servidores Públicos do Tocantins) e por seus sindicatos filiados, ocorreu, nesta quinta-feira, 19 de outubro, uma reunião com o secretário da Administração, Geferson Barros, sobre o pagamento da data-base 2017. O secretário se comprometeu a apresentar uma proposta à Fesserto nos próximos dias.

No encontro, a Fesserto reforçou que busca o percentual de 6,5% de reposição, o mesmo aplicado nos outros poderes e instituições do Tocantins. “Queremos para o trabalhador do Executivo aquilo que foi concedido nos outros poderes e órgãos do Estado. Desta forma, manteremos isonomia entre todos”, ressaltou o presidente da Fesserto, Carlos Augusto Melo de Oliveira (Carlão).

Já Geferson Barros detalhou dificuldades financeiras do Estado e disse que a prioridade é pagar a folha em dia, bem como o 13º salário. Mesmo assim, ressaltou que vai se reunir com a equipe econômica do governo estadual e vê a possibilidade de ser apresentada uma proposta à Fesserto nos próximos dias, possivelmente com o pagamento da data-base de 2017 ocorrendo em 2018. “Nós temos que aguardar a proposta antes de um posicionamento oficial”, frisou Carlão.

A questão da data-base envolve mais de 35 mil servidores efetivos do Estado. A reunião contou com a presença dos dirigentes do Sinfito (Sindicato dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais do Estado do Tocantins), Sindjor (Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Tocantins), Sindagro (Sindicato dos Profissionais de Defesa Agropecuária do Estado do Tocantins), Afa-TO (Associação dos Funcionários da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Tocantins), Asmir (Associação dos Militares da Reserva, Reformados, da Ativa e seus Pensionistas do Estado do Tocantins), Aometo (Associação dos Oficiais Militares do Estado do Tocantins), Para (Associação dos Praças Militares do Estado do Tocantins), ACEJBM-TO (Associação de Cooperação Estudos e Defesa jurídicas dos Bombeiros Militares no Tocantins), ABM-TO (Associação dos Bombeiros Militares do TO) e ASSPMETO (Associação de Subtenentes e Sargentos do Tocantins).

Marcelo Miranda inaugura infraestrutura do Setor Maracanã em Araguaína

Os moradores do setor Maracanã, em Araguaína, convivem agora com uma nova realidade. A poeira e a lama, antes um pesadelo para famílias e empreendedores, foram substituídos pela concretização de um sonho há muito tempo esperado. Esse sonho tornou-se uma realidade com a inauguração de obras de pavimentação e drenagem, na manhã desta sexta-feira, 20, pelo governador Marcelo Miranda e pelo prefeito local, Ronaldo Dimas.

Mais de R$ 9,8 milhões foram investidos, beneficiando mais de 89 mil e 600 metros quadrados de asfalto distribuídos em ruas e avenidas do setor. A solenidade contou com a presença da primeira-dama e deputada federal Dulce Miranda.

Para o governador, essas obras de infraestrutura têm um significado importante para a cidade de Araguaína, que cada vez mais se firma como referência econômica no cenário estadual. “Estamos em um planejamento criterioso para avançar com obras em outros setores. Sabemos da importância desses benefícios para essas famílias. Com muito trabalho, e superando desafios, estamos mudando para melhor a vida das pessoas e o cenário da infraestrutura de todo o Estado”, disse.

NASA testa motor que levará homens a Marte (VÍDEO)

Esse motor será um dos quatros que equiparão o Sistema de Lançamento Espacial desenvolvido pela NASA para as missões futuras ao espaço.

Os engenheiros do Centro Espacial John C. Stennis da NASA (estado do Mississípi, EUA), realizaram um teste de fogo do seu novo motor de foguete RS-25 E2063, destinado ao Sistema de Lançamento Espacial (SLS, sigla em inglês) que atualmente se encontra na fase de desenvolvimento. O teste foi aberto para o público.

O motor em questão é um dos quatros que irão servir para propulsar o SLS. O veículo de lançamento será utilizado em  missões no espaço profundo, inclusivamente viagens à Lua e Marte.

O primeiro voo confirmado não tripulado está marcado para 2019, enquanto a primeira missão humana que irá utilizar o SLS será realizada em 2022.

