‘Colapso das bolsas dos EUA ameaça mundo com nova Grande Depressão’

Os principais índices bolsistas dos EUA caíram entre 3,8 e 4,6% no início desta semana. O colapso se estendeu às bolsas da Ásia e Europa.

Há muito produtos financeiros exóticos para comercializar e algum dia eles farão explodir o mercado, disse o multimilionário Carl Icahn à CNBC. Icahn descreveu a possível explosão como “talvez pior que a de 1929”, referindo-se ao colapso nas bolsas durante a Grande Depressão.

Para o multimilionário, o mercado não é nada mais que um “casino com esteroides”. Em sua opinião, os fundos cotados na bolsa são “falhas” que eventualmente levarão a um “terremoto” em Wall Street.

“Esse é apenas é o início de um colapso”, prevê ele.

O índice industrial Dow Jones perdeu em apenas um dia de negociação 4,6%; o índice S&P 500 − 4,1%; o Nasdaq perdeu 3,78%. O Dow Jones caiu mais de 1.500 pontos e, no fim da sessão, foi registrada uma queda de 1.175 pontos, a maior em toda sua história de 122 anos.

Ao mesmo tempo, o colapso no mercado bolsista norte-americano provocou uma reação em cadeia nos mercados mundiais. As bolsas da Ásia e Europa têm fechado em queda nos últimos dias.

Os ex-chefes da Reserva Federal (banco central dos EUA) Alan Greenspan e Janet Yellen, fizeram declarações fortes sobre a iminente crise financeira.

Em entrevista ao canal de televisão CBS News, Yellen comentou que as valorizações constantes do mercado deveriam ser motivo de preocupação.

“Bem, não quero dizer que sejam excessivamente altas. Mas quero dizer que são altas”, afirmou ela. “A relação preço/lucro das empresas está perto do limite máximo dos intervalos históricos”, acrescentou ela.

Além dos preços elevados das ações, para Yellen, os da propriedade comercial também são “bastante altas” em comparação com o valor das rendas.

“Temos uma bolha? É difícil dizer. Mas é um motivo de preocupação as valorizações dos ativos serem tão elevadas”, acrescentou a economista.

Alan Greenspan também lançou uma dura advertência sobre os mercados financeiros.

“Creio que há duas bolhas. Temos uma bolha bolsista e temos outra no mercado de títulos de dívida”, disse Greenspan em uma entrevista à Bloomberg. “Creio que a bolha do mercado de títulos será o tema crítico”, disse ele.

O colapso nas bolsas de valores dos EUA não é difícil de prever, tendo em consideração que o rendimento da dívida dos EUA a longo prazo superou os 2,8%, um nível crítico para os EUA, disse à Sputnik o economista Sergei Khestanov.

Ele sublinhou que até o fim da semana ficará claro se os índices de bolsa dos EUA caem a curto prazo ou se é o início de uma nova crise mundial.

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Estrategista: ‘Missão de paz de soldados brasileiros vai enfrentar combate real na África’

O número crescente de baixas entre os soldados dos contingentes de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), os capacetes azuis, nos últimos anos, vai representar uma séria ameaça ao contingente brasileiro de 750 homens que será enviado à República Centro-Africana até maio.

A opinião é de Ricardo Gennari, especialista em Inteligência Estratégica e diretor da Tróia Intelligence. Em entrevista à Sputnik Brasil, Gennari analisou o relatório coordenado pelo general Carlos Alberto dos Santos Cruz, feito a pedido da ONU, para recomendar ações que diminuam essa mortalidade. O general, que hoje responde pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, chefiou duas missões de paz de tropas brasileiras, a Minustah, no Haiti, e a Monusco, no Congo, comandando a brigada da ONU que venceu os rebeldes do M23. Desde 2011, foram registradas 195 mortes entre os capacetes azuis, ou 20% do total de baixas registradas pelo contingente desde o início das operações em 1948.

