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Ministério suspende exportação de 21 frigoríficos investigados na Carne Fraca

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse hoje (20) que seria um “desastre” a restrição à carne brasileira pelo mercado internacional. Até o momento, a União Europeia, a Coreia do Sul, a China e o Chile oficializaram a suspensão das importações do produto brasileiro. Os países aguardam esclarecimentos do governo brasileiro sobre a Operação Carne Fraca, deflagrada sexta-feira (17) pela Polícia Federal.

“[A restrição seria] um desastre. Com toda certeza, um desastre, porque a China é um grande importador nosso. A Comunidade Europeia, além de ser o nosso segundo ponto de importação, é também o nosso cartão de visitas”, ressaltou o ministro, em entrevista à imprensa.

Segundo a denúncia da Polícia Federal, o esquema criminoso envolve empresários do agronegócio e fiscais agropecuários que facilitavam a emissão de certificados sanitários para alimentos inadequados para o consumo.

“Quem vende para Europa vende para muitos países que, muitas vezes, nem pedem fiscalização nossa, pois sabem que temos um sistema bom. Eu torço, eu rezo, eu penso, eu trabalho para que isso não venha a acontecer”, disse Maggi.

O ministro anunciou a suspensão da licença de exportação de 21 plantas de frigoríficos sob investigação na operação, mas afirmou que continuará a permitir a venda dos produtos no mercado interno. Maggi destacou que as medidas dentro do país são mais brandas porque há controle rígido dos procedimentos, com base na legislação, que protege o consumidor brasileiro. “No mercado interno, temos mais controle.”

Segundo o ministro, a preocupação com o mercado externo se deve à dificuldade de reabertura caso haja alguma medida mais rígida. “Uma vez que haja o fechamento de um mercado desses, para reabrir, serão muitos anos de trabalho. A nossa preocupação neste momento é não deixar sem resposta todos os pedidos de informação que o mercado internacional está nos pedindo”, disse Maggi. O ministro lembrou ainda que o mal da vaca louca provocou o fechamento do mercado durante três anos.

China

Em reunião via teleconferência na noite desta segunda-feira, o governo brasileiro pretende esclarecer os questionamentos das autoridades sanitárias chinesas. No momento, o país tem restringido o desembaraço de contêineres dos portos chineses, ou seja, a saída dos produtos em direção aos mercados consumidores. “Esperamos que, com essa conversa da noite, conseguir minimizar essa questão que a China colocou”, disse o ministro.

De acordo com a agência de notícias chinesa Xinhua, as exportações do Brasil para a China quase duplicaram nos dois primeiros meses do ano em relação ao mesmo período em 2016. Em janeiro e fevereiro, as exportações trouxeram US$ 6,246 bilhões, principalmente nas vendas de petróleo e ferro, soja, polpa de madeira e carne bovina. O valor das exportações do Brasil para a China saltou 94,3%, impulsionando por uma subida dos preços de matérias-primas como petróleo e ferro.

Demais países

O ministro disse acreditar que o Brasil pode receber pedidos de esclarecimento de cerca de 30 países sobre as suspeitas levantadas pela Operação Carne Fraca. Este é o total de países que importam a carne brasileira.

Segundo Maggi, a União Europeia suspendeu a entrada, nos países que compõem o bloco, de carne de quatro frigoríficos sob investigação na operação. “A Comunidade Europeia já comunicou oficialmente que não tomará nenhuma atitude contra o Brasil, a não ser sobre as 21 plantas que estão sob suspeita sendo investigadas.”

O governo do Chile também enviou comunicado anunciando a suspensão da carne brasileira. Maggi afirmou ainda não ter conhecimento do nível de restrição ao produto nacional, mas disse que pode retaliar o país vizinho caso as sanções sejam muito duras. Na Coreia do Sul, a medida restringiu apenas a entrada dos produtos do frigorífico BRF.

Maggi informou também que o Egito comunicou a pasta sobre a possibilidade de suspender as compras de carne brasileira e que a Rússia observa a reação da União Europeia para decidir o que fazer.

Ainda de acordo com ministro, não há restrição de embarque da carne brasileira para o mercado externo. As inspeções nos frigoríficos devem ser realizadas em três semanas, prazo em que o governo espera ter esclarecido todas as dúvidas levantadas na Operação Carne Fraca.