Conforme os planos da NASA, a primeira missão tripulada para Marte pode ter lugar na década de 2030.

br.sputniknews.com

Temer exonera oito ministros para votar contra denúncia na Câmara

O Diário Oficial da União publica hoje (20) decretos assinados pelo presidente da República, Michel Temer, com a exoneração de oito ministros de Estado.

Os ministros exonerados têm mandatos de deputados e voltam à Câmara, onde deverão participar da votação, em plenário, prevista para a próxima quarta-feira (25), da segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o presidente Temer.

Na Comissão de Constituição e Justiça da Casa, em sessão realizada na última quarta-feira (18), o relatório a favor da inadmissibilidade da denúncia foi aprovado pela maioria dos deputados que integram o colegiado.

Nos decretos de exoneração publicados nesta sexta-feira constam os nomes dos seguintes ministros: Antonio Imbassahy, da Secretaria de Governo; Leonardo Picciani, ministro do Esporte; Ronaldo Nogueira, ministro do Trabalho; Sarney Filho, do Meio Ambiente; Marx Beltrão, do Turismo; Maurício Quintella Lessa, dos Transportes; Mendonça Filho, da Educação; e Bruno Cavalcanti, das Cidades.

Edição: Denise Griesinger
Aécio Amado – Repórter da Agência Brasil

MPE obtém bloqueio de recursos do Estado para custear cirurgia de criança

O valor de R$ 233 mil deverá ser bloqueado das contas do Estado para custear a cirurgia de uma criança de Paraíso do Tocantins que sofre de deficiência cardíaca. O bloqueio é resultado de decisão judicial proferida nesta terça-feira, 18, atendendo a um Mandado de Segurança impetrado pelo Ministério Público Estadual (MPE).

Na decisão, o Desembargador Marco Villas Boas determinou o levantamento da quantia necessária em favor da genitora Vanessa Noleto da Silva, para custear a cirurgia da criança. O garoto de seis anos foi diagnosticado com quadro de estenose e insuficiência de valva pulmonar e necessita de cirurgia cardíaca urgente em virtude do agravamento do estado de saúde.

Agora o Ministério Público Estadual está em tratativas para que o valor bloqueado seja transferido diretamente da conta judicial para o hospital no Rio de Janeiro que fará o procedimento.

Entenda o caso

No último dia 13, o Ministério Público Estadual (MPE), por meio da 3ª Promotoria de Justiça de Paraíso, protocolou pedido para que a Justiça execute decisão liminar, proferida em Mandado de Segurança, que determina ao Secretário Estadual de Saúde, Marcos Esner Musafir, providenciar intervenção cirúrgica em favor de uma criança de seis anos que sofre de doença no coração. Diante do agravamento do quadro de saúde do garoto, o MPE pediu o bloqueio de verbas públicas para realização do procedimento e, ainda, a prisão do gestor.

Na decisão, proferida em 18 de agosto, o Estado tinha prazo de 45 dias para cumprimento, no entanto, o prazo encerrou-se no início deste mês e nenhuma providência foi tomada. Segundo o Promotor de Justiça Guilherme Goseling Araújo, o estado de saúde da criança é gravíssimo, tendo inclusive início de quadro de falência múltipla dos órgãos.

Além do bloqueio de verba, o MPE requereu imposição de multa diária de R$ 15 mil e até a prisão do gestor, transcorrido o prazo de 48 horas de descumprimento de decisão.

Denise Soares

MPE investiga omissão do Estado na pesagem de caminhões em rodovias estaduais

O Ministério Público Estadual (MPE) instaurou inquérito civil público para apurar suposta omissão do Governo do Estado quanto à fiscalização do excesso de peso das cargas transportadas nas rodovias estaduais.

Ao justificar a necessidade da fiscalização, o Ministério Público aponta que o excesso de peso danifica a malha asfáltica e prejudica as condições de tráfego dos veículos, o que resulta em risco à vida dos cidadãos e na elevação dos gastos públicos com a manutenção do piso viário, com saúde pública, com previdência e com indenizações, estas últimas em decorrência dos acidentes de trânsito.

De acordo com cálculos do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit), as rodovias sem fiscalização de peso têm custo de manutenção 30% superior. Atualmente, o Governo do Estado está investindo R$ 314 milhões na recuperação de rodovias, recurso oriundo de empréstimo internacional.

A proibição do tráfego de veículos de carga e de passageiros com excesso de peso encontra-se expressa na Lei Federal nº 9.503/97.

