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Protesto de estudantes na Esplanada contra PEC tem tumulto e confronto com a PM

Manifestantes entram em confronto com a PM em frente ao Congresso Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Após a Polícia Militar (PM) dispersar o protesto de estudantes que ocupavam o gramado em frente ao Congresso Nacional, os manifestante seguiram pela Esplanada dos Ministérios em direção ao Museu Nacional. Durante o percurso, a polícia seguiu “empurrando” os manifestante em direção à Rodoviária de Brasília em uma tentativa de dispersar o grupo. Bombas de gás lacrimogênio foram disparadas e um carro que estava estacionado em frente à Catedral Metropolitana foi incendiado.

O Corpo de Bombeiros está no local para apagar o fogo do carro e das barricadas que tinham sido montadas pelos manifestantes. Durante o percurso, os estudantes derrubaram banheiros químicos que estavam no trajeto e tentaram  bloquear a pista.  O trânsito no local está  interrompido.  O coronel Julian Fontes, que está à frente da operação, disse que a ordem é que a PM proteja o patrimônio.

O carro de som que acompanhava o protesto pedia que a polícia parasse de jogar bombas e que a manifestação permanecesse em frente ao museu, de onde havia partido.

Votação no Congresso

A organização estima a participação de 15 mil pessoas, enquanto Polícia Militar do Distrito Federal calcula em cerca de 10 mil o número de presentes. O grupo caminhou até a frente do Congresso Nacional e, ao chegar ao gramado, houve tumulto e confronto entre os manifestantes e a polícia.  O conflito se intensificou quando um grupo de manifestantes virou um carro de reportagem estacionado próximo à rampa do Congresso. A polícia reagiu disparando bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo.

O arquivamento da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 55 é uma das pricipais pautas do movimento de estudantes que organizaram caravanas para vir à capital, com mais de 300 ônibus. Hoje o Senado Federal realiza sessão plenária para a votação, em primeiro turno, da proposta que limita os gastos do governo federal pelos próximos 20 anos. O ato em Brasília é organizado por entidades estudantis e educacionais, entre elas a União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG).

*Matéria atualizada às 19h28 para acréscimo de informações

Luciano Nascimento – Repórter da Agência Brasil

Especialista explica prováveis razões da tragédia da Chapecoense

Milian Heymann, comentarista de segurança aérea, ex-piloto de aviões civis e militares, e as possíveis causas do acidente fatal com o avião que transportava a delegação da Chapecoense para Medellín, na Colômbia:
“São quase 9 horas da manhã, horário de Brasília, e ainda é muito cedo para analisar as causas da queda deste avião. De imediato, posso dizer que o Avro RJ-85 é um avião seguro para este tipo de voo, sobre áreas difíceis como esta região montanhosa de Medellín. Chama atenção o fato de o avião não ter se incendiado após a queda. Isto é um possível sinal de que ele estava com pouco combustível, apenas o suficiente para chegar ao aeroporto de destino. Talvez este pouco combustível possa explicar a possível pane elétrica. Sem combustível suficiente, os quatro motores do avião podem ter parado, levando à perda do controle pelo piloto e a consequente queda. Mas esta é apenas uma opinião em caráter estritamente pessoal.”

br.sputniknews.com

Clubes de futebol e jogadores manifestam solidariedade à Chapecoense

Diversos clubes de futebol e jogadores se manifestaram hoje (29) em solidariedade à Chapecoense, após o acidente aéreo que deixou 76 mortos em viagem que levava o time catarinense para a disputa da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional, da Colômbia.

Dos times cariocas, Flamengo, Fluminense e Vasco, lamentaram o acidente aéreo com a delegação da Chapecoense. Grêmio e Atlético Mineiro, que jogariam amanhã a partida adiada da final da Copa do Brasil, também manifestaram seu apoio ao clube catarinense.