“É claro que as empresas têm que ter ciência deste momento. Eu, particularmente, se fosse uma empresa dessas, não faria embarque até uma definição final do que vai acontecer”, disse. Segundo o ministro, o governo já está coletando amostras de produtos dos envolvidos na operação. “Se detectarmos algum problema, vamos recomendar a suspensão e o recolhimento desses produtos”, garantiu.

O setor de carne movimenta cerca de US$ 15 bilhões por ano. Desse total, 30% representam o total em importações do produto brasileiro. “Significa muito dinheiro nisso, por isso a nossa atenção em não deixar acontecer [uma interrupção]. Não estamos só preocupados com a balança comercial, isso é um ponto, mas esse setor emprega 6 milhões de pessoas”, ressaltou Maggi.

Edição: Juliana Andrade
Heloisa Cristaldo – Repórter da Agência Brasil

Estudo mostra que 40% das crianças de 0 a 14 anos no Brasil vivem na pobreza

Cerca de 17 milhões de crianças até 14 anos – o que equivale a 40,2% da população brasileira nessa faixa etária – vivem em domicílios de baixa renda. No Norte e no Nordestes, regiões que apresentam as piores situações, mais da metade das crianças [60,6% e 54%, respectivamente] vivem com renda domiciliar per capita mensal igual ou inferior a meio salário mínimo. Desse total, 5,8 milhões vivem em situação de extrema pobreza, caracterizada quando a renda per capita é inferior a 25% do salário mínimo.

Os dados fazem parte do relatório Cenário da Infância e Adolescência no Brasil, documento que faz um panorama da situação infantil no país , divulgado pela Fundação Abrinq. O estudo foi feito utilizando dados de fontes públicas, entre elas o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Nesta quarta edição, a publicação reúne 23 indicadores sociais, divididos em temas como trabalho infantil, saneamento básico, mortalidade e educação. A publicação também apresenta uma série de propostas referentes às crianças e que estão em tramitação no Congresso Nacional.

“Nesta edição, além de retratar a situação das crianças no Brasil, também apresentamos a Pauta Prioritária da Infância e Adolescência no Congresso Nacional. O conteúdo revela as principais proposições legislativas em trâmite no Senado e na Câmara dos Deputados, com os respectivos posicionamentos da Fundação Abrinq baseados na efetivação e proteção de direitos da criança e do adolescente no Brasil”, disse Heloisa Oliveira, administradora executiva da Fundação Abrinq.

Violência

Um dos temas abordados no documento é a violência contra as crianças e adolescentes. Segundo o estudo, 10.465 crianças e jovens até 19 anos foram assassinados no Brasil em 2015, o que corresponde a 18,4% dos homicídios cometidos no país nesse ano. Em mais de 80% dos casos, a morte ocorreu por uso de armas de fogo. A Região Nordeste concentra a maior parte desses homicídios (4.564 casos), sendo 3.904 por arma de fogo.

A publicação também mostra que 153 mil denúncias de violações de direitos de crianças e adolescentes chegaram ao Disque 100 em 2015, sendo que em 72,8% das ligações a denúncia se referia a casos de negligência, seguida por relatos de violência psicológica (45,7%), violência física (42,4%) e violência sexual (21,3%).

Trabalho infantil

Com base em dados oficiais, o documento revelou que as condições do trabalho infantil estão mais precárias. Embora tenha diminuído o número de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil na faixa de 10 a 17 anos [redução de cerca de 659 mil crianças e adolescentes ocupados em 2015 em comparação a 2014], houve aumento de 8,5 mil crianças de 5 a 9 anos ocupadas.

O universo de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos que trabalhavam n somou 2,67 milhões em 2015. Mais de 60% delas são do Nordeste e do Sudeste, mas a maior concentração ocorre na Região Sul.

O estudo mostrou também dados mais positivos, como a taxa de cobertura em creches do país, que passou de 28,4% em 2014 para 30,4% em 2015 – ainda distante, no entanto, da meta estabelecida pelo Plano Nacional de Educação, de chegar a 50% até 2024.