O inquérito civil público que vai apurar a suposta irregularidade foi instaurado pela 9ª Promotoria de Justiça da Capital, que tem atuação na área de defesa do patrimônio público.

TO-134

Em especial, será investigado pela Promotoria de Justiça o caso do trecho da Rodovia TO-134 compreendido entre os municípios de Darcinópolis e Luzinópolis e de Luzinópolis e Araguatins, cuja ausência de posto de pesagem de caminhões foi denunciada ao MPE.

Menos de 90 dias depois de a obra de recuperação da rodovia ter sido entregue pela construtora, o respectivo trecho da TO-134 já apresenta deformações na malha asfáltica, decorrentes do sobrepeso de caminhões, conforme demonstra uma série de fotos anexadas pelo MPE. Em alguns intervalos, a faixa de rodagem foi desgastada a ponto de precisar de nova recuperação, realizada cerca de 60 dias após a entrega da obra.

Recentemente, o Governo do Estado investiu R$ 88,3 milhões em 18 trechos da TO-134, que totalizam 378,43 quilômetros e estão localizados na região do Bico do Papagaio.

Informações
Ao instaurar a investigação, ficou determinada a requisição de uma série de informações à Agência Tocantinense de Transportes e Obras (Ageto). Sobre o trecho rodoviário da TO-134 de Darcinópolis a Luzinópolis e de Luzinópolis a Araguatins, o órgão terá que responder se existe algum projeto já elaborado, relativo à instalação ou operacionalização de posto de pesagem fixo ou móvel. Também foi questionado se é possível transferir para o local, temporariamente, uma balança de pesagem instalada na BR 242 que se encontra inoperante. Este equipamento pertence à Ageto.

Com relação à totalidade das rodovias estaduais, o órgão terá que responder se existe um plano estadual que defina pontos de pesagem dos veículos, quantos postos de pesagem existem atualmente e onde estão localizados, quantos desses postos se encontram inoperantes em razão da falta de manutenção e de recursos humanos e qual o valor arrecadado anualmente com autos de infração referentes ao excesso de peso dos veículos.

Flávio Herculano

Em reunião com o governador, Carlesse discute soluções para ‘curva da morte’

Como havia garantido a líderes políticos e moradores de Palmeirópolis, Paranã, São Salvador e Jaú, o presidente da Assembleia Legislativa, Mauro Carlesse (PHS), reuniu-se nesta quinta-feira, 19, com o governador Marcelo Miranda (PMDB) para discutir possíveis soluções ao trecho da TO-387, conhecido como “curva da morte”. A rodovia liga o Tocantins ao município goiano de Montevidiu.

O encontro aconteceu no Palácio Araguaia e durou cerca de uma hora. Na ocasião, o representante do Legislativo estadual relatou que o trecho em questão é conhecido pelos inúmeros acidentes já registrados, que resultaram na morte de nove pessoas.

O governador garantiu que vai determinar aos técnicos da Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinfra) a realização de estudos no local, no sentido de encontrar uma solução para o problema.

Requerimento

Antes da reunião com o chefe do Executivo, Carlesse apresentou no plenário um requerimento, em regime de urgência, no qual solicita ao Governo intervenções emergenciais no trecho, no prazo de 60 dias. Em sua justificativa, o parlamentar anexou ofícios das Câmaras Municipais das quatro cidades, além de vários boletins de ocorrência que atestam os acidentes.

Visita

A reunião aconteceu oito dias após Carlesse receber em seu gabinete prefeitos, vereadores, fazendeiros e lideranças comunitárias dos quatro municípios em busca de soluções para a chamada “curva da morte”.

Na última segunda-feira, 16, ele foi conhecer in loco a curva, também conhecida como “apertado da hora”, e se comprometeu a buscar uma solução junto ao Governo. “Vou me reunir o quanto antes com o governador Marcelo Miranda e o secretário [de Infraestrutura] Sérgio Leão, para ver o que o Estado pode fazer a fim de resolver a questão”, disse. (Rubens Gonçalves)

Jorge Frederico quer extinção de tarifa mínima nas contas de água e energia

Um projeto de autoria do deputado Jorge Frederico (PSC), em tramitação nesta Casa de Leis, propõe que concessionárias de água e energia elétrica cobrem do consumidor apenas o consumo real e serviços prestados pela mesma. A proposta pretende extinguir a cobrança de tarifas e taxas de consumo mínimas ou de assinatura básica. A matéria teve sua urgência aprovada na sessão desta quinta-feira, 19, e deve ser incluída na ordem do dia da próxima sessão.
Para o autor da proposta, a cobrança de tarifa mínima penaliza o consumidor, pois tem sido feita, “desequilibra ainda mais a relação entre empresa e consumidor e prejudica a parcela mais pobre da população, sendo que a cobrança justa não onera as empresas operadoras dos serviços”, justificou Frederico.