O relatório observa que, nos últimos anos, as ações dos capacetes azuis acontecem em países onde guerras civis ou insurgência entre grupos rebeldes substituíram os conflitos entre governos, tornando a atuação dos contingentes mais difícil e arriscada. Entre as sugestões apresentadas à ONU, o estudo recomenda a compra de equipamentos como blindados mais resistentes, rifles de precisão, mudança nas cadeias de comando e, sobretudo, que as tropas adotem uma postura mais pró-ativa, abandonando as atuais ações meramente passivas.

O estudo observa que mais de 90% da capacidade militar dos capacetes azuis acontecem hoje em missões voltadas para a autoproteção e para a escolta de comboios. As sugestões incluem ainda maior uso de inteligência tática, com a criação de redes de informantes e monitoramento de operações com drones e câmeras de vigilância. Por fim, sugere que as tropas respondam às agressões, identificando os responsáveis e os levando à Justiça local.

Para Ricardo Gennari, neste novo cenário, as tropas brasileiras que vão compor a força de paz da ONU na República Centro-Africana correm sérios riscos. Segundo ele, a missão será completamente diferente da que os brasileiros realizaram no Haiti, com distribuição de alimentos e remédios e força meramente de apoio à polícia no tocante à segurança.

“Na República Centro-Africana não vejo como uma missão de paz. O Brasil também pode ser deslocado para oito ou nove países naquela região. De 1947 até agora, o Brasil já foi convocado pela ONU 50 vezes (nessas missões). No entorno da Centro-Africana, temos Sudão, Mali, Nigéria, temos o Boko Haram, vários grupos terroristas e guerrilhas que trabalham em função de minérios. Existe uma matança muito grande naquela região”, explica o especialista.

Para dimensionar o poder de destruição desses grupos, Gennari diz que alguns estão detonando bombas de até 500 quilos. O problema, segundo ele, é que os brasileiros não estão acostumados a essas situações. Ele também questiona o porquê do Brasil estar substituindo contingentes da Suécia e da Austrália.

“Para os Estados Unidos não é importante mais estar guerreando na África, não é mais o foco estratégico americano. O Brasil está cada dia mais comprando essas missões e não sei se estão fazendo os estudos adequados, mas não será como no Haiti. Nossas forças lá vão ter que reagir. Será que estamos prontos? Outro problema é que a ONU tem um orçamento até um certo limite. Depois desse limite, será que o Brasil vai colocar dinheiro nesses equipamentos? Será que estamos preparados para receber soldados mortos em sacos pretos? Será que o soldado brasileiro está preparado para ficar um ano numa zona de combate?”, questiona o diretor da Tróia Intelligence, lembrando que a última participação bélica do Brasil aconteceu na Campanha da Itália, durante a Segunda Guerra Mundial, em 1945.

Ainda com relação ao custeio dessas operações, Gennari cita que só o orçamento da Seal, as tropas especiais da Marinha dos EUA, é de US$ 1 bilhão por ano para manter a brigada de dois mil e poucos homens.

A Sputnik Brasil solicitou entrevista com o general Santos Cruz, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

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Escavações em Israel provocam discussões bíblicas sobre ‘governador’ de Jerusalém

Um selo com marca extremamente rara, descoberto em Jerusalém, dá forças à teoria bíblica de que 2.700 anos atrás a cidade tinha um governador, comunica a mídia israelense.

 Encontrado durante escavações perto da Praça do Muro das Lamentações na Cidade Velha de Jerusalém, o pequeno artefato de argila foi descrito no manuscrito judeu antigo como “pertencente ao governador da cidade”, escreve o portal The Times of Israel.

“Trata-se da primeira vez que este selo é encontrado em escavações autorizadas. Ele dá força à explicação bíblica sobre existência de um governador de Jerusalém 2.700 anos atrás”, disse o escavador Dr. Shlomit Weksler-Bdolah.

“A Bíblia menciona dois governadores de Jerusalém, e esta descoberta revela que tal posição foi de fato ocupada por alguém na cidade 2.700 anos atrás”, continuou.