Os dados completos podem ser vistos no site www.observatoriocrianca.org.br

Edição: Graça Adjuto
Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil

China suspende temporariamente entrada de carne brasileira no país

A China suspendeu hoje (20) a entrada de carne brasileira no país até que o Brasil preste esclarecimentos sobre a Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na sexta-feira (17). Foi o primeiro país a oficializar a interrupção na compra do produto brasileiro. Segundo a denúncia da PF, o esquema criminoso envolve empresários do agronegócio e fiscais agropecuários que facilitavam a emissão de certificados sanitários para alimentos inadequados para o consumo.

Por meio de nota, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento informou que a pasta dará todos os esclarecimentos aos chineses o mais rápido possível. “Até receber as informações, a China não desembarcará as carnes importadas do Brasil. Hoje à noite, o ministro [Blairo Maggi] terá uma videoconferência com autoridades chinesas para prestar esclarecimentos”, diz o comunicado.

De acordo com a agência de notícias chinesa Xinhua, as exportações do Brasil para a China quase duplicaram nos primeiros dois meses do ano em relação ao mesmo período em 2016. Em janeiro e fevereiro, as exportações trouxeram US$ 6,246 bilhões, principalmente nas vendas de petróleo e ferro, soja, polpa de madeira e carne bovina. O valor das exportações do Brasil à China saltou 94,3%, impulsionando por uma subida dos preços de matérias-primas como petróleo e ferro.

Na manhã desta segunda-feira, portaria do ministério exonerou de cargos comissionados os superintendentes federais de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Paraná, Gil Bueno de Magalhães; e de Goiás, Júlio César Carneiro. Na sexta-feira, depois que a Polícia Federal deflagrou a Operação Carne Fraca, o governo já havia anunciado o afastamento de 33 servidores suspeitos de envolvimento nas irregularidades investigadas.

De acordo com a PF, frigoríficos envolvidos no esquema criminoso “maquiavam” carnes vencidas e as reembalavam para conseguir vendê-las. As empresas subornavam fiscais do ministério para que autorizassem a comercialização do produto sem a devida fiscalização.

Chile

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento confirma apenas a suspensão pela China da entrada da carne brasileira. Entretanto, de acordo com a agência notícias DPA, o ministro da Agricultura chileno, Carlos Furche, anunciou que o país vetou o ingresso da carne brasileira até receber informações mais detalhadas sobre a extensão do esquema.

*Com informações das agências de notícias Xinhua e DPA

Edição: Amanda Cieglinski
Heloisa Cristaldo – Repórter da Agência Brasil*

MPE pede uniformização de protocolos de saúde em cidades do centro-norte do Estado

O Ministério Público Estadual (MPE), por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Pedro Afonso, reuniu nesta quinta-feira, 16, secretários de saúde das cidades de Santa Maria do Tocantins, Bom Jesus, Tupirama, Pedro Afonso, além da diretora do Hospital Regional de Pedro Afonso (HRPA) com a finalidade de tratar de assuntos relativos aos serviços de saúde oferecidos nesses municípios e à uniformização de protocolo de atendimento.

As falhas nos atendimentos são objeto de investigação conduzida pela referida Promotoria de Justiça há exatamente um ano, quando o Promotor de Justiça Luiz Antônio Francisco Pinto convocou prefeitos e secretários de saúde para pontuarem algumas questões que impediam o bom funcionamento do Sistema Único de Saúde, tais como o desempenho inadequado das atribuições por parte dos entes municipais e estadual.

Dando continuidade às discussões, foi pontuada a necessidade de uniformização de protocolos da saúde e da implantação do sistema de classificação de risco devido ao grande fluxo de atendimento nas unidades de saúde dos municípios da Comarca de Pedro Afonso para o Hospital, destinado a atendimentos de urgência e emergência. Isso porque os pacientes veem facilidade no atendimento imediato e no fornecimento de exames e medicamentos.

Na ocasião, a Diretora do HRPA, Júlia Maria Herling Cavalini, informou que o sistema de classificação de risco entrará em operação no dia 01 de abril e que os pacientes serão identificados por selos coloridos, conforme os cuidados que a condição de saúde do paciente requeira. Os selos azuis serão destinados àqueles de atendimento ambulatorial; os demais receberão gradativamente verde, amarelo e vermelho, conforme a urgência do caso. A partir da implantação do sistema, os pacientes de atendimento ambulatorial que procurarem o Hospital serão encaminhados para as unidades de saúde da família localizadas no município onde reside o paciente.