Clubes internacionais

O clube inglês de futebol Manchester United divulgou em suas redes sociais  comunicado dizendo que “os pensamentos de todos do Manchester United estão com o time de futebol da Chapecoense e com todos aqueles que foram afetados pela tragédia na Colômbia. Força Chapecoense”. O clube da cidade de Manchester passou por situação semelhante em 6 de fevereiro de 1958, em acidente aéreo que matou oito atletas do clube inglês e outras 15 pessoas. A aeronave foi abatida por uma intensa tempestade de neve enquanto tentava decolar do aeroporto de Munique, na Alemanha.

O clube italiano de futebol Torino também declarou no  Twitter que seus integrantes estão “comovidos pela tragédia com a Chapecoense. É um destino que nos une intimamente. Força Chapecoense. Vocês têm amigos fraternais”. A equipe italiana de Turim foi abatida por um desastre semelhante em 4 de maio de 1949. O avião retornava de Portugal após partida contra o Benfica e sofreu um forte nevoeiro, chocando-se contra a Basílica de Superga, na Itália, matando todos os 42 tripulantes na mesma hora. Grande parte dos jogadores faziam parte da seleção italiana que viria a disputar a Copa do Mundo de 1950, no Brasil.

Jogadores

Jogadores de futebol também estão usando as redes sociais para registrar seu apoio. Um deles foi o argentino Lionel Messi, que definiu o acidente como “desolador”.

*Ampliada às 09h39

Edição: Lidia Neves

Operação Dignidade constata série de problemas nos hospitais públicos de Palmas

A demora na realização de exames prejudica a avaliação médica necessária para a liberação do paciente e prejudica a rotatividade de pacientes.

Vistoria foi realizada na manhã dessa quarta-feira, 23, no Hospital Dona Regina, Hospital Geral de Palmas e no Hospital Infantil de Palmas pelo MPF – Ministério Público Federal, MPE – Ministério Público do Estado do Tocantins e DPE-TO – Defensoria Pública do Estado do Tocantins. Intitulada de Operação Dignidade, a força-tarefa constatou uma série de problemas e irregularidades nos hospitais públicos de Palmas.

Em atuação conjunta, a operação foi liderada pelo procurador da República Fernando Antônio de Alencar Alves de Oliveira Júnior, pela promotora de justiça Maria Roseli de Almeida Pery, coordenadora da Copeds – Comissão Permanente de Defesa da Saúde; e pelo defensor público Arthur Luiz Pádua Marques, coordenador do Nusa – Núcleo Especializado de Defesa da Saúde.

O que se verificou como problemas comuns nos três hospitais públicos foram a falta de material de limpeza, falta de medicamentos e de alimentação, a maioria dos servidores não são efetivos e ainda estão trabalhando sem contrato, falta de leitos e vagas para cirurgias, falta de antibióticos, paralisação dos serviços de laboratório e a falta de insumos como toucas, gases e materiais para higienização – o que acarreta em um grande risco de contaminação.

Dona Regina – No Hospital Dona Regina, o elevador de acesso para os deficientes não funciona, falta material de reanimação de bebês, o ventilador na ala pré-parto não funciona há mais de dois anos, falta material para a coleta adequada do leite maternal no Banco de Leite, como gases, máscaras e toucas, e, além disso, falta leite maternal no estoque há dois dias.

Há um grave problema de superlotação e falta de estrutura no Espaço Mãe Nutriz. No local há espaço para no máximo dez pessoas, porém, cerca de 40 mães estão abrigadas atualmente no local, que possui cadeiras quebradas e somente dois sofás, enquanto aguardam internação dos filhos na UTI – Unidade de Tratamento Intensivo e UCI – Unidade de Cuidados Intermediários. Para solucionar paliativamente os problemas, as mães que foram recém-operadas se revezam nas cadeiras do corredor e recepção das unidades, enquanto aguardam o horário de amamentação dos bebês.

Além disso, o Espaço Mãe Nutriz não funciona no período da noite e as mães que necessitam de abrigo no local, têm de aguardar nos corredores. Com uma semana de operada, a mãe Vilma Souza de Oliveira conta que, como não há camas no local para descanso, por muitas vezes, ela dorme debruçada sobre a mesa. “E assim acontecem todos os dias, quem chega primeiro senta, quem chega tarde demais tem que ir procurar cadeira pelos corredores do hospital”, denuncia.

Na ala pré-parto, foi informado que há sangue coletado há quase uma semana que ainda não foi levado ao laboratório para exames, em virtude da paralisação dos laboratórios por falta de pagamento. Na UCI, informaram que há pacientes que possivelmente já poderiam ter tido alta, mas não foram liberados em razão da falta de exames necessários. Segundo constatou a vistoria, a demora na realização de exames prejudica a avaliação médica necessária para a liberação do paciente e prejudica a rotatividade do fluxo.

Hospital Infantil – No Hospital Infantil, faltam materiais básicos para procedimentos. Por isso diversas cirurgias de emergência estão deixando de ser realizadas. Dentre os materiais mais urgentes em falta estão o equipo macro e micro, pois os que existem atualmente não são apropriados para o uso em crianças, não há termômetro, espectro, luvas, gel, antibióticos, material descartável, material de higiene, aparelhos de teste e medicamentos como Luftal e Dipirona. Por falta destes medicamentos no estoque do hospital, os pais estão comprando fora.

Outro grave problema no Hospital Infantil, que também se repete nos demais hospitais públicos, é a falta e demora no TFD – Transferência Fora de Domicílio, benefício que os usuários podem receber de assistência integral à saúde, incluindo o acesso de pacientes residentes em um determinado estado a serviços assistenciais localizados em Municípios do mesmo estado ou de estados diferentes, quando esgotados todos os meios de tratamento e/ou realização de exame auxiliar diagnóstico terapêutico no local de residência (Município/Estado) do paciente.

Hospital Geral de Palmas – Na sala vermelha do Hospital Geral de Palmas faltam medicamentos, antibióticos de largo espectro, Bromoprida, Ranitidina, Omeprazol, entre vários outros fármacos. Os pacientes são prejudicados com a falta de medicamentos tendo em vista que começam um tratamento com um determinado medicamento e é necessário substituir pela falta, acarretando uma resistência no organismo, e falta máscara de proteção para doenças infectocontagiosas.

Na UTI do HGP foi relatado que a alimentação, enteral e parenteral, ainda está sendo fornecida de forma insuficiente, alguns pacientes chegam a ficar de jejum por até dois dias e a alimentação fornecida não é a adequada de acordo com os protocolos do SUS. Somente na manhã desta quarta-feira, 23, foram fornecidos 67 frascos de alimentação enteral para 47 pacientes, sendo que o número ideal de alimentação para os pacientes são 120. Além disso, a alimentação parenteral não é fornecida com os nutrientes e vitaminas necessárias desde o ano passado.

O laboratório que atende o Hospital Geral de Palmas não faz cultura de bactéria para indicar qual o estado clínico do paciente e prescrever o medicamento adequado, falta realizar exame de sódio e potássio, não há Polimixia B e, em alguns casos, os médicos deixam de prescrever determinados medicamentos por falta dos fármacos.

Na neurologia, os equipamentos, como arco e microscópio, para realização de cirurgias estão danificados ou não tem na unidade hospitalar; falta vaga na UTI para operar os pacientes e vários pacientes são operados e encaminhados para o corredor, ou não são operados. Na UTI pediátrica foi relatado que faltam máscaras e demais insumos, a realização de exames estava suspensa em razão da troca de laboratório, faltam leitos de UTI, sendo que no HGP tem apenas 8 leitos para todos os pacientes do Estado, contando com mais 10 leitos da rede privada. Dos leitos disponíveis, 06 são utilizados por pacientes crônicos que dependem dos serviços de UTI enquanto estiverem vivos e faltam antibióticos para os pacientes.