De acordo com a Bíblia judaica, Josué foi governador da cidade durante o governo do Rei de Judá, Ezequias, e Maaseiah ocupou o cargo nos tempos do Rei Josias.

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Aviação da coalizão árabe efetua ataque contra mercado no Iêmen, matando 20

Os aviões da coalizão árabe, encabeçada pela Arábia Saudita, efetuaram ataque aéreo contra uma estação de combustível no mercado da cidade de Hodeida, no Iêmen, matando 20 civis e ferindo 8, disse à Sputnik uma fonte.

“Aviões da coalizão efetuaram ataques aéreos nesta segunda-feira, contra uma estação de combustível no mercado central da prefeitura […], o que levou à morte de 20 pessoas e deixou 8 feridas”, comunicou a fonte.De acordo com ela, informações sobre vítimas são prévias e obviamente vão crescer, visto que ainda haja cidadãos desaparecidos e a operação de busca e resgate ainda esteja em curso.

Mais de 150 civis perderam a vida e cerca de 120 ficaram feridos em um ataque aéreo da coalizão no Iêmen na última semana de 2017, de acordo com o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (EACDH).

O conflito violento, vivido pelo Iêmen desde 2014, foi intensificado no início de dezembro, quando rebeldes houthis acusaram seus aliados de traição.

Na luta contra o governo, contra qual combate a coalizão liderada pela Arábia Saudita a pedido do próprio presidente iemenita, foi inclusive morto o ex-presidente Ali Abdullah Saleh, que tinha apelado para lutar contra os insurgentes.

O presidente do Iêmen, Abd Rabbuh Mansur Hadi, forçado a refugiar-se em Riad pela insurgência, chamou seus compatriotas para resistir aos houthis e ordenou mobilização de tropas em Sanaa, mergulhada em combates entre ex-aliados.

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Irã vota a favor de declarar Jerusalém como ‘capital eterna da Palestina’

Em uma rejeição simbólica da declaração do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre Jerusalém, os legisladores iranianos votaram nesta quarta-feira (27) para reconhecer a cidade disputada como a capital palestina.

Com 207 de 290 votos a favor, o projeto de lei aprovado reconhece Jerusalém como “a eterna capital da Palestina”, informa a Newsweek.Ali Larijani, presidente do parlamento do Irã, qualificou a votação como “importante” tendo em conta a decisão de Trump, anunciada em 6 de dezembro, de transferir a embaixada dos EUA para Jerusalém e reconhecê-la como a capital de Israel.

“Trata-se da resposta à recente decisão dos EUA de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel que insultou todos os muçulmanos”, declarou Larijani, citado pela agência de notícias estatal turca Anadolu.

Os palestinos insistem que Jerusalém Oriental seja a capital do seu futuro estado, onde se situa Haram esh-Sharif (Santuário Nobre, para os muçulmanos), o terceiro lugar mais sagrado no Islã. Trata-se de um lugar disputado por muçulmanos e judeus, que se referem a ele como o Monte do Templo, um dos locais mais sagrados do judaísmo.

A decisão de Trump desencadeou uma onda de protestos em todo o mundo muçulmano, alterando a tendência enraizada da política externa dos EUA em relação ao conflito israelo-palestino, e ignorando as múltiplas advertências sobre as consequências de sua decisão. O anúncio fez com que o grupo palestino Hamas, apoiado pelo Irã, reagisse ao declarar o início da terceira intifada palestina.

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Foi revelada a verdade por trás de Oumuamua, o asteroide considerado uma nave alienígena

Um ambicioso projeto científico, do qual participa Stephen Hawking, buscou sinais eletromagnéticos dentro do corpo celeste que não poderiam ser produzidos pela natureza.

Um novo estudo da Universidade da Rainha de Belfast (Irlanda do Norte, Reino Unido), que lidera a pesquisa internacional sobre Oumuamua, o primeiro asteroide interestelar que entrou no nosso Sistema Solar, trouxe novas consequências. Os seus resultados mostram que pode tratar-se na realidade de uma nave extraterrestre.

O estudo, publicado na segunda-feira (18) na revista Nature Astronomy, sugere que Oumuamua (“primeiro mensageiro” em havaiano) está coberto com uma crosta especial que lhe permite suportar temperaturas acima de 300°C. Assim, sua “capa isolante”, rica em matéria orgânica após milhões de anos de exposição a “raios cósmicos”, lhe permite refletir a luz do Sol.O professor Alan Fitzsimmons, que comanda a pesquisa, destacou que esta camada teria protegido sua parte interior gelada de ser vaporizado pelos raios solares, similar a de um cometa, ou seja, rico em gelo e água. Além disso, ele sublinhou que a superfície deste corpo celeste —rochoso e de tom avermelhado, que tem forma de agulha ou cigarro- é muito parecido com as dos pequenos corpos celestes que “habitam” nas regiões exteriores do nosso Sistema Solar, “coberto de gelo rico em carbono, cuja estrutura se modifica pela exposição aos raios cósmicos “.

Ao mesmo tempo, Michele Bannister, coautora da pesquisa, qualifica como “fascinante” o fato de que Oumuamua é muito parecido com os “mundos menores” do nosso próprio Sistema Solar. “Isso sugere que a forma como os nossos planetas e asteroides foram formados tem uma grande afinidade com os sistemas localizados ao redor de outras estrelas”, opina.

Esta rocha vermelha escura foi capturada pela primeira vez em 19 de outubro pelo telescópio Pan-STARRS 1, localizado no Havaí. O aparelho detectou uma luz fraca, que inicialmente parecia ser um cometa pequeno. No entanto, as seguintes observações confirmaram que se trata de um asteroide oval.

De acordo com as observações, o asteroide incomum alcançou a velocidade máxima de 315 mil km/h e atualmente se encontra a 295 milhões de km do Sol, entre as órbitas de Marte e Júpiter. Astrônomos acreditam que ele seja da constelação de Lyra e que abandonará nosso Sistema Solar em 2022.

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Fórum Mundial buscará alternativas para garantir água a futuras gerações

Dentro de 100 dias, cerca de 30 mil pessoas deverão participar do 8º Fórum Mundial da Água, em Brasília, que tem como lema principal compartilhar água. Entre os dias 18 e 23 de março de 2018, o maior evento mundial dedicado ao uso da água vai buscar respostas e soluções para os principais problemas sobre recursos hídricos.

Realizado pela primeira vez em 1997, pelo então recém-criado Conselho Mundial da Água (com sede permanente na cidade de Marselha, na França), o fórum, que ocorre a cada três anos, nunca foi sediado em um país do Hemisfério Sul. Ao todo, já ocorreram sete edições do evento na África, América, Ásia e Europa.

Em entrevista à Agência Brasil, o coordenador de uma das comissões do fórum, Glauco Kimura, explica que o encontro buscará alternativas para que as futuras gerações possam ter água disponível.

“Nós trabalhamos com três propósitos: mobilizar a sociedade para o tema da água; promover a troca de experiências, que é fantástica, e criar o ambiente político favorável”, diz.

Para Kimura, o fórum não tem caráter de engajamento político, a exemplo das conferências internacionais – como as convenções do Clima, da Biodiversidade, de Quioto, entre outras – nas quais os países se comprometem com objetivos e metas a serem alcançados. A ideia é que os debates levem a um comprometimento não só de governos, mas da sociedade.

Propostas para discussão

O tema água foi dividido em cinco eixos: Processo Temático, Processo Regional, Processo Político, Grupo Focal de Sustentabilidade e Fórum Cidadão.

Glauco Kimura coordena a comissão do Fórum Temático, responsável pela programação do fórum, definida por representantes de diferentes grupos ligados à questão da água. Ele conta que a comissão foi constituída seguindo o padrão já estabelecido desde o primeiro fórum, realizado no Marrocos.

“Fizemos chamadas públicas para que as organizações envolvidas na questão da água apresentassem suas propostas e indicassem seus painelistas. E esse modelo foi adotado pelas outras comissões. Com isso, estamos montando a grade programática que será composta por sessões de cada processo [eixo] que vão dar o conteúdo do fórum”.

No eixo Processo Regional, a questão da água será tratada do ponto de vista de cada região do mundo. “Cada região tem com a água problemas específicos e soluções diferentes entre si. E essa diversidade vai enriquecer seguramente as sessões de debates”.

No Fórum Político, o objetivo é “incentivar o engajamento das autoridades políticas locais e regionais, como parlamentares, prefeitos e governadores, na participação de atividades e encontros direcionados ao tema água, porque soluções na gestão da água não podem ser implementadas senão por decisões políticas, de lideranças fortes”.

O eixo Sustentabilidade é novo na agenda e vai abrir o leque para a discussão da água quanto sua importância social, econômica e ambiental, e para o desenvolvimento de modelos de gestão mais sustentáveis.

Outra novidade é o Fórum Cidadão, que vai permitir a expansão do debate para o público presente ao evento.

“O que se quer é despertar a consciência e chamar a atenção do cidadão comum para assuntos relacionados à água como algo do seu interesse. E ao mesmo tempo, detectar soluções inovadoras para tendo presente o tema ‘Compartilhando Água”, destaca Kimura.

Ele lembra que haverá ainda o painel de alto nível no qual estarão presentes chefes de Estados, ministros e CEOs de grandes corporações, e quando sairá um posicionamento político.

“Essa declaração não terá um caráter vinculante como os documentos produzidos nas conferências internacionais, mas será sempre uma declaração de compromisso com a questão da água. Porque o fórum tem um caráter de engajamento político que deve influenciar mais adiante decisões políticas sobre o uso e o compartilhamento da água do planeta”, avalia o coordenador.

Entre as presenças confirmadas está o rei Guilherme Alexandre, da Holanda, conhecido pelo seu engajamento com a questão da água, tendo presidido até 2013 o Conselho Consultivo sobre Água e Saneamento da Secretaria-Geral das Nações Unidas.

Outras vozes

Também pela primeira vez, o Fórum Mundial da Água se propôs a ouvir as pessoas que estejam interessadas em colaborar e influenciar as discussões. Foi criado o canal Sua Voz (Your Voice) no site do fórum como uma plataforma para todos que queiram participar com ideias, sugestões e propostas.

Já na primeira rodada, entre 13 de fevereiro e 23 de abril, mais de 20 mil visitantes passaram pelas salas de discussão, deixando mais de 500 sugestões.

A plataforma ficará aberta até janeiro próximo para uma próxima rodada de discussões e, segundo Kimura, a inovação deste fórum vai focalizar especificamente os Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS), definidos pela ONU na Agenda 2030. Desse modo, os debates dentro das seis salas do canal deverão abordar o desenvolvimento sustentável sob diversos pontos de vista.

“Qualquer cidadão vai poder se inscrever e apresentar sua ideia, sugestão ou proposta numa das salas que foram divididas por tema. Você tem a sala do Clima onde a discussão vai girar em torno da segurança hídrica e das mudanças climáticas. Em outra sala, que tem as pessoas como tema, o debate será basicamente sobre saneamento e saúde”.

Os outros quatro temas são: Desenvolvimento, Ambientes Urbanos, Ecossistemas e Finanças.

Kimura destaca ainda o Business Day (Dia de Negócios) como exemplo da participação diversificada no fórum.

“É um evento para troca de experiências de inovação entre empresas – desde as grandes corporações até empresas de pequeno e médio portes que mostrarão seus projetos para o melhor uso e preservação da água. Há espaço para aqueles projetos de tecnologia de baixo custo e de alcance social”.

Legado

Todo esse esforço para juntar ideias, propostas e sugestões vindas de fontes tão diversas vai resultar em relatório final, a ser publicado em agosto de 2018.