Os secretários tomaram ciência da nova metodologia e garantiram que os municípios têm condições de atender às demandas, pois possuem postos de atendimento que ficam abertos das 7h às 11h e das 13h às 17h, de segunda-feira a sexta-feira. Na ocasião, estes gestores expuseram alguns fatos, a exemplo do problema no cumprimento de horários por parte dos médicos, além de interferências políticas que afetam a regularidade na oferta do serviço. Na ocasião, o promotor de justiça Luiz Antônio Francisco Pinto orientou os gestores de saúde a procurar o MPE e informar sobre essas eventualidades, para que possam ser averiguadas e tomadas providências em relação à suposta prática de ato de improbidade administrativa.

Participaram da reunião os secretários de saúde Aldaires Alves Bonfim, de Santa Maria do Tocantins, Karine Wanderlei de Miranda, de Bom Jesus do Tocantins; José Martins de França, de Pedro Afonso; Cristiana Cleia Kuitaiski, de Tupirama, além da diretora do HRPA, Júlia Maria Herling Cavalini.

Denise Soares

Temer: força tarefa é criada para investigar frigorífigos alvos da Carne Fraca

Brasília - O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, o presidente Temer e o ministro da Indústria Marcos Pereira se reúnem com embaixadores dos países importadores de carne do Brasil (José Cruz/Agência Brasil)

Na abertura da reunião com cerca de 40 representantes de países importadores de carne brasileira, o presidente Michel Temer anunciou hoje (19) maior rigor na fiscalização dos frigoríficos do país. Temer ressaltou que problemas descobertos pela Operação Carne Fraca são pontuais, que a carne produzida e exportada pelo país é de qualidade e que o governo determinou celeridade nas auditorias que serão feitas nos estabelecimentos envolvidos no esquema criminoso.

“Quero fazer um comunicado de que decidimos acelerar o processo de auditoria nos estabelecimentos citados na investigação da Polícia Federal. Na verdade, são 21 unidades, no total, três dessas unidades foram suspensas e todas as 21 serão colocada sob regime especial de fiscalização a ser conduzida por força tarefa do Ministério da Agricultura”, anunciou Temer.

Para o presidente, as empresas flagradas no esquema de “maquiagem” de carne estragada é um “mínimo” diante do total de plantas frigoríficas do país.  “É importante sublinhar que dos 11 mil funcionário do Ministério da Agricultura, apenas 33 estão sendo investigados e das 4.837 unidades sujeitas a inspeção federal, delas, apenas 21 estão supostamente envolvidas em irregularidades. Fazemos essa comunicação para que os senhores, acompanhando o que estamos fazendo a partir de ontem, possam lançar esse comunicado aos seus países, governantes para tranquiliza-los no tocante ao noticiário que se deu nesses últimos dias”, disse aos representantes de países importadores de carne brasileira.

Temer considerou o assunto como urgente e, para atestar a confiança no produto brasileira, o presidente convidou os diplomatas para uma churrascaria.  “Queremos convidar a todos para, quando saímos daqui, quem puder aceitar, vamos todos a uma churrascaria para comer a carne brasileira”, disse o presidente.

Edição: Fábio Massalli
Ivan Richard Esposito – Repórter da Agência Brasil

Lula e Dilma na ‘inauguração popular da transposição do rio São Francisco’ (VÍDEO)

Dilma Rousseff e Lula visitaram o Cariri paraibano neste domingo, o município de Monteiro, para celebrar com a população do sertão a chegada das águas da transposição do rio São Francisco.

Durante um evento completamente lotado de gente, Lula e Dilma discursaram e foram recebidos com festa e apoio.

“Eu queria alertar vocês de uma coisa que vai acontecer, o fato da água estar aqui não significa que o problema está resolvido. Por que tá cheio de gente morrendo de seca na beira do rio São Francisco. Então, os governadores tem que continuar pressionando o governo federal para construir a adutora, tratar e fazer a água chegar na torneira de vocês”, disse Lula, citado pela Mídia Ninja.