Justiça – Uma série de Ações e recomendações propostas pelo MPF, MPE e DPE-TO estão em curso com o objetivo de tentar normalizar a situação nos hospitais públicos de Palmas. A falta de cumprimento de tais ações, já gerou bloqueio de valores nos cofres públicos e até representação judicial ao secretário estadual de Saúde.

A Operação Dignidade detectou que os problemas são antigos, mas permanecem em situação caótica nos hospitais públicos de Palmas. A não realização de exames laboratoriais e a falta de alimentação enteral e parenteral são os problemas mais graves detectados na vistoria. Todas as informações estão reunidas em relatório, e foram solicitados à Secretaria Estadual de Saúde e à direção do hospital documentos com informações extras, que serão utilizados para amparar as ações judiciais. Será instaurado um inquérito para apurar as improbidades. Os atos já relatados foram identificados como de improbidade criminal e os órgãos de atuação conjunta irão responsabilizar judicialmente os responsáveis.

Fonte: Ascom/DPE-TO

STJ determina bloqueio dos bens do governador de Tocantins

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou o bloqueio dos bens do governador de Tocantins, Marcelo Miranda, um dos alvos da Operação Rei do Gado, deflagrada hoje (28) para apurar um esquema criminoso contra a administração estadual. A PF diz ter provas de que os suspeitos movimentaram mais de R$ 200 milhões ilicitamente e que parte dessa quantia foi depois regularizada por meio da ocultação dos valores “lavados” em meio ao patrimônio de parentes do governador.

Por envolver um governador, o inquérito tramita no Superior Tribunal de Justiça, em segredo de Justiça. O ministro-relator, Mauro Campbell, amanheceu o dia na capital do estado, Palmas, para acompanhar a operação e, no início da tarde, colheu o depoimento de Marcelo Miranda.

Marcelo Miranda
Por envolver o governador Marcelo Miranda, o inquérito tramita no STJ, em segredo de JustiçaDivulgação

A Justiça também determinou o bloqueio dos bens do pai do governador, o ex-deputado estadual Brito Miranda, e de seu irmão, José Edimar de Brito Miranda Júnior. Edimar foi detido em caráter temporário enquanto policiais federais cumpriam os oito mandados de prisão temporária, 24 de condução coercitiva e 76 de busca e apreensão expedidos pelo STJ. A residência do governador e seu gabinete no Palácio Araguaia estão entre os alvos das buscas policiais.

“Está sendo bloqueado, ou seja, indisponibilizado, todo o patrimônio do governador, do pai dele e do irmão dele, que são os responsáveis por toda a engenharia [de compra e recompra de fazendas e de gado com o propósito de regularizar dinheiro supostamente ilícito] usada também para mascarar a origem de outros recursos”, explicou o chefe da Delegacia de Repressão e Combate ao Crime Organizado da Superintendência da PF em Tocantins, Cleyber Malta, durante entrevista à imprensa.

Registro em cartório

De acordo com as autoridades policiais, há mais de um ano a PF vem investigando a suspeita de que licitações públicas do governo estadual eram fraudadas com a participação de pessoas próximas ao governador. Ainda de acordo com a PF, pessoas em quem o governador e outros integrantes do esquema confiavam eram usados como “laranjas”. O grupo adquiria imóveis, principalmente grandes fazendas e rebanhos com o dinheiro da propina paga por empresas beneficiadas pelo esquema e os registrava no nome desses “laranjas”. Depois, ao fim de algum tempo, a pessoa transferia a propriedade para a família do governador.

Segundo o superintendente regional da PF, delegado Arcelino Vieira Damasceno, um acordo registrado em cartório é a prova do esquema mais incisiva já recolhida pela PF. “Além dos valores expressivos, o que nos chamou a atenção é que o grupo praticamente registrou em cartório a atividade de lavagem de dinheiro. Foi registrado em cartório um distrato de uma sociedade de fato e, quando se fala de distrato é porque, anteriormente, houve um contrato”, disse o superintendente, explicando que, por meio do distrato, o “laranja” deixava os bens para pessoas da família do governador.

Além do governador, alvo de um mandado de condução coercitiva (quando a pessoa é levada para prestar depoimento e liberada em seguida), e de seu irmão, detido temporariamente, a PF também conduziu coercitivamente o ex-governador Siqueira Campos e prendeu temporariamente o secretário de Infraestrutura do estado, Sérgio Leão.

A assessoria do governo estadual informou que, embora não estivesse em Palmas no momento da chegada dos policiais, Miranda garantiu o livre acesso dos policiais federais a sua casa e ao Palácio de governo. Até o começo da tarde, os advogados de Miranda e a Procuradoria-Geral do Estado disseram que não tinham tido acesso à denúncia ou à decisão da Justiça. A defesa de Siqueira Campos disse que ele foi conduzido para prestar depoimento na condição de testemunha e não como investigado. A reportagem não conseguiu ouvir o advogado ou parentes de Sérgio Leão.

Edição: Fábio Massalli
Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil

Moro veta parte de perguntas da defesa de Cunha para Temer

O juiz federal Sérgio Moro decidiu hoje (28) vetar 21 das 41 perguntas feitas pela defesa do ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ao presidente Michel Temer que vai depor por escrito como testemunha no processo contra Cunha na Operação Lava Jato. Na decisão, Moro considerou os questionamentos inapropriados por não terem relação com a ação penal a que Cunha responde na Justiça Federal em Curitiba.

A maioria das perguntas formuladas pela defesa trata de questões que envolvem os ex-diretores da Petrobras Nestor Cerveró e Jorge Zelada. O restante das perguntas foi mantido por ter pertinência,”mesmo que um pouco remota” com as acusações.

“Considerando o teor inapropriado de parte dos quesitos, que, nos depoimentos extrajudiciais do colaborador Nestor Cuñat Cerveró, apesar de sua afirmação de que teria procurado o então deputado federal Michel Temer para lograr apoio político para permanecer no cargo de diretor da Petrobras, não há qualquer referência de que a busca por tal apoio envolveu algo de ilícito ou mesmo que a conversa então havida tenha tido conteúdo ilícito”, decidiu Moro.

Mesmo não tendo relação com as acusações contra Cunha, Temer foi arrolado como testemunha de defesa. De acordo com o Código de Processo Penal (CPP), qualquer pessoa poderá ser testemunha, e a dispensa somente pode ocorrer nas hipóteses previstas na norma, como parentesco com o acusado, ou em casos em que a testemunha deva manter o sigilo profissional, como situações envolvendo médicos e advogados, por exemplo.

Temer tem direito a responder a perguntas por escrito em função de outra regra do CPP. De acordo com o Artigo 221 do código, o presidente da República, ministros e outras autoridades podem marcar previamente local da audiência ou responder aos questionamentos por escrito.

Prisão

Cunha está preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba desde o dia 19 de outubro. Segundo a força-tarefa do Ministério Público Federal, há evidências de que existem contas pertencentes ao ex-parlamentar no exterior que ainda não foram identificadas, fato que, segundo os procuradores, coloca em risco as investigações. Além disso, os procuradores ressaltaram que Cunha tem dupla nacionalidade (brasileira e italiana) e poderia fugir do país.

A prisão foi decretada na ação penal em que o deputado cassado é acusado de receber R$ 5 milhões, que foram depositados em contas não declaradas na Suíça. O valor seria oriundo de vantagens indevidas, obtidas com a compra de um campo de petróleo pela Petrobras em Benin, na África.

O processo foi aberto pelo Supremo Tribunal Federal, mas, após a cassação do mandato de Cunha, a ação foi enviada para o juiz Sérgio Moro porque o ex-parlamentar perdeu o foro privilegiado.

Edição: Lílian Beraldo
André Richter – Repórter da Agência Brasil

PF investiga lavagem de dinheiro em verbas públicas no estado do Tocantins

Palmas/TO – A Polícia Federal deflagrou, nesta segunda-feira (28), a Operação Reis do Gado, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa que atuava no Estado do Tocantins praticando crimes contra a administração pública e promovendo a lavagem de capitais por meio da dissimulação e ocultação dos lucros ilícitos no patrimônio de membros da família do governador do Estado. Foi apurado que o grupo movimentou mais de R$ 200 milhões em lavagem de dinheiro.
Participam da operação cerca de 280 policiais federais. Ao todo estão sendo cumpridos 108 mandados judiciais expedidos pelo STJ sendo, 8 mandados de prisão temporária, 24 de condução coercitiva e 76 de busca e apreensão nas cidades de Palmas e Araguaína no Tocantins, Goiânia/GO, Brasília/DF, Caraguatatuba/SP Canãa dos Carajás, Redenção, Santa Maria, São Felix do Xingu e Sapucaia/PA.
A investigação apontou um esquema de fraudes em contratos de licitações públicas com empresas de familiares e pessoas de confiança do chefe do executivo estadual, que teria gerado enorme prejuízo aos cofres públicos. As autoridades identificaram, até o momento, um montante de mais de 200 milhões de reais efetivamente lavados.
A ocultação do dinheiro desviado ilicitamente era feita por meio de transações imobiliárias fraudulentas, contratos de gaveta e manobras fiscais ilegais dentre os quais a compra de fazendas e de grandes quantidades de gado. Parte do valor teve por destino a formação de caixa dois para campanhas realizadas no Estado.
Chamou atenção dos policiais o volume de algumas transações financeiras do grupo que, pela sua desproporcionalidade, denotam claramente a intenção de dissimular as vultosas movimentações ilícitas do grupo. Em um dos casos foi identificada um contrato de compra de gado cujo volume, segundo a perícia realizada, não caberia sequer dentro da propriedade onde pretensamente deveriam se encontrar o rebanho. Essa técnica foi apelidada pelos investigadores como “Gados de Papel”.
Em outro caso, um contrato de prestação de serviços entre o governo e uma empresa de transportes aéreos alcançou valores tão exorbitantes que, sendo dimensionadas em horas de voo, obrigariam os aviões a serem abastecidos no ar para que se pudesse suprir o valor integral do contrato.
Os investigados responderão pelos crimes de lavagem de dinheiro, peculato, corrupção passiva, fraudes à licitação e organização criminosa.
Haverá entrevista coletiva, às 10h, na sede da PF em Palmas/TO (Av. Joaquim Teotônio Segurado, qd. 302 Norte, conj. 1, lt. 2).

Link para coletiva:

 http://youtu.be/P94tDFnLRTY

  O nome da operação “Reis do gado” foi dado em razão dos principais investigados serem grandes pecuaristas no Estado do Pará e o gado era a destinação de grande parte do dinheiro desviado, onde se operava verdadeira lavagem de dinheiro.

 

Comunicação Social da Polícia Federal no Tocantins

Manifestação contra a PEC 55 leva milhares à Paulista contra governo Temer

Novo protesto contra o governo Temer reafirma disposição dos movimentos sociais de lutar contra o retrocesso e a perda de direitos com PEC 55
 São Paulo – Cerca de 40 mil pessoas, de acordo os organizadores, ocuparam a Avenida Paulista na tarde de hoje (27) para protestar contra a PEC 55 – que limita investimentos públicos por 20 anos –, contra a perda de direitos dos trabalhadores e gritar “Fora Temer”, em manifestação organizada pela frente Povo Sem Medo, que reúne mais de 30 movimentos sociais, entre eles o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto).

O ato começou por volta das 15h, em frente ao Museu de Arte Moderna de São Paulo (Masp) e ocupou os quarteirões próximos ao prédio. O coordenador do MTST, Guilherme Boulos, disse que a PEC é um atentado ao povo brasileiro e que a declaração de Temer neste domingo, sobre a intenção de barrar a emenda da anistia ao caixa 2 é uma hipocrisia. “É a velha história de roubar a carteira e gritar ‘pega ladrão’. Foram eles que criaram tudo isso”, disse. Mais cedo, Temer e os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ); e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), anunciaram um acordo entre o Legislativo e o Executivo para impedir a anistia.

O presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Vagner Freitas, defendeu a saída imediata de Temer e eleições populares para eleger o sucessor. “Está na hora de fazer greve para tirar este governo. A nossa bandeira é ‘diretas já’. Este Congresso não tem legitimidade (para eleger um presidente)”

Além de Boulos e Freitas, participaram do ato o senador Linbergh Farias (PT-RJ), os deputados Ivan Valente e Luiza Erundina (PSOL), a presidenta da UNE (União Nacional dos Estudantes), Carina Vitral, e o vereador eleito de São Paulo Eduardo Suplicy (PT).

Após a concentração, os manifestantes seguiram até a rua da Consolação e encerraram o ato na Praça Roosevelt, região central da capital paulista.

Um das coordenadoras da mobilização, Natália Szermeta disse que a PEC 55, se aprovada, poderá “destruir direitos trabalhistas e sociais” e por isso é alvo de protesto. Entre os manifestantes, estava a estudante do ensino médio Ana Júlia curtis Tavares, 16 anos. “Vim aqui porque sou contra essa medida [PEC 55] que vai tirar os direitos de quem tem poucos direitos já conquistados. Vamos ter um retrocesso”, avaliou.

José Tenório da Silva Filho, 39 anos, integrante do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) decidiu se juntar ao protesto para cobrar o direito à moradia. “Há cinco anos estou aguardando isso.”

Os manifestantes também fizeram um minuto de silêncio em homenagem a Fidel Castro, líder da revolução cubana, que morreu ontem (26), e logo em seguida gritaram “Viva Fidel”.

A Polícia Militar de São Paulo não divulgou estimativa de público da manifestação.

Com agências

Saúde pública: Município de Araguaína tem prazo para apresentar plano de ação

Ação Civil Pública (ACP) de Obrigação de Fazer ajuizada pelo Ministério Público Estadual (MPE) no mês de agosto tem pedidos atendidos e Justiça manda Município de Araguaína apresentar, em até 90 dias, plano de ação de saúde para melhoria de serviços de responsabilidade municipal. A decisão judicial foi expedida no último dia 18.

Diversos procedimentos administrativos foram adotados pela 5ª Promotoria de Justiça de Araguaína, desde o ano de 2013, na tentativa de solucionar inúmeros problemas encontrados na rede pública de saúde, tais como: ausência de equipamentos, medicamentos e insumos; recursos humanos insuficientes e sem capacitação adequada, ausência de ações preventivas e de controle de epidemias, no tocante à dengue, zika e chicungunya, além de outras irregularidades. Diante do agravamento desse quadro e da inércia do ente público em resolver a situação, a medida judicial restou sendo a única alternativa, destaca a promotora de Justiça Araína Cesárea D’Alessandro.

Decisão

Na decisão liminar, foi determinado o prazo de 90 dias para que o Município elabore os seguintes planos:

I. Plano de Contingência para atendimento da demanda reprimida da atenção especializada, incluindo a criação de política pública com protocolo para hipertensão, insulinodependentes, saúde mental, que contemple projeto de vagas para internação compulsória; controle de carga horária e frequência para médicos e demais servidores que atuam na saúde pública, com projeto de implantação eletrônica manual a evoluir para a eletrônica, com prazo determinado;

II. Plano para regularizar o fornecimento de medicamentos padronizados nas farmácias das Unidades Básicas de Saúde, com controle do estoque, fornecimento e logística, aplicando, quando cabível, o Coeficiente de Adequação de Preço – CAP na aquisição de medicamentos;

III. Plano para o controle da tríplice epidemia (dengue, zika vírus e febre chikungunya), bem como para diminuição do Índice de Infestação Predial (IIP);

Ação Civil Pública

A Ação Civil Pública visava obrigar o Município de Araguaína a regularizar os serviços de atenção básica e atenção especializada do Sistema Único de Saúde, tendo como base Inquérito Civil Público instaurado com a finalidade de apurar a prestação dos serviços, na qual ficaram comprovadas irregularidades na infraestrutura das unidades de saúde.

“A atenção básica deve funcionar de maneira a resolver de 70% a 80% dos problemas de saúde da população. O trabalho eficiente da Atenção Básica previne o adoecimento das pessoas e reduz as despesas com exames e procedimentos, minimizando os gastos com internações na rede de urgência e emergência do SUS” afirma a ação.

A preocupação também se estendeu à oferta de consultas especializadas e exames. Recente relatório da Secretaria Municipal de Saúde aponta considerável demanda reprimida na cardiologia, dermatologia, reumatologia, oftalmologia, pequenas cirurgias, neurologia, exames e ultrassonografias.

Para o Conselho Nacional do Ministério Público, as Promotorias de Justiça com atuação na saúde devem multiplicar a estratégia “Ministério Público na Defesa do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica”. A Atenção Primária à Saúde (APS) vem sendo considerada, em âmbito internacional, como uma estratégia de organização da atenção à saúde voltada para responder de forma regionalizada, contínua e sistematizada a maior parte das necessidades de saúde da população, integrando ações preventivas e curativas, bem como a atenção a indivíduos e comunidades.

Justiça mantém prisão preventiva de ex-secretário de saúde de Porto Nacional.

Acolhendo requerimento do Ministério Público Estadual (MPE), a Justiça decretou, no último dia 23, a prisão preventiva de Anderson Oliveira Costa, ex-secretário de saúde de Porto Nacional. Na decisão da 1ª Vara Criminal de Porto Nacional, o Juiz de Direito Alan Ide Ribeiro da Silva argumentou que “a decretação da medida cautelar de natureza pessoal em relação ao requerido se faz necessária para a garantia da ordem pública e conveniência da instrução criminal, posto que o denunciado, mesmo após o afastamento, comportou-se de forma desrespeitosa perante o Poder judiciário, uma vez que não cumpriu com a decisão judicial de se afastar do cargo público, não se constrangendo em praticar atos mesmo estando impedido de acesso às informações requeridas ao órgão público em que exercia sua função, sendo necessário assim, para cessar o ímpeto criminoso, decretar sua prisão preventiva, efetivando a garantia da ordem pública relativa ao cumprimento das decisões judiciais e impedir que novos atos de desrespeito sejam praticados ou até mesmo tentados, para destruição de provas que possam incriminá-lo, posto que, aquele que continua agindo em desconformidade com as imposições faz crer não ter interesse algum com a ordem legal, e até mesmo, compromisso com os poderes constituídos ou respeito ao acesso às informações, previsto na Constituição Federal.”

Ainda nesta quinta-feira, a ordem de prisão expedida pelo magistrado foi mantida em decisão liminar, pelo Tribunal de Justiça, num “habeas corpus” da defesa do acusado. O mandado de prisão preventiva foi encaminhado para a Polícia Civil para cumprimento.

Informações apuradas pela 5ª Promotoria de Porto Nacional apontaram que o servidor público afastado exerceu atividades na prefeitura contra a ordem judicial, mantendo o mesmo poder que ostentava, inclusive apresentando-se como coordenador da comissão de transição do município e, até mesmo, indeferindo formalmente pedidos de informações, atitudes que poderiam auxiliar a encobrir outros fatos passíveis de apuração realizados durante sua gestão.

Além de Anderson Costa, a atual secretária de Saúde de Porto Nacional, Cristiane Pinheiro Parente Martins; o presidente da comissão de licitações do município de Porto Nacional, Douglas Resende Antunes; diretores da cooperativa Tocantinense dos Trabalhadores da Saúde do Estado do Tocantins (COOPERTTRAS) e outras pessoas foram denunciadas sob acusação de envolvimento em organização criminosa e fraudes em licitações.

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