“O documento deverá conter o que nós chamamos de Implementation Road Map, que vai reunir as recomendações sobre tudo aquilo que deveria ser feito para a preservação e o bom uso da água, por quais organizações poderia ser feito e em que setores da sociedade”, diz o coordenador.

Essas recomendações surgirão do debate e da análise das centenas de propostas que serão recolhidas nas diversas instâncias do fórum. Para conseguir que todas essas informações sejam consideradas e nenhuma delas se perca, a Universidade de Brasília (UnB) vai atuar com 100 bolsistas na coleta desses dados que irão depois para a NC/Dream Factory, a empresa oficial do fórum.

“Quando você reúne ideias e soluções oriundas de países e regiões diferentes você vai acabar encontrando complementaridade entre elas e às vezes sobreposição. Por exemplo, suponhamos o caso de um rio poluído em uma região metropolitana da América do Sul que surge na discussão e encontra o caso de outro rio poluído numa região agrícola da Ásia. São dois casos que podem ter diferenças e ao mesmo tempo problemas semelhantes, mas que podem vir a ter soluções em comum”, avalia Kimura.

Para ele, com a presença de representantes de diversas partes do planeta, o 8º Fórum Mundial da Água poderá, de algum modo, amplificar o alerta que vem sendo feito desde a criação do Conselho Mundial da Água, em 1996: “As pessoas precisam ser lembradas de que ninguém sobrevive sem água”.

Edição: Carolina Pimentel
Olga Bardawil – Repórter da Agência Brasil

Calote da Venezuela no Brasil pode dar espaço para conflito com potências, diz economista

Uma dívida de US$ 262,5 milhões que a Venezuela deixou de honrar com o Brasil pode ser o mais novo componente da troca de farpas entre os dois países, com o potencial de abrir espaço para uma disputa geopolítica ainda maior e com a participação de potências mundiais.

Esta é a opinião do doutor em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Eduardo Crespo. Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, o especialista afirmou que o montante do calote venezuelano é pequeno, mas tem o potencial de acirrar os ânimos dentro e fora da América do Sul.

“Em termos econômicos, olhando os números e o fato do Brasil ter sido um país que até pouco tempo era um parceiro nessa integração regional, o valor da dívida é uma brincadeira, é pouca coisa e se trata de uma compensação comercial. Não é nada. O que preocupa é que exista uma disputa maior que envolva a Venezuela”, comentou.

Atualmente, os dois maiores parceiros do presidente venezuelano Nicolás Maduro são a Rússia e a China. Os dois países vêm dando suporte financeiro ao governo de Caracas, que por sua vez tenta renegociar pagamentos bilionários, tanto a Moscou quanto a Pequim.

Além disso, as duas nações vetaram uma iniciativa dos EUA em pautar a Venezuela como ameaça em uma reunião do Conselho de Segurança da ONU nesta semana.

Para Crespo, os interesses desses três países – EUA, Rússia e China – na Venezuela pode fazer da demanda brasileira uma “faísca” em um ambiente de alta volatilidade que se formou sobre o governo Maduro.

“Não vejo como US$ 260 milhões possam abrir um conflito diplomático entre dois países latino-americanos. Falamos aqui de meras compensações comerciais. O que me preocupa é que essa disputa abra espaço para um conflito maior, com outros atores maiores […]. No longo prazo, pode representar uma mudança na integração regional sob outros eixos”, explicou.

Agravamento possível

Segundo informações da Agência Reuters, o calote de mais de dois meses de US$ 262,5 milhões da Venezuela – dentro do chamado Convênio de Créditos Recíprocos (CCR) – fez o governo brasileiro ir ao Clube de Paris contra o país vizinho. A entidade existe justamente para tratar da dívida envolvendo os países-membros.

A dívida da Venezuela seria ainda maior se não houvesse a compensação multilateral – uma característica do CCR. O valor original era de US$ 334,50 milhões, mas US$ 72 milhões foram repassados pelos demais países que integram o clube. Ainda segundo a agência, a dívida de Caracas com empresas brasileiras já atinge a casa dos US$ 5 bilhões.

Se o aspecto econômico não seria um elemento para o agravamento das relações bilaterais entre Brasil e Venezuela, os interesses externos podem mudar tal quadro, segundo avaliou o economista da UFRJ. Para ele, Brasília e Buenos Aires parecem fazer o jogo dos EUA ao pedirem bloqueios comerciais, enquanto Rússia e China podem ter outros planos para Caracas.

“É um risco uma situação em que, por exemplo, Rússia ou China coloquem uma base militar na Venezuela. Seria uma alternativa difícil, tornando a Venezuela como um dos tabuleiros de conflitos como os que vemos na África, no Oriente Médio, na Ásia Central, no Mar da China. Em vários desses conflitos fica clara a gravidade que podem vir a ter”, destacou.

Crespo indicou que uma “integração regional pacífica” na América do Sul passa por uma recomposição das relações entre os países da região, abaladas com as ascensões dos governos de Mauricio Macri (Argentina) e Michel Temer (Brasil), e com as medidas políticas tomadas por Maduro neste ano, com a Assembleia Nacional Constituinte e a antecipação das eleições regionais – medidas que fortaleceram o poder presidencial.

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Abe e Xi falam de ‘novo começo’ nas relações entre China e Japão

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, e o presidente chinês, Xi Jinping, saudaram um “novo começo” para a relação entre os países após uma reunião durante a cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC).

Disputas territoriais têm abalado os laços entre China e Japão — a segunda e a terceira maior economia do mundo, respectivamente.

“No final da reunião, o presidente Xi disse que esta é uma reunião que marca um novo começo de relações entre Japão e China. Eu completamente sinto o mesmo”, disse Abe.

O premiê japonês também afirmou ter discutido uma possível visita à China e a vinda de Xi ao Japão.

A Coreia do Norte e seu programa balístico e nuclear também foi um ponto de discussão entre os líderes. Abe e Xi expressaram a intenção de fazer uma reunião trilateral com a presença da Coreia do Sul o mais cedo possível.

“Com a situação da Coreia do Norte em uma fase importante, o papel que a China deve desempenhar é muito grande”, disse Abe.

Em entrevista à agência de notícias Xinhua, o presidente chinês disse que relações estáveis são do interesse dos dois países. China e Japão “devem tomar medidas construtivas para gerenciar e controlar apropriadamente as disputas que existem entre os dois países”, acrescentou Xi.

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Arábia Saudita: lançamento de míssil contra Riad é uma agressão militar por parte do Irã

Riad considera o recente lançamento de um míssil a partir do Iêmen contra a capital saudita Riad como ato de agressão por parte do Irã e, no futuro, tal pode ser encarado como ato de guerra.

“O comando da coalizão [saudita] considera que isto [o lançamento do míssil] é um ato vergonhoso de agressão militar por parte de Irã e pode ser considerado no futuro como um ato de guerra contra a Arábia Saudita”, afirma um comunicado divulgado pela agência de notícias SPA.

Destaca-se que a Arábia Saudita tem o direito legítimo de defender seu território e seu povo de acordo com o artigo 51 da Carta da ONU [direito de autodefesa]. A resposta pode ser efetuado na hora e modo adequados.

Em 4 de novembro, a Arábia Saudita interceptou um míssil balístico a nordeste de Riad. Segundo informações preliminares, o míssil foi lançado por rebeldes iemenitas. O ataque não resultou em danos materiais e não provocou vítimas; o míssil também não provocou interferências no funcionamento do Aeroporto Internacional Rei Khalid que, supostamente, era o alvo do ataque.

A Arábia Saudita está envolvida em um conflito violento com os rebeldes iemenitas houthis por mais de dois anos. Desde 2014, o Iêmen tem vivido um conflito armado entre os rebeldes do movimento xiita Ansar Allah, que contam com o suporte de militares partidários do ex-presidente Ali Abdullah Saleh, e as tropas do atual presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi.

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