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Debate sem nocaute: Vicentinho domina o início, e Dorinha cresce no fim

Debate sem nocaute: Vicentinho domina o início, e Dorinha cresce no fim
Foto: Stefani Cavalcante/g1

No último confronto antes do segundo turno, o tucano controlou a pauta e a senadora apresentou as propostas mais detalhadas. O resultado tende a manter o cenário das pesquisas

Por Geovane Oliveira | Portal O Melhor da Amazônia

O último debate entre Professora Dorinha (União Brasil) e Vicentinho Júnior (PSDB) não teve um vencedor claro nem um momento capaz de mudar a eleição. O encontro foi promovido pela TV Anhanguera na quinta-feira (22), a três dias do segundo turno. Foram dois debates em um: Vicentinho foi melhor na primeira metade, e Dorinha, na segunda.

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Para entender o confronto, é preciso olhar a posição de cada um antes de entrar no estúdio. Dorinha venceu o primeiro turno com 45,52% dos votos válidos, contra 43,94% do adversário. No segundo turno, porém, as pesquisas inverteram a ordem. A Quaest registrou 49% a 42% para o tucano nos votos totais. A Real Time Big Data apontou 52% a 48% nos válidos, um empate dentro da margem de erro. A Paraná Pesquisas mostrou vantagem maior, de 56,5% a 43,5%.

Com isso, as tarefas eram diferentes. Vicentinho precisava evitar erros. Dorinha precisava de um fato novo.

Ataque concentrado na saúde

Vicentinho entrou com uma estratégia clara: falar de saúde e ligar a adversária ao governo de Wanderlei Barbosa. Antes disso, tratou de um ponto fraco seu. Pediu desculpas à mediadora, Jocyelma Santana, a quem havia ironizado numa sabatina sobre a Operação Overclean. Com isso, tirou do caminho um tema que poderia ser explorado contra ele.

O momento de maior impacto da noite veio ainda no primeiro bloco. Vicentinho perguntou duas vezes que nota Dorinha daria ao secretário estadual de Saúde, Carlos Felinto. A senadora não respondeu. Disse que há acertos na área, mas que ainda há muito a fazer.

A cena resume o principal problema da campanha de Dorinha no segundo turno. Ela recebe o apoio do grupo que governa o estado, mas não pode defender a gestão sem reservas e também não pode criticá-la. Essa ambiguidade apareceu na noite inteira. No último bloco, a candidata ainda repetia que suas diretrizes são diferentes das da atual administração.

Peso técnico e o ataque mais duro

Dorinha teve o melhor desempenho nos temas que exigiam conhecimento de gestão. Em educação, área em que construiu sua carreira, conduziu a pergunta sobre alfabetização e destacou projetos para comunidades indígenas e regiões isoladas. Na saúde, citou consórcios intermunicipais, descentralização hospitalar e a Carreta da Saúde.

O quarto bloco foi o seu melhor momento. Ela apresentou o pacote mais concreto do debate: extinção do Fundo Estadual de Transporte (FET), criação de um Banco de Desenvolvimento Econômico, pagamento de débitos com fornecedores do Estado e regularização fundiária de assentamentos.

Vicentinho falou diretamente ao produtor rural. Citou juros, energia cara, custo dos insumos e falhas no escoamento da safra, e criticou o programa REDD+. As propostas tiveram apelo, mas ficaram mais na intenção do que no detalhe. O mesmo ocorreu com a promessa de extinguir secretarias, já que ele não disse quais pastas seriam cortadas.

Coube a Dorinha o ataque mais pesado da noite. No terceiro bloco, ela cobrou explicações sobre emendas destinadas por Vicentinho a outros estados e citou as investigações sobre repasses a uma empresa ligada à esposa do deputado. Vicentinho nega irregularidades. O Supremo Tribunal Federal negou pedidos de busca e de bloqueio de bens contra o casal, mas não encerrou a apuração.

O ataque tem peso, mas não era novo. Dorinha já havia levado o tema ao debate da TV Norte, na segunda-feira (19). Por isso, a acusação não teve o efeito surpresa de que a candidata precisava.

Dois tons no encerramento

O fim do debate deixou o contraste mais claro. Vicentinho usou parte dos dois minutos finais para se defender. Citou o depoimento da filha nas redes contra o que chamou de agressões da campanha adversária e repetiu que está em paz. A fala aproxima o candidato do eleitor, mas mostra que as acusações sobre a família o atingiram. Ele terminou o debate respondendo à adversária, e não falando de propostas.

Dorinha encerrou em tom positivo. Agradeceu a recepção nos municípios e aldeias e falou diretamente às eleitoras, apresentando-se como uma mulher preparada para governar. É o tipo de fechamento de quem tenta conquistar os indecisos nos últimos dias.

Quem levou a melhor

Pelos critérios técnicos, o resultado é dividido. Vicentinho controlou a pauta, conseguiu a cena mais fácil de virar corte nas redes e explorou bem o desgaste da saúde estadual. Dorinha apresentou propostas mais detalhadas, fez a acusação mais grave e terminou melhor.

O critério que costuma pesar mais em debates finais, porém, é o objetivo de cada candidato. Quem lidera as pesquisas vence quando sai sem um erro que mude a disputa, e Vicentinho não cometeu esse erro. Quem está atrás precisa de um fato novo, e Dorinha não conseguiu produzi-lo.

Por isso, o mais provável é que o debate mantenha o cenário das pesquisas, e não que o mude. Há ressalvas: as pesquisas divergem no tamanho da vantagem, e uma delas aponta empate técnico. A eleição deve ser decidida pelos indecisos e pelo uso que cada campanha fizer dos trechos do debate nas redes até domingo (25).

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