“Não pode um fazendeiro pegar sozinho uma bomba e puxar a água toda pra irrigar a fazenda dele. Tá cheio de ribeirinho, indígena e quilombola que tem direito a essa água também”, alertou o ex-presidente durante sua fala no ato de inauguração popular da transposição do rio São Francisco.

Dilma comentou o momento político no país e falou sobre as próximas eleições. “Todos nós temos um encontro marcado com a democracia, esse encontro é em outubro de 2018. Eles sabem que se conversarmos com o povo, nós ganharemos essa eleição”, declarou a presidenta deposta.

No dia 10 de março, Michel Temer participou da inauguração oficial da obra. Na ocasião, o ex-vice-presidente foi vaiado por manifestantes.

Confira o vídeo com a cobertura completa da visita de Dilma e Lula a Monteiro:

Produtores são as grandes vítimas do esquema descoberto na Carne Fraca, diz CNA

O presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), João Martins, disse há pouco, após reunião com o presidente Michel Temer, que os produtores são as grandes vítimas do esquema de “maquiagem” de carnes estragadas descoberto pela Operação Carne Fraca, da Polícia Federal. Martins cobrou punição enérgica aos agentes públicos e as empresas envolvidas no esquema criminoso e reforçou o discurso de que o problema é isolado.

“Tem que ser dividido esse esclarecimento [à sociedade]. Se fala muito em esclarecer, mostrar lá fora para os países importadores de carne de que temos uma defesa sanitária muito boa e temos mesmo. Agora, temos que mostrar para a nossa população que nós produtores somos as grandes vítimas disso tudo”, disse Martins.

Para o presidente da CNA, no primeiro momento, os produtores vão “pagar o pato” do impacto negativo dos problemas descobertos pela Operação Carne Fraca. “Com certeza, [vamos pagar o pato] no primeiro momento com a especulação. Alguns frigoríficos podem usar de má fé e dizer que a cotação do boi caiu por causa do mercado exportador ter recuado, mas não existe nenhum mercado externo que tenha recuado até o momento”, disse.

Segundo Martins, na reunião no Palácio do Planalto, o presidente Michel Temer apresentou aos representantes dos produtores as medidas emergenciais que estão sendo tomadas após a descoberta de que grandes empresas do setor alimentício estavam, com a conivência de fiscais agropecuários federais, estavam comercializando carne estragada ou com a adição de produtos impróprios.

“O presidente mostrou a nós as medidas que já foram tomadas, de punir os 33 ficais que foram pegos nessa situação, fechar as três unidades e pedir que exista mais rigor”, disse o presidente da CNA. “Os produtores, a sociedade brasileira precisam ter a certeza de que estão consumindo carne com inspeção perfeita, da melhor qualidade possível, não só dizer que somos um grande exportador de carne e frango, temos que comer aqui a mesma qualidade que é exportada”.

Preocupado com o impacto negativo da Operação Carne Fraca, o presidente Michel Temer marcou hoje (19) uma série de reuniões com ministros, representantes do setor agropecuário e diplomatas de países importadores de carne brasileira.

Neste momento, Temer está em reunião com representantes dos países importadores de carne brasileira para apresentar as medidas que estão sendo tomadas após a Operação Carne Franca.

Edição: Fábio Massalli

Ivan Richard Esposito – Repórter da Agência Brasil

Carne Fraca: Ministério afasta 33 servidores suspeitos de envolvimento

Brasília - Secretário executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Eumar Novacki, fala sobre a Operação Carne Fraca, deflagrada hoje (17) pela Polícia Federal (Valter Campanato/Agência Brasil)

O secretário executivo do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, Eumar Novaki, disse hoje (17) que as fraudes no processamento de carnes por algumas das maiores empesas do ramo alimentício do país, como JBS, BRF e Peccin, identificadas pela Operação Carne Fraca, são um “fato isolado” e que os consumidores podem “ficar tranquilos”.

Segundo o secretário, 33 servidores do órgão já foram afastados. De acordo com Novaki, a “maquiagem” de produtos vencidos foi verificada em carne de frango, mortadela, salsicha e há a suspeita de carne bovina. A fraude foