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STF inclui citações a Dilma, Temer e Lula em inquérito da Lava Jato

O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu hoje (20) incluir no principal inquérito da Operação Lava Jato que tramita na Corte trechos da delação do senador Delcídio do Amaral (MS) em que a presidenta Dilma Rousseff, o vice-presidente, Michel Temer, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva são citados.  Na delação, também foi citado e incluído no inquérito Joel Rennó, ex-executivo da Petrobras do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Zavascki atendeu a um pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. A medida não significa que os citados passaram a ser investigados pelo Supremo.

Em março, Zavascki homologou o acordo de delação premiada do senador Delcídio do Amaral (MS) firmado com a Procuradoria-Geral da República (PGR) para colaborar com as investigações da operação. Na ocasião, o ministro retirou o sigilo do processo e divulgou a íntegra dos depoimentos de delação.

Governos Itamar e FHC

No acordo de delação premiada assinado com o Ministério Público Federal e homologado pelo Supremo, o senador Delcídio do Amaral (MS) revelou que o esquema de corrupção na Petrobras já ocorria antes da chegada do PT ao governo, nas gestões dos presidentes Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso.

Segundo Delcídio, na gestão do ex-presidente da estatal Joel Rennó, que comandou a Petrobras nos governos de  Itamar e Fernando Henrique, entre os anos de 1992 e 1999, ocorriam “casos de ilicitudes”, em alguns casos para “enriquecimento pessoal” como também para “financiamento de campanhas políticas”.

Temer

O senador disse em depoimento de delação premiada que o vice-presidente da República, Michel Temer, chancelou a indicação de dois ex-diretores da Petrobras que foram condenados na Operação Lava Jato. Segundo o senador, Temer era “padrinho” de João Augusto Henriques, ex-diretor da BR Distribuidora, subsidiária da estatal, e de Jorge Zelada, ex-diretor da Área Internacional da Petrobras.

De acordo com depoimento de Delcídio, tomado no dia 11 de fevereiro pela Procuradoria-Geral da República (PGR), Henriques foi o principal operador de “um dos maiores escândalos envolvendo a BR Distribuidora”, envolvendo uma suposta aquisição ilícita de etanol, entre 1997 e 2000, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Dilma

Na delação, Delcídio declarou que a presidenta Dilma tinha “pleno conhecimento” do processo de compra da Refinaria da Pasadena, nos Estados Unidos, que gerou prejuízos para a estatal. Segundo o senador, Dilma nomeou o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marcelo Navarro Ribeiro Dantas com interesse em barrar as investigações da Operação Lava Jato.

Lula

Em um dos depoimentos, Delcídio disse que o ex-presidente Lula tentou interferir para evitar que o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Ceveró assinasse acordo de delação premiada com a força-tarefa da Lava Jato. No dia 8 de abril, Lula prestou depoimento ao Ministério Público Federal (MPF) e negou as acusações.

Outro lado

No mês passado, após a divulgação dos depoimentos, Temer negou que teria feito a indicação pessoalmente e que conhecesse Henriques à época. Segundo ele, a apresentação do nome de Henriques foi feita pela bancada do PMDB de Minas Gerais na Câmara.

“O nome não foi aprovado. Posteriormente, indicaram o nome do senhor Jorge Zelada, que foi encaminhado pela mesma bancada e aprovado. Aliás, esse procedimento era rotineiro, já que muitas e muitas vezes vários nomes indicados pelas bancadas eram-me tão somente comunicados. Estes são os fatos”, disse Temer.

A presidenta Dilma declarou “jamais” ter falado com Delcídio sobre a Lava Jato e negou ter tentado negociar “de forma imoral” a nomeação dos ministros, com o objetivo de conseguir a libertação de investigados que na época estavam presos preventivamente.

Na ocasião, a presidenta também disse que os esclarecimentos sobre a compra da Refinaria de Pasadena pela Petrobras, em 2014, já foram devidamente prestados, embasados em documentação do Conselho de Administração da Petrobras, e que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, determinou o arquivamento da investigação.

A defesa de Joel Rennó não foi localizada.

Matéria atualizada às 21h51 para acréscimo de informações

Edição: Fábio Massalli
André Richter – Repórter da Agência Brasil

STF adia julgamento da validade da posse de Lula na Casa Civil

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu hoje (20) adiar o julgamento sobre a validade da nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ocupar o cargo de ministro-chefe da Casa Civil, suspensa no mês passado, por meio de uma liminar proferida pelo ministro Gilmar Mendes.

Há pouco, no início da sessão em que os recursos seriam julgados, os ministros decidiram adiar a análise para julgar em conjunto outras duas ações que chegaram à Corte, e que também questionam a decisão de Mendes. As novas ações são de relatoria de outro ministro, Teori Zavascki, que pediu mais tempo para analisá-las.

O Supremo julgaria nesta tarde recursos protocolados pela defesa do ex-presidente e a Advocacia-Geral da União (AGU) contra a decisão do ministro Gilmar Mendes, que no dia 18 de março, atendeu a dois mandados de segurança protocolados pelo PSDB e pelo PPS  e suspendeu a nomeação de Lula, por entender que o ato administrativo da Dilma teve objetivo de objetivo de retirar a competência do juiz federal Sérgio Moro – responsável pelos processos da Operação Lava Jato – para julgá-lo e passar a tarefa ao Supremo, instância que julga ministros de Estado.

Edição: Maria Claudia
André Richter – Repórter da Agência Brasil

Internautas devem ficar atentos em relação a crimes virtuais

Em Araguaína, está em fase de implantação a Delegacia de Crimes Cibernéticos. Os mais comuns são estelionato, fraudes com cartão de crédito, desvio de dinheiro e, nas redes sociais, crimes contra a honra
O aumento do número de brasileiros com acesso à internet tem trazido uma preocupação com a segurança no ambiente virtual. Esse ambiente é um local propício não apenas para realizar negócios e fazer amizades, mas também para práticas de crimes, denominados de crimes cibernéticos.

De alguma forma, qualquer pessoa pode entrar nesse mundo virtual que disponibiliza vários tipos de conteúdos, além de sites de informação, como também de e-commerce (comércio virtual), serviços, lazer e redes sociais. Praticamente tudo está disponível para quem estiver interessado em qualquer tipo de assunto.

Acesso crescente
Na primeira quinzena de abril, o suplemento de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2014, em convênio com o Ministério das Comunicações, divulgou uma pesquisa sobre o acesso à Internet no Brasil.

De acordo com os dados publicados, 48% dos domicílios tinha acesso à internet em 2013 e este número subiu em 2014 para 54,9% deles, ou seja, 36,8 milhões das residências dos brasileiros possuem algum tipo de acesso a esta ferramenta mundial de comunicação tanto pelo microcomputador, como por telefone móvel (celular), televisão e outros meios.

Araguaína
Em Araguaína, está em fase de implantação a Delegacia de Crimes Cibernéticos, instalada no Complexo de Delegacias, na Avenida Filadélfia. No Tocantins, além de Araguaína, apenas Palmas que possui uma delegacia que investiga esses tipos de crimes e está vinculada a DEIC – Delegacia Especializada em Investigação Criminal.

Inicialmente, a delegada Verônica Carvalho foi designada para ser a titular. Como ainda está em estruturação, Verônica explicou que por enquanto as investigações relacionadas aos crimes são realizadas em conjunto com as outras delegacias.

Crimes cibernéticos
Para se entender quais os tipos de crimes cibernéticos é preciso esclarecer o que são e se estão especificados no Código Penal brasileiro. Os crimes cibernéticos, também chamados de cybercrimes, crimes virtuais ou crimes eletrônicos, dentre outras formas, são, via de regra, os fatos ocorridos em ambiente de Internet que são considerados pela legislação penal como crimes ou contravenções penais (fatos mais brandos).

Existem várias modalidades de crimes virtuais: crimes contra a honra (injúria, calúnia e difamação), furtos, extorsão, ameaças, violação de direitos autorais, pedofilia, estelionato, fraudes com cartão de crédito, desvio de dinheiro de contas bancárias. A lista de crimes cometidos por meio eletrônico é extensa.

A grande maioria dos crimes e contravenções, cometidos em ambiente de informática, devem ser investigados pela Polícia Civil. A Polícia Federal investiga os casos que envolvem a União.

Crimes contra a honra
Os tipos mais comuns de crimes cibernéticos são estelionato, fraudes com cartão de crédito e desvio de dinheiro de contas bancárias. Mas, nas redes sociais, há crimes mais disseminados e de menor potencial ofensivo, os denominados de crimes contra a honra.

São três hipóteses de crimes contra a honra, previstos no Código Penal (CP). O primeiro está especificado no artigo 138, a calúnia. Pratica esse crime quem atribui falsamente a alguém um crime. Ressalta-se que aquele que sabendo que o crime é falso e que também faz divulgação, o torna público, também está praticando o crime de calúnia.

Colocando no contexto virtual, o compartilhamento em redes sociais pode ser considerado uma forma de divulgação do ato, também se enquadra no crime de calúnia.

Outro crime contra a honra no ambiente virtual é o de difamação, especificado no artigo 139. Difamar é atribuir um fato ofensivo para a reputação de uma pessoa e levar a conhecimento de terceiros.

E por fim tem-se a injúria, especificada no artigo 140. Injuriar é ofender a dignidade ou o decoro da pessoa. O crime ocorre quando a pessoa sente-se ofendida. Este tipo de crime pode ser qualificado quando as ofensas direcionadas para a pessoa se referem a raça, cor, etnia, religião, a condição de pessoa idosa ou a portadores de deficiência.

Orientações
A delegada Verônica Carvalho orienta que quem for vítima de algum crime cibernético deve, primeiramente, reunir as evidências do crime eletrônico. O que foi escrito, fotos que foram postadas no meio virtual, o perfil de quem postou; arquivos e e-mails em diversos padrões, telas de páginas são provas imprescindíveis para a apuração do crime. Depois da coleta de provas, é necessário que a vítima faça o Boletim de Ocorrência (BO).

“A gente trabalha junto com a Polícia Científica. A gente localiza o IP do computador, após localizar o IP, a gente entra com outra linha de investigação, identifica o local em parceria com os colegas policiais daquela localidade, aí sim encontramos o autor”, explicou a delegada. “De um modo geral, a gente tem sim como localizar o autor”, ressaltou.

A partir da investigação, pode ser feita a busca e apreensão informática ou pedido de quebra de sigilo informático. Com o inquérito policial concluído, a vítima terá o direito de iniciar a ação penal mediante queixa crime, ou dependendo da natureza do crime, será o Ministério Público o titular da ação.

Dados
No Tocantins, ainda não existem dados publicados oficialmente sobre o número de casos ou denúncias que estão sob investigação ou de crimes já cometidos. Mas em nível nacional, a SafeNet Brasil registrou, em nove anos de criação, 3.606.419 denúncias anônimas, envolvendo 585.778 páginas distintas escritas em nove idiomas e hospedadas em 72.739 hosts diferentes, conectados à Internet através de 41.354 números de IPs distintos, atribuídos para 96 países em cinco continentes.

Ainda de acordo com a SaferNet Brasil, 163.269 páginas foram removidas. As denúncias foram registradas pela população através dos sete hotlines brasileiros que integram a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos.

A SaferNet Brasil é uma associação civil de direito privado, com atuação nacional, fundada em 2005 por um grupo de cientistas da computação, professores, pesquisadores e bacharéis em Direito.

Comandante-geral do Exército refuta possibilidade de intervenção militar

O comandante-geral do Exército, general Eduardo Villas Bôas, refutou hoje (19) a possibilidade de intervenção das Forças Armadas no país em decorrência da atual crise política. A declaração foi feita em palestra sobre o Dia do Exército, no Centro Universitário de Brasília (UniCeub).

“As Forças Armadas não existem para fiscalizar governo nem para derrubar governos. Temos que contribuir para a legalidade, dar condição para que as instituições continuem trabalhando e encontrem caminhos para superar o que estamos vivendo. Vimos que os embates [políticos] têm sido acirrados, mas as instituições estão funcionando”, disse.

Villas Bôas disse que a intervenção militar de 1964 foi um erro das Forças Armadas. “O Brasil da década de 30 a 50 foi o país do mundo que mais cresceu, com Getúlio [Vargas], Juscelino [Kubistchek]. Nos governos militares nas décadas de 70 e 80, nós cometemos um erro, nós permitimos que a linha da Guerra Fria nos atingisse e o país que vinha num sentido de progresso, perdeu a coesão”, analisou.

O golpe militar de 31 de março de 1964 levou o Brasil ao mais longo período de interrupção democrática durante a República. Lembrados como “os anos de chumbo”, o período da ditadura foi marcado pela cassação de direitos civis, censura à imprensa, repressão violenta das manifestações populares, torturas e assassinatos.

União para sair da crise

Sobre o momento atual, Villas Bôas defendeu a união nacional para o enfrentamento da crise. “Temos que recuperar a coesão nacional, colocar o interesse de país, da nação, acima de todas essas querelas que dominam o dia a dia hoje. Em relação a 64, houve duas diferenças básicas, primeiro era o período de Guerra Fria, com posições extremadas, e em 1964 o país não contava com instituições democráticas definidas. Hoje, o nosso país tem instituições desenvolvidas, com instituições com pesos e contrapesos que dispensam a necessidade de serem tuteladas”, ressaltou o comandante-geral do Exército.

O general também negou boatos de que a presidenta Dilma Rousseff teria cogitado decretar Estado de Defesa no país. “No Congresso, alguns deputados falaram sobre esse assunto. De parte da presidenta não houve essa iniciativa. Seria uma situação preocupante, mas difícil de ser implementada. Dificilmente ela conseguiria implementar, se cria uma situação extrema. [O Estado de Defesa] impediria manifestações, designaria que o Exército fosse empregado nas atividades onde as forças públicas não têm condições de fazer segurança”, explicou.

Ao encerrar o debate, Villas Bôas disse que é preciso encontrar caminhos para superar a crise política do país. “Estamos seguros de que a sociedade tem toda condição de superar essa crise, que é de natureza econômica, política e ética. Nós vemos que todos os parâmetros estão se esgarçando para baixo e estamos perdendo as nossas referências éticas, estéticas e me preocupam as discussões que se vê em busca dos caminhos para superar a crise. Essas discussões não têm profundidade, ficam no campo econômico. Me preocupa que coisas mais profundas, o alicerce de nosso país, não estão sendo considerados.”

Durante a palestra, o comandante-geral do Exército destacou a atuação dos militares em áreas como a Amazônia e o Haiti, além do envolvimento da inteligência da força em questões de segurança nacional e projetos estratégicos desenvolvidos de ciência e tecnologia.

Edição: Luana Lourenço
Heloisa Cristaldo – Repórter da Agência Brasil

Defensores do impeachment estão “vendendo terreno na lua”, diz Dilma

A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (19) que os defensores de seu afastamento estão “vendendo terreno na lua” para chegar ao poder e voltou a criticar o vice-presidente Michel Temer e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Dilma afirmou também que existe uma “conspiração” contra seu mandato.

“Acredito que os que estão golpeando atendem só a um lado do país e estão vendendo terreno na lua. Quando você está sendo vítima de um golpe, tem várias opções, mas eu acho que quem tem honra e dignidade, tem uma: é resistir. Nós iremos resistir ”, disse a presidenta, durante entrevista a correspondentes estrangeiros no Palácio do Planalto.

Ao se referir a Cunha, ela destacou que o retrospecto do presidente da Câmara não o abona para ser juiz de nenhum processo. “Me sinto vítima de um processo que é um processo em que meus julgadores, principalmente o exemplo maior, que é o presidente da Câmara, tem um retrospecto que não o abona para ser juiz de nada, abona para [ser] réu.”

Segundo a presidenta, o processo de impeachment contra ela na Câmara teve início por um desejo de vingança de Eduardo Cunha, já que o PT votou favoravelmente ao andamento de processo contra ele no Conselho de Ética da Casa. “Esse processo teve início por um desvio de poder, uma vingança, uma explícita vingança.”

Dilma também fez referência a Temer, ao dizer que é “muito pouco usual” que se tenha um vice-presidente com as atitudes dele. “A conspiração se dá pelo fato de que a única forma de chegarem ao poder no Brasil é utilizando-se de métodos, transformando e ocultando o fato de que esse processo de impeachment, na verdade não é um processo de impeachment, mas é uma tentativa de eleição indireta de um grupo que, de outra forma, não teria acesso [ao poder] pelos únicos meios justificáveis.”

A presidenta disse que é vítima de um processo de meias verdades ao falar sobre o pedido deimpeachment que enfrenta e que a divergência política pura e simples não pode ser usada como base para um processo desse tipo. Durante a entrevista, ela defendeu ainda a legalidade das operações contábeis do governo que embasaram o pedido de impeachment.

Lava Jato

Perguntada se não sabia que havia corrupção no partido e na Petrobras, Dilma respondeu que é próprio da corrupção “ser feita às escuras, ser escondida”. “Ninguém é ingênuo e acredita que a corrupção surgiu agora. Ela foi revelada e lançada à luz agora, pelo meu governo e do presidente Lula [ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva], porque toda a legislação que permite essas investigações foi feita no meu governo ou no dele”, afirmou.

Sobre a Operação Lava Jato, a presidenta disse que as investigações não são isoladas. “Não acredito que a Lava Jato é um raio em céu aberto, Hoje não acredito. Antes estava tudo debaixo do tapete. Você me pergunta se eu não sabia [sobre a corrupção]. Aí, te digo: foi preciso a delação premiada, o reconhecimento da independência dos procuradores, do Ministério Público, uma atitude em relação à Polícia Federal, foi preciso um conjunto de leis para que isso fosse descoberto”, afirmou. “Ainda tem muita coisa que não se sabe, não vamos acreditar que está tudo escancarado”, afirmou.

Edição: Nádia Franco
Yara Aquino e Ana Cristina Campos – Repórteres da Agência Brasil

MPE recomenda suspensão do concurso público da Câmara de Vereadores de Xambioá

O Ministério Público Estadual (MPE), por meio da Promotoria de Justiça de Xambioá, expediu, nesta segunda-feira, 18, recomendação ao presidente da comissão do concurso público da Câmara de Vereadores daquela Comarca, Márcio Miranda Barbosa, para que suspenda o concurso público destinado ao provimento de vagas no legislativo municipal, previsto para acontecer no final deste mês de abril.

O edital do concurso disponibiliza 05 vagas, sendo uma vaga para motorista, duas vagas para auxiliar de serviços gerais e duas para assistente administrativo.

De acordo com o Promotor de Justiça Celsimar Custódio, há irregularidades quanto ao processo licitatório destinado à contratação de empresa para a realização do certame. As investigações apuraram que a empresa que ganhou o certame divulgou previamente em seu site, em data anterior à deflagração do Processo de Licitação, ainda em novembro de 2015, informações sobre a realização do concurso.

Nesse sentido, o MPE recomendou ao presidente da Comissão Permanente de Licitação (CPL) que seja obedecido o princípio da publicidade, possibilitando a entrega dos editais dos processos licitatórios, em tempo hábil, a todos os interessados que se manifestarem.

Ao presidente da Câmara Municipal de Xambioá, Vereador José Jardel da Cruz Rocha, recomendou a suspensão do concurso, bem como a rescisão do contrato de prestação de serviços com a empresa Lex Consultoria, Assessoria e Projetos LTDA-ME, no prazo de 15 dias, e que proceda à contratação de empresa especializada para a realização do certame.

Orientou, ainda, que apresente novo projeto de lei para alterar a Lei Municipal n. 595/2015, com o objetivo de adequar os cargos de Chefe Financeiro, Chefe de Almoxarifado e Patrimônio, Diretor de Controle Interno e Secretário, mencionados na Lei, para cargos públicos de carreira perante o Poder Público Municipal.

Denise Soares

Temer diz que vai aguardar votação no Senado antes de se manifestar

O vice-presidente Michel Temer disse hoje (19) que vai aguardar o Senado apreciar o processo de impeachent da presidenta Dilma Rousseff antes de se manifestar. “Muito silenciosa e respeitosamente, vou aguardar a decisão do Senado Federal. É o Senado que dá a última palavra sobre a matéria. Portanto, seria inadequado que eu dissesse qualquer coisa antes da solução”, disse Temer à imprensa em frente à sua casa, no Alto de Pinheiros, na zona oeste da capital.

