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PGJ recebe presidente da Assembleia Legislativa, Deputado Osires Damaso

6d37924a86404cdd0963fa8a33c871f4-width-600O Procurador-Geral de Justiça, Clenan Renaut de Melo Pereira, recebeu na tarde desta sexta-feira, 12, o deputado Osires Damaso, presidente da Assembleia Legislativa do Tocantins.

Na oportunidade, foram discutidos diversos assuntos de interesse do Estado, entre eles o bom relacionamento entre os Poderes. “O Ministério Público do Tocantins é uma instituição que está a serviço do povo deste Estado”, ressaltou o PGJ durante o encontro.

Em discurso, governador Marcelo Miranda fala de esforço e austeridade para reverter quadro econômico

(Foto: Divulgação/TRE-TO)

 

 (Foto: Divulgação/TRE-TO)
(Foto: Divulgação/TRE-TO)

Durante solenidade em que foram apresentadas as medidas administrativas adotadas para reorganizar a máquina pública, o governador Marcelo Miranda fez discurso duro, onde destacou que o momento é de construir soluções duradouras e sustentáveis. O governador também falou da importância das instituições públicas trabalharem juntas.

No primeiro momento do discurso, o governador apresentou a situação econômica em que o Tocantins se encontra, destacando a necessidade de executar um trabalho rígido para normalização dos cofres do Estado. “No governo federal e na maioria dos estados brasileiros o momento é de forte austeridade para o reequilíbrio das contas públicas e do cumprimento de metas fiscais”, apontou.

Outro ponto de destaque, na fala do governador, foi o trabalho feito ao longo dos primeiros 40 dias quando foi traçado o perfil da situação de cada pasta. “Debruçamos quarenta dias em planilhas, gráficos, projeções e interpretações jurídicas sobre que medidas poderiam ser implantadas para reverter uma situação nova e difícil. As escolhas das medidas agora anunciadas são as necessárias para corrigir e provocar o menor impacto econômico e social para o Tocantins”, explicou.

Marcelo Miranda afirmou que os trabalhos irão continuar para garantir a responsabilização dos culpados pelo caos encontrado no governo em primeiro de janeiro. “As determinações para averiguar e punir àqueles que faltaram com a probidade administrativa e descumpriram os instrumentos legais também estão no pacote de medidas que anunciamos. Quem errou que pague pelos seus erros. Confiamos nos órgãos de controle, fiscalização e na justiça do nosso Estado e do nosso país”, afirmou.

Ainda em seu discurso, o governador pediu a todos os tocantinenses que o ajudem a trabalhar para encontrar soluções para os problemas que foram identificados. “Estamos convidando para juntos construir soluções duradouras e sustentáveis para que os benefícios legais possam ser honrados em perfeito equilíbrio com o comportamento das receitas tributárias do Estado. Temos que fazer uma aliança das instituições para que o Tocantins resgate sua credibilidade e volte a crescer com a velocidade e a força necessária para um salto na economia e na qualidade de vida da nossa gente”, ressaltou. 

Novas sanções contra Rússia entram em vigor 16 de fevereiro

A decisão sobre a introdução de novas sanções da União Europeia contra a Rússia desde a segunda-feira (16) continua em vigor, declarou na sexta-feira (13) a chanceler alemã, Angela Merkel.

 153713Nove pessoas jurídicas e 19 indivíduos são da cidadania russa e ucraniana e são incluídas nas listas das sanções contra a Rússia, que prevê o congelamento de bens e proibição de vistos à União Europeia. Entre as pessoas na lista estão dois deputados da Duma de Estado russa, dois altos funcionários de defesa e vice-ministro da Defesa russo Anatoly Antonov.

O Conselho de Ministros das Relações Exteriores da União Europeia (UE) decidiu impor as sanções em conexão com os eventos no final de janeiro, em Mariupol.

É planejado que eles vão entrar em vigor em 16 de fevereiro, caso os líderes da UE não mudar a sua decisão com base nas conversações Minsk sobre a situação na Ucrânia.

Ao mesmo tempo, de acordo com a Reuters, na recente cimeira da UE em Bruxelas (em 12 de fevereiro), a questão de introdução de sanções adicionais contra a Rússia não foi levantada.

Nove pessoas jurídicas e 19 indivíduos são da cidadania russa e ucraniana e são incluídas nas listas das sanções contra a Rússia, que prevê o congelamento de bens e proibição de vistos à União Europeia. Entre as pessoas na lista estão dois deputados da Duma de Estado russa, dois altos funcionários de defesa e vice-ministro da Defesa russo Anatoly Antonov.

O Conselho de Ministros das Relações Exteriores da União Europeia (UE) decidiu impor as sanções em conexão com os eventos no final de janeiro, em Mariupol.

É planejado que eles vão entrar em vigor em 16 de fevereiro, caso os líderes da UE não mudar a sua decisão com base nas conversações Minsk sobre a situação na Ucrânia.

Ao mesmo tempo, de acordo com a Reuters, na recente cimeira da UE em Bruxelas (em 12 de fevereiro), a questão de introdução de sanções adicionais contra a Rússia não foi levantada.

br.sputniknew

Ex-diretor da Petrobras depõe hoje à Justiça Federal em Curitiba

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto CostaGeraldo Magela/Agência Senado
O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa Geraldo Magela/Agência Senado

A Justiça Federal em Curitiba ouve hoje (13) o depoimento do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Ele vai ser ouvido na ação penal em que o ex-diretor da Área Internacional da estatal Nestor Cerveró e o empresário Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, são réus. 

Por ter firmado acordo de delação premiada com a força-tarefa responsável pela investigações da Operação Lava Jato, Costa é obrigado a responder a todas as perguntas. A audiência será conduzida pelo juiz Sérgio Moro, às 11h. Carlos Alberto Pereira, acusado de ser “laranja” (operador) do doleiro Alberto Youssef em empresas de fachada, também prestará depoimento.  

No processo, Cerveró, Fernando Baiano e o ex-consultor da Toyo Setal Júlio Almeida Camargo são acusados de fazer parte do esquema de superfaturamento de contratos da Petrobras e pagamento de propina a partidos e agentes políticos.

Camargo fez acordo de delação premiada no qual delatou os pagamentos. As defesas de Cerveró e Baiano negam que os investigados tenham recebido ou intermediado pagamento de propina.

André Richter – Enviado Especial da Agência Brasil/EBC Edição: Graça Adjuto
 

Dólar tem a maior queda desde novembro e recua para R$ 2,82

31032011mca_8055Um dia depois de fechar no maior valor em mais de dez anos, o dólar comercial teve a maior queda diária em três meses. A moeda fechou esta quinta-feira (12) vendida a R$ 2,821, com baixa de 1,85% (R$ 0,053). O recuo percentual é o maior registrado para um dia desde 21 de novembro do ano passado, quando a cotação apresentou queda de 2%.

A moeda norte-americana acumula alta de 4,88% em fevereiro e de 6,1% em 2015. Durante a manhã, a cotação chegou a operar em alta por alguns momentos, mas a tendência de queda consolidou-se por volta do meio-dia. O alívio no câmbio veio após a divulgação de dados internacionais.

O acordo de cessar-fogo na Ucrânia trouxe otimismo ao mercado. Também contribuíram para a queda do dólar dados que mostraram o enfraquecimento do consumo e aumento no pedido de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, que indicam que a recuperação econômica norte-americana pode não estar ocorrendo tão rápido como o esperado.

Atrasos na retomada do crescimento norte-americano podem fazer o Federal Reserve – Banco Central norte-americano – adiar o aumento dos juros da maior economia do planeta. Juros menos altos nos países desenvolvidos atraem capital para países emergentes como o Brasil.

*Com informações da Agência Lusa

 

Marcus Marcelo faz indicações ao Governo sobre o transporte publico escolar de Araguaína

IMG_2770O Presidente da Câmara Municipal, Vereador Marcus Marcelo apresentou na sessão ordinária desta quarta-feira, dia 11 de fevereiro, duas indicações ao Governador do Estado, em que solicita ao executivo estadual que seja enviado o repasse da verba destinado ao transporte público escolar de Araguaina e que seja realizado uma pactuação justa para o ano 2015.

O Vereador requer do Governador Marcelo Miranda uma atenção e sensibilidade para que sejam atendidas as necessidades do transporte público escolar Araguainense, uma vez que o referido transporte é de suma importância para atender diversos alunos da rede pública Estadual.

 

Suspensão de benefícios a servidores é tema de polêmica

25969A situação fiscal do Estado e suas repercussões sobre benefícios concedidos a servidores em 2014 voltaram ao centro do debate na sessão vespertina desta quarta-feira, dia 11. Primeira a abordar o assunto, a deputada Luana Ribeiro (PR) criticou a decisão do governador Marcelo Miranda (PMDB) de suspender atos do governo Sandoval Cardoso (SD) e exibiu um vídeo em que o então candidato Marcelo declarava respeitar direitos dos funcionários públicos.

Os atos em questão dizem respeito a benefícios em diversas formas legais, de reajustes salariais a promoções na carreira, concedidos no ano passado. São medidas que beneficiam servidores da Educação, Saúde, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Defensoria Pública e Quadro Geral.

Em entrevista coletiva concedida nesta manhã, o governador voltou a alegar que o Estado não tem dinheiro para arcar com tais compromissos e anunciou 15 medidas de contenção de gastos públicos. Entre elas, a suspensão dos atos que teriam sido concedidos em período vedado pela legislação eleitoral.

“Por que só agora os atos são considerados ilegais?”, questionou a deputada que também exibiu, durante seu discurso, dois pareceres da Procuradoria-Geral do Estado que, em dezembro de 2014 e em fevereiro de 2015, apresentaram conclusões distintas a respeito da legalidade de aumentos de salários. 

Em resposta, o líder do governo, deputado Paulo Mourão (PT), declarou que “o Estado gasta mais do que arrecada e descumpre a Lei de Responsabilidade Fiscal há dois anos e meio. Ao mesmo tempo, o governo anterior doou, criou, premiou, promoveu e concedeu todo tipo de benefício. É justo e legal, em período eleitoral, promover benefício a servidor público?”.

Já o parlamentar Zé Roberto (PT) responsabilizou o ex-governador Sandoval Cardoso pela atual situação do Tocantins e classificou o vídeo exibido por Luana de “fora do contexto”. Ele conclamou ainda os servidores a compreenderem “à luz da realidade” que o desejo de melhorias terá de ser adequado à situação fiscal.

Luana reafirmou que Marcelo Miranda tem a obrigação moral de cumprir seus compromissos de campanha. “Governar é assumir responsabilidades”, disse a deputada que também ressaltou que o então candidato Marcelo tinha o dever de conhecer a situação das contas públicas.

Outros deputados demonstraram preocupação com a atual situação econômica do Estado e se pronunciaram pela conciliação. (Glauber Barros)

 

Confirmados 3 mortos e 6 desaparecidos em navio-plataforma da Petrobras

conteudo20451A Petrobras confirmou a morte de três trabalhadores na explosão do navio-plataforma Cidade de São Mateus, no litoral do Espírito Santo. Segundo a empresa, o acidente ocorreu às 12h50 e havia 74 pessoas embarcadas.

Dez pessoas feridas foram levadas para hospitais em Vitória. Seis trabalhadores estão desaparecidos. Trinta e três pessoas desembarcaram e 31 permanecem a bordo.

A companhia informou que a unidade é operada pela empresa BW Offshore, afretada pela Petrobras, e que opera desde junho de 2009 no pós-sal dos campos de Camarupim e Camarupim Norte.

Em nota, a petroleira disse que o fogo foi controlado rapidamente. As operações foram interrompidas. A plataforma produzia 2,25 milhões de metros cúbicos (m³) de gás por dia e 350m³ diários de óleo.

A Agência Nacional de Petróleo (ANP) informou, também por meio de nota, que a explosão ocorreu na casa de bombas, mas não houve derramamento de óleo. O fogo foi controlado e a plataforma está estabilizada. A agência formou duas equipes para investigar as causas do acidente. Uma seguiu para o navio-plataforma e outra para a sede da Petrobras.

A concessão de Camarupim é operada pela Petrobras e a de Camarupim Norte é uma parceria entre a Petrobras e a empresa Ouro Preto Energia. A operação da plataforma foi autorizada pela Marinha em 2015. A ANP atualizou a documentação marítima em setembro de 2014.

O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, despachava com a presidenta Dilma Rousseff quando foi informado do acidente. Ele lamentou a explosão e disse que o governo ainda espera um relatório detalhado do ocorrido. “Quero, em nome do governo, prestar minhas condolências aos familiares das vítimas e pedir a Deus que aqueles que foram feridos tenham restabelecimento”.

Segundo Braga, todas as providências estão sendo tomadas, tanto pela empresa locadora do equipamento quanto pela Petrobras, para socorrer as famílias.

Matéria ampliada às 19h48 do dia 11/02/2015
*Colaborou Sabrina Craide

Esquema de segurança do Carnaval de Araguaína contará com 100 homens e câmeras de 360º

20150211145120_credito_joselita_matos_ascom_61a_Vários profissionais da segurança e da saúde farão reforço em postos de plantão para garantir a tranquilidade de quem vai aproveitar o Carnabalada 2015, o carnaval multicultural de Araguaína (TO). Câmeras de segurança de 360º também serão instaladas no circuito.

Segundo a organização, o efetivo contará com 100 homens, entre eles, 40 seguranças contratados e 50 policiais civis, militares, agentes de transporte e trânsito, além de 10 brigadistas, destacados principalmente nos locais de maior concentração dos foliões. Nos portais de acesso ao circuito, todos os foliões serão revistados com o auxílio de detectores de metais.

“Dentro da avenida será proibida a entrada de materiais cortantes e garrafas de vidro”, alertou o secretário do Esporte, Cultura e Lazer, Wilamas Ferreira.

O circuito do Carnabalada 2015 será montado na Avenida Filadélfia, próximo à CONAB, onde a festa inicia no sábado, 14, e só termina na terça-feira, 17 de fevereiro. Além de artistas locais, os destaques são as bandas Devassa, Java, Zumbalada e Balagandaya, e como atração principal está o cantor de sertanejo universitário Thiago Brava Elétrico.

Estratégias

Dentro das estratégias da prefeitura nos quatro dias de Carnabalada, quando a cidade recebe um grande volume de turistas, a avenida contará com a instalação de câmeras de segurança. Os equipamentos contam com varredura de movimento automático e de alta resolução, capazes de fazer um giro de 360 graus e gravações que podem servir para investigações posteriores.

Para reforçar a vigilância no local, também foi feita a manutenção de luminárias de postes que ficam nas ruas do entorno do circuito.

Além disso, os participantes também contarão com ambulâncias do Corpo de Bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Dentro do circuito, equipes da Vigilância Epidemiológica Municipal realizarão durante as quatro noites, ações de educação, prevenção e distribuição de camisetas institucionais e preservativos, através do programa DST/AIDS.

Fiscalização e apoios

Durante o período carnavalesco, os fiscais da Vigilância Sanitária e do Departamento Municipal de Posturas vão orientar os comerciantes em relação à preparação dos alimentos e a localização das barracas.

Apoiam o Carnaval de Araguaína as Secretarias da Infraestrutura e Planejamento, Meio Ambiente, Ciências e Tecnologia, Agência Municipal de Transporte e Transito (AMTT) e Departamento Estadual de Trânsito (Detran-TO). Todo o lixo da festa será recolhido através da parceria com a Cooperativa de Catadores de Material Reciclável da cidade.

Dez anos após morte de Dorothy, assentados pedem mais presença do Poder Público

947136-dorothy stang_2266_1_1Tranquilidade e segurança foram palavras que os assentados no Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Esperança evitaram usar ao relembrar o que mudou no local dez anos depois do assassinato de Dorothy Stang, missionária da Congregação Notre Dame de Namur que lutou pela reforma agrária no sudoeste do Pará e foi assassinada no dia 12 de fevereiro de 2005.

O medo de perder a terra de onde hoje tiram seu sustento, o temor quanto a novas invasões de madeireiros e a ausência do Poder Público são alguns dos motivos citados pelos camponeses que vivem na região, próxima à cidade de Anapu.

Para as pessoas entrevistadas pela Agência Brasil, os avanços após a morte de irmã Dorothy são inegáveis e vão desde a ampliação do lote destinado ao PDS até a concessão de recursos para que os assentados possam construir casas de alvenaria e investir na produção. No entanto, os trabalhadores rurais reclamam que a situação, se não acompanhada de perto pelo Estado, tende a gerar novos focos de tensão.

Dorothy Stang foi assassinada com seis tiros enquanto caminhava pelas ruas do Lote 55 que, à época, ainda não estava incorporado ao PDS Esperança. A luta da missionária pelo acesso à terra aos pequenos agricultores contrariava os interesses de latifundiários que se sentiam proprietários da região. Os fazendeiros Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, e Regivaldo Pereira Galvão, conhecido como Taradão, foram condenados como mandantes do crime. 

A coordenadora nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), entidade que acompanha e contabiliza casos de violência decorrentes de conflitos no campo, Isolete Wichinieski, diz que os madeireiros continuam derrubando árvores na região – atividade proibida já que a prerrogativa do PDS é desmatar somente 20% do lote para o plantio de alguma cultura sustentável.
Ela confirma que, por conta do trabalho a que deram continuidade, as missionárias da congregação de Dorothy que ainda moram em Anapu, bem como o padre que conviveu com a missionária, foram ameaçados depois do assassinato.

Segundo Isolete, “sentenças de morte” diretas têm dado lugar a ameaças veladas. Ela lembra que Dorothy Stang estava na lista de ameaçados em 2004, mas que não concordou em receber proteção policial. “Mesmo com proteção policial, você não tem garantia de que a pessoa não venha a ser assassinada. O que resolveria mesmo o problema é dar fim ao conflito. Se as ameaças tivessem sido investigadas e as pessoas que estavam gerando ameaças fossem presas, aí você teria uma forma de fazer com que hoje a irmã Dorothy estivesse entre nós”, afirma.

A presidenta substituta do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Érika Borges, reconhece que ainda há focos de conflitos, mas acredita que esses problemas estão sendo combatidos com mais apoio do órgão que, na última década, ampliou o trabalho de assistência técnica e a infraestrutura dos assentamentos. “No último período a gente buscou dar fluidez na política pública e fazer o Estado estar mais presente. Então tem todo um processo dinâmico acontecendo na região, que a gente avalia como muito positivo.”

De acordo com o Incra, após a morte da missionária, não houve mais assassinatos ligados a conflitos fundiários na região próxima ao PDS Esperança. Ainda segundo o órgão, o número de ocupações indiscriminadas diminuiu, assim como a comercialização ilegal de terras.

Para as missionárias Kátia Webster e Jane Dwyer, irmãs de Notre Dame de Namur que conviveram com Dorothy Stang, a possibilidade de redução do número de funcionários que atuam no posto avançado do Incra em Anapu é um indício de que a tensão pode voltar a crescer. “[Os servidores] só vão acompanhar assistência técnica, isso não serve”, queixa-se Jane.

Os trabalhadores rurais também acreditam que a falta de presença do Estado pode trazer consequências.

“A gente está se sentindo ameaçado nessa situação. Com a ausência do Incra no município pode haver novas pressões dos madeireiros, dos fazendeiros que estão dentro da terra e tudo”, alerta Fábio Lourenço de Souza, presidente da Associação Agroecológica dos Trabalhadores Rurais da Comunidade Santo Antônio do PDS Esperança.

Dos cinco servidores que atuam no posto avançado do Incra em Anapu, instalado em decorrência do assassinato, pelo menos dois não vão retornar ao município este ano. O chefe da unidade avançada especial em Altamira, Danilo Farias, avalia que Anapu não tem atrativos que faça os servidores se instalarem definitivamente na cidade. “Conviver em Anapu para quem é de fora é um tanto difícil. O esvaziamento não é por parte do Incra, mas sim por conta da situação de ter que vir pessoas de fora para uma cidade que não tem estrutura nenhuma.”

Outra insegurança relatada pelos trabalhadores rurais assentados no PDS é a ausência dos títulos de Concessão de Direito Real de Uso (CDRU). O documento pode ser concedido individual ou coletivamente, já que na modalidade de PDS a posse da terra é da União e o assentado tem o direito de explorar o terreno.

Apesar de a área destinada ao projeto ter sido expandida formalmente – de 17 mil hectares em 2004 para 26 mil hectares em 2013 – , os trabalhadores ainda temem algum conflito por conta da indefinição.

“Hoje a gente ocupa aqui a parcela, mas não tem nenhum documento que nos vincule [à terra] legalmente. A gente não tem nenhum contrato, a gente não tem documento nenhum que respalde a gente de estar aqui”, disse Souza.

De acordo com o chefe da unidade do Incra em Anapu, para a emissão dos documentos é necessário regulamentar a Lei 13.001, criada em 2014, que trata créditos concedidos a assentados da reforma agrária. “A gente está aguardando sair um decreto por parte da Presidência da República [regulamentando a lei]. Daqui para o final desse ano, caso saia o decreto até o final desse primeiro trimestre, com certeza todo mundo vai ter [a CDRU]”, prometeu.

Para o desembargador Gercino José da Silva Filho, ouvidor agrário nacional, a demanda é legítima e está próxima de ser resolvida. “O presidente do Incra [Carlos Mário Guedes de Guedes] me disse, recentemente, que essa questão vai ser resolvida brevemente e vai ser definida a maneira de titulação dos assentados, resolvendo, assim, esse impasse e é um pleito que os trabalhadores realmente têm direito, têm fundamento.”

Na opinião de Nilmário Miranda, ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República à época do assassinato da missionária, o Estado, que costuma não chegar a regiões distantes como Anapu, está mais presente hoje. Essa presença, entretanto, pode ser um fator que gera conflito.

“Quando você acelera a reforma agrária, a violência aumenta”, garante Nilmário. “A longo prazo, é um fator de coesão social, de harmonia. Dá o direito a todos, do acesso à terra, todos os que queiram nela trabalhar, mas a curto prazo, as pessoas que adquirem a terra, muitas vezes de maneira ilegal, acham que têm direitos absolutos sobre ela [terra].”

Ele explica ainda que esse processo esbarra, muitas vezes, na interpretação da Justiça que desconsidera a função social da propriedade. “Mesmo sendo um princípio constitucional basilar, [alguns juízes] dão valor absoluto à propriedade. Então dão sempre razão ao que se diz proprietário. Isso é uma fonte de conflitos e de ausência de Justiça.”

Para o procurador do Ministério Público Federal no Pará, Felício Pontes, o Poder Público é pouco presente na Amazônia. Para ele, o Estado não tem aparato suficiente para cuidar da chegada de migrantes.
“O Pará é uma região de fronteira. É aqui que a estrada acaba. Pessoas chegam do Brasil inteiro. Os primeiros que se estabelecem vão entrar em confronto com fazendeiros, com madeireiros que normalmente são a elite nessa região. E quando o Poder Público chega, o conflito já se instalou e muitas vezes mortes já aconteceram.”

Paulo Victor Chagas – Enviado Especial da Agência Brasil Edição: Lílian Beraldo
 

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