Recomendação da 6ª Promotoria de Justiça cita o ataque a tiros da última edição e exige alvará, plano de policiamento e controle de acesso
Por Geovane Oliveira – Portal O Melhor da Amazônia
O Ministério Público do Tocantins (MPTO) recomendou a suspensão da Copa do Craque, que começaria em 29 de novembro, em Gurupi. A medida vale até que os organizadores apresentem e aprovem todas as ações de segurança do público. A orientação também alcança shows, venda de bebidas e outras atividades ligadas ao evento na Avenida C, no setor Nova Fronteira.
A Recomendação Administrativa nº 14/2026 partiu da 6ª Promotoria de Justiça de Gurupi. Os destinatários são a Prefeitura, as secretarias municipais envolvidas, a Liga Esportiva Tocantins Araguaia (Leta) e o bloco carnavalesco Os Enforcados. As duas últimas entidades organizam a competição, tradicional no calendário esportivo da cidade.
Ataque a tiros marcou a última edição da Copa do Craque
Com a recomendação, o MPTO quer evitar que se repitam os problemas da edição anterior, realizada em 1º de fevereiro deste ano. Na ocasião, um ataque a tiros em meio à multidão deixou uma pessoa morta. Outras quatro pessoas foram vítimas de tentativa de homicídio.
Segundo o 4º Batalhão da Polícia Militar, o local não tinha controle de acesso para limitar ou mesmo estimar o público. Para a corporação, a falta dessa estrutura teria facilitado a entrada de pessoas com objetos ilícitos. A PM também apontou iluminação precária. Além disso, informou que os crimes ocorreram depois dos jogos, durante shows com consumo de bebidas alcoólicas.
Promotor pede reformulação completa do evento
O promotor de Justiça Marcelo Lima Nunes recomendou que os organizadores reformulem integralmente o projeto da Copa do Craque. Uma das providências é levar a fase decisiva para um local com barreiras físicas e controle efetivo de acesso, como o Estádio Rezendão. A recomendação ainda orienta que não haja shows ou apresentações musicais noturnas no mesmo local das partidas.
Antes de retomar a divulgação e a realização do evento, os organizadores precisam apresentar três documentos. São eles: alvará municipal, Certificado de Conformidade do Corpo de Bombeiros e plano prévio de policiamento feito com a Polícia Militar. Por fim, devem contratar serviço de segurança privada devidamente habilitado.
Edição anterior ocorreu sem alvará, aponta MPTO
Conforme o procedimento instaurado pelo MPTO, os organizadores admitiram falhas na edição passada. Não houve pedido formal nem concessão de alvará de funcionamento ou de uso do espaço público. Da mesma forma, faltou comprovar a aprovação do projeto de prevenção contra incêndio e pânico. Também não houve comprovação da regularidade das estruturas temporárias, como tendas, palcos e banheiros químicos.
Prefeitura não deve apoiar a Copa do Craque sem segurança
À Prefeitura de Gurupi, o MPTO recomendou suspender qualquer apoio, patrocínio, autorização, cessão de espaço público ou fornecimento de estrutura ao evento. A medida vale enquanto os organizadores não cumprirem as exigências de segurança.
O município ainda recebeu a orientação de não conceder alvará ou autorização para uso da Avenida C e de áreas próximas. Isso deve valer até a apresentação e a aprovação dos projetos de controle de acesso, iluminação, prevenção contra incêndio e segurança do público.
Prazo de cinco dias úteis para resposta
A Prefeitura e os organizadores têm cinco dias úteis para responder à 6ª Promotoria de Justiça de Gurupi. O prazo conta a partir do recebimento do documento. Nesse período, devem informar se vão acolher as orientações e detalhar as providências adotadas.
Mais informações estão disponíveis no portal do Ministério Público do Tocantins.
Com informações do Ministério Público do Tocantins (MPTO)