Esta é a primeira vez que o vice-presidente se pronuncia depois de o plenário da Câmara dos Deputados aprovar no domingo (17) a admissibilidade do processo de impedimento da presidenta. Os senadores devem, agora, apreciar a possibilidade de que Dilma seja afastada da Presidência por até 180 dias, antes do julgamento final do pedido de impeachment, que também será feito na Casa.

Mais cedo, Temer recebeu o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes. Após falar com os jornalistas, o vice deixou o local de carro, acompanhado de seguranças.

Ontem (18), Dilma acusou Temer de conspirar abertamente pela sua destituição da Presidência. “Acredito que é importante reconhecer que é extremamente inusitado e estranho, mas sobretudo  estarrecedor, que um vice-presidente no exercício de seu mandato conspire contra a presidenta abertamente. Em nenhuma democracia do mundo uma pessoa que fizesse isso seria respeitada. A sociedade não gosta de traidores. Porque cada um de nós sabe a injustiça e a dor que se sente quando se vê a traição no ato”, disse, ao comentar o resultado da votação na Câmara.

Edição: Graça Adjuto
Daniel Mello – Repórter da Agência Brasil

Terremotos: mais de 120 mil continuam desabrigados no Japão

Mais de 120 mil pessoas continuam desabrigadas em Kumamoto e Oita, na ilha japonesa de Kyushu, devido a dois terremotos que atingiram a região na semana passada e que causaram pelo menos 44 mortos. Cerca de 125 mil pessoas em Kumamoto e outras 3.500 em Oita continuam dormindo em prédios municipais, escolas ou até parques de estacionamento, devido aos tremores, segundo informou hoje (19) a emissora pública de televisão NHK.

O primeiro tremor, de magnitude 6,5, atingiu a área na noite de quinta-feira, enquanto outro, de 7,3, ocorreu no sábado. Os dois terremotos, que causaram quase 600 réplicas, segundo a Agência Meteorológica do Japão, provocaram a queda de prédios e deslizamento de terra, principalmente em Mashiki e Minamiaso, em Kumamoto.

Cerca de 2.300 edifícios ficaram danificados, segundo dados da prefeitura. O número de mortos subiu para 44 depois de, na segunda-feira, terem sido encontrados os corpos de outras vítimas que ficaram soterradas por um deslizamento de terras.

Mais de 20 mil efetivos do exército colaboram nos trabalhos de resgate e tentam fazer chegar alimentos por helicóptero às zonas mais afetadas, onde começa a faltar a comida. Cerca de 11 mil casas continuam sem eletricidade e 89 mil sem água em Kumamoto.

Da Agência Lusa

Para Caiado, afastamento de Dilma no Senado pode ser decidido em 10 dias

“Temos que ter a responsabilidade de resumir o calendário no Senado e iniciar a instalação de um novo governo”, defendeu o líder do DEM
Após alcançar votação mínima exigida pela admissibilidade do impeachment, o líder do Democratas no Senado, Ronaldo Caiado (GO), declarou que o procedimento no Senado pode ser concluído em 10 dias. O parlamentar acredita que é necessário o encurtamento do calendário para que o afastamento da presidente Dilma ocorra e o país possa iniciar nova etapa com retomada de crescimento e enxugamento da máquina estatal. Caiado reforçou que este prazo cumpre as regras constitucionais e permite que não haja um agravamento ainda maior da crise econômica no país. A votação acabou com 367 votos favoráveis, 137 contrários, sete abstenções e duas ausências.
“Respeitando o rito constitucional, podemos concluir a admissibilidade no Senado em 10 dias. Temos que ter a responsabilidade de resumir o calendário no Senado e iniciar a instalação de um novo governo. O país vive um hiato, um buraco negro e precisamos responder ao povo e sinalizar uma saída para a crise. O alongamento do processo só vai agravar a falta de governabilidade no país”, pontuou o senador goiano, logo após a Câmara atingir os 342 votos mínimos necessários para a continuidade do impeachment.
Sobre as críticas ao vice-presidente, Michel Temer, Caiado acredita que o momento é de atuar com o que a Constituição determina e buscar soluções pela reconstrução do país. “Não é hora de atuarmos com achismos. Temos que respeitar as regras constitucionais e implantar a sucessão do governo. Vivemos um dos momentos mais graves e é urgente que tenhamos projetos que tragam uma saída para o país”, opinou o líder democrata.
O parlamentar explicou que, após essa etapa na Câmara, a admissibilidade do impeachment será apreciada no Senado e, se aprovada, a presidente será afastada quando haverá prazo de até 180 dias para que os senadores apreciem o mérito da matéria em sessão presidida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal. É sobre a admissibilidade no Senado que Ronaldo Caiado defende a celeridade para que seja iniciado o processo de recuperação do país.
“Se na Câmara que representa o povo, o governo não consegue os 171 votos para barrar o impeachment, significa que é grande a rejeição à gestão do PT. A votação na Câmara repercute o sentimento nacional. No Senado não poderemos votar de forma diferente”, destacou.

Senadores querem PEC para novas eleições junto com impeachment

Um grupo de seis senadores anunciou hoje (18) que apresentará ainda esta semana uma proposta de emenda à Constituição para que sejam realizadas novas eleições presidenciais em outubro deste ano. A ideia dos senadores Walter Pinheiro (sem partido-BA), Randolfe Rodrigues (Rede-AP), João Capiberibe (PSB-AP), Lídice da Mata (PSB-BA), Paulo Paim (PT-RS) e Cristovam Buarque (PPS-DF) é que a proposta tramite paralelamente ao pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff no Senado.

“A ideia da PEC não é interromper o processo de impeachment, até porque, legalmente, isso não pode ser feito. Se tivermos de tocar a PEC com a presidente afastada, tudo bem”, esclareceu Pinheiro.

Segundo o senador, a preocupação do grupo é com o que acontecerá depois que a presidenta for afastada e, se for o caso, definitivamente impedida pelo Congresso Nacional. “O problema é o dia seguinte. Se quem vai ficar terá condição de resolver o problema do Brasil”, disse.

Assinaturas

O texto da PEC ainda está sendo construído e deve ser apresentado na quarta-feira (20), quando o grupo começará a recolher as 27 assinaturas necessárias para que ela comece a tramitar. Para o senador Randolfe Rodrigues, a expectativa é que a sugestão receba a adesão do povo que está nas ruas e que quer o afastamento de Dilma, mas não se vê representado pelo vice-presidente Michel Temer.

“As ruas não estão rejeitando somente a Dilma. Estão rejeitando o Temer também. A posse dele é uma tentativa de fraude à vontade das urnas”, afirmou o líder da Rede. Conforme Randolfe, toda a linha sucessória da Presidência da República está “contaminada” pelas denúncias de corrupção e pela crise política.

Para conseguir apoio dentro do Congresso, a estratégia do grupo é conversar com todos os partidos políticos, inclusive PT, PSDB e “aqueles que são capazes de ouvir” no PMDB, segundo Randolfe. Nessas conversas deve ser definido se a PEC vai propor um mandato tampão de dois anos, de modo que as eleições voltem ao padrão em 2018; um mandato normal de quatro anos, a contar a partir do ano que vem; ou um mandato de seis anos para emendar com as eleições gerais de 2022.

Além das 27 assinaturas para início da tramitação, a PEC precisará de 49 votos em cada um dos dois turnos de votação a que será submetida no Senado. Depois, ela seguirá para a Câmara dos Deputados, onde também será submetida a dois turnos de votação e precisará ser aprovada por três quintos dos deputados.

Eleições

Mais cedo, a ex-candidata à Presidência da República e porta-voz da Rede Sustentabilidade, Marina Silva, divulgou nota criticando Michel Temer e os presidentes da Câmara e do Senado, os dois seguintes na linha sucessória. Marina defendeu que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decida pela cassação da chapa que ganhou as eleições de 2014 e o Brasil seja levado a novas eleições diretas.

“A população tem o direito de dar a palavra final, agora sabendo de tudo o que ficou oculto em 2014, e escolher um novo governo para coordenar os imensos esforços que o Brasil terá de fazer para tirar o país da crise”, acrescentou a nota.

O texto conclui afirmando que “a saída” passa pelo TSE. “Nem Dilma, nem Temer. Por uma nova eleição”, destacou Marina Silva.

Edição: Armando Cardoso
Mariana Jungmann – Repórter da Agência Brasil

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