Além desse projeto, outros requerimentos tiveram a urgência aprovada.  Uma das matérias solicita a realização de uma sessão solene para homenagear o Dia da Consciência Negra proposta pelo deputado Paulo Mourão (PT). Outro requerimento, de autoria do presidente Mauro Carlesse (PHS), pede providências para intervenções no trecho de curva em declive da rodovia TO-387, próximo ao município de Palmeirópolis, denominado de curva da morte, no prazo de 60 dias. (Maisa Medeiros)

OIT: mudança de regra no combate ao trabalho escravo pode provocar retrocessos

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) afirmou hoje (19) que a iniciativa do governo federal de alterar a conceituação de trabalho escravo e mudar as regras para a fiscalização e de divulgação da lista com o nome de empregadores que pratiquem esse crime ameaça “interromper uma trajetória de sucesso que tornou o Brasil uma referência e um modelo de liderança mundial no combate ao trabalho escravo”.

Braço da Organização das Nações Unidas (ONU) responsável por zelar por condições globais de trabalho decente e produtivo, a OIT sustenta que a Portaria 1.129 do Ministério do Trabalho, pode enfraquecer e limitar a efetiva atuação dos fiscais do trabalho, deixando uma “parcela da população brasileira já muito fragilizada ainda mais desprotegida e vulnerável”.

Publicada no Diário Oficial da União na última segunda-feira (16), a Portaria 1.129 estabelece novas regras para a caracterização de trabalho escravo – o que despertou críticas de entidades de classe e organizações sociais que afirmam que a iniciativa afronta convenções internacionais das quais o país é signatário e o próprio ordenamento jurídico brasileiro, como, por exemplo, o Código Penal.

O artigo 149 do Código Penal estabelece que o trabalho análogo ao de escravo se caracteriza pela sujeição de alguém a condições degradantes de trabalho (caracterizadas pela violação de direitos fundamentais e/ou que coloquem em risco a saúde e a vida do trabalhador), ou a jornadas exaustivas (quando o trabalhador é submetido a esforço excessivo ou sobrecarga de trabalho que acarrete danos à sua saúde ou risco de vida), trabalho forçado (manter a pessoa no serviço através de fraudes, isolamento geográfico, ameaças e violências físicas e psicológicas) e servidão por dívida (fazer o trabalhador contrair ilegalmente um débito e prendê-lo a ele).

Já a portaria ministerial classifica como escravidão apenas a atividade exercida sob coação ou cerceamento da liberdade de ir e vir. Segundo a OIT, estas circunstâncias só ficariam patentes quando os fiscais flagrassem a presença de seguranças armados limitando a movimentação dos trabalhadores ou a apreensão de documentos dos trabalhadores.

Além disso, a portaria altera as regras para atualização e divulgação do cadastro de empregadores que submeterem pessoas a condição semelhante ao trabalho forçado. Até a semana passada, a chamada lista suja do trabalho escravo era obrigatoriamente divulgada a cada seis meses, pelo Ministério do Trabalho. Eram incluídos na lista os nomes de todos os empregadores infratores flagrados pelos fiscais do trabalho e cujos autos de infração já tivessem esgotado todos os recursos a que tinham direito nos respectivos processos administrativos. Com a entrada em vigor da nova portaria, caberá ao ministro do Trabalho autorizar a inclusão dos nomes dos infratores e decidir sobre a divulgação da lista.

Segundo a OIT, os eventuais desdobramentos da Portaria 1.129 poderão ser objeto de análise pelo Comitê de Peritos da agência, que destaca o risco de que, com a mudança na regra, o Brasil não alcance até 2030 os compromissos dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) da ONU relativos à erradicação do trabalho análogo ao de escravo.

Dignidade no trabalho

Considerada uma referência no tema, a organização não governamental Repórter Brasil afirma que não é apenas a ausência de liberdade que faz um trabalhador escravo, mas sim a falta de dignidade no exercício do trabalho. A caracterização legal brasileira do que seja trabalho análogo ao escravo, segundo a entidade, não era frágil antes da publicação da portaria. A definição brasileira chegou a ser elogiada pela relatora para formas contemporâneas de escravidão das Nações Unidas, utilizada por tribunais de justiça e aceita por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que têm se embasado no artigo 149 do Código Penal.

Também em nota, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lembrou que, passados 130 anos da promulgação da Lei Áurea, o trabalho escravo segue sendo uma realidade no Brasil. Levantamento do Departamento de Pesquisas Judiciárias (DPJ) do conselho aponta que o tempo médio de tramitação de um processo relacionado ao tema, nas diversas instâncias, é de 3,6 anos.

A Defensoria Pública da União (DPU) também se manifestou, na segunda-feira (16), declarando repúdio à mudança na regra. “A violência explicita, de violação da liberdade de ir e vir, é de difícil comprovação, na medida em que não deixa, em muitos casos, vestígios aparentes, dificultando sua identificação e repressão, ao contrário da jornada exaustiva e das condições degradantes, com o que a repressão ao trabalho escravo no Brasil por meio da fiscalização do trabalho, a partir da portaria, restará absolutamente prejudicada”, afirmou o órgão em nota.

Explorar trabalho em condições análogas à escravidão é crime federal, mas quando os processos resultam da atuação das polícias estaduais, eles também podem ser ajuizados na Justiça estadual. Na esfera federal, os processos costumam levar, em média, 3,4 anos para serem julgados. No âmbito da justiça estadual, o tempo médio sobe para 4,3 anos. No Superior Tribunal de Justiça (STJ), o índice é de 2,1 anos.

Ministério alega primoramento jurídico

Em nota divulgada na segunda-feira (16), o Ministério do Trabalho defendeu que a portaria vai “aprimorar e dar segurança jurídica à atuação do Estado”. Segundo a pasta, as novas disposições sobre os conceitos de trabalho forçado, jornada exaustiva e condições análogas a de escravo servem à concessão de seguro-desemprego para quem vier a ser resgatado em fiscalização promovida por auditores fiscais do trabalho.

“O combate ao trabalho escravo é uma política pública permanente de Estado, que vem recebendo todo o apoio administrativo desta pasta, com resultados positivos concretos relativamente ao número de resgatados, e na inibição de práticas delituosas dessa natureza, que ofendem os mais básicos princípios da dignidade da pessoa humana”, sustenta o ministério.

Recomendação de revogação

Na terça-feira (17), o Ministério Público do Trabalho (MPT) e o Ministério Público Federal (MPF) recomendaram ao Ministério do Trabalho que revogue a portaria. Procuradores que assinaram a recomendação classificaram a medida como um ato “ilegal” que afronta o Código Penal e decisões da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Supremo Tribunal Federal (STF). “A referida portaria traz conceitos equivocados e tecnicamente falhos dos elementos caracterizadores do trabalho escravo, sobretudo de condições degradantes de trabalho e jornadas exaustivas”, afirmam os procuradores.

Ontem (18) , ao se reunir com o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirmou que a portaria é um retrocesso à garantia constitucional de proteção à dignidade da pessoa humana. “A portaria volta a um ponto que a legislação superou há vários anos”, disse a procuradora-geral ao pedir ao ministro que revogue a portaria.

Fiscais do trabalho de pelo menos 21 estados decidiram nesta quarta-feira suspender as ações de vigilância até que o Ministério do Trabalho revogue a Portaria 1.129. Para a categoria, a iniciativa do Ministério do Trabalho é uma tentativa de “esvaziamento” das suas atribuições, principalmente ao estabelecer que o auditor fiscal do trabalho deverá anexar ao seu relatório de fiscalização cópia do boletim de ocorrência lavrado pela autoridade policial local que participar da fiscalização. Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), Carlos Fernando da Silva Filho, “vão ser concluídas apenas algumas operações que já estavam em curso ou prestes a ser deflagradas. Todas as demais fiscalizações vão ser paralisadas até que o ministro revogue esta portaria absurda”, opinou o sindicato.

Edição: Lidia Neves
Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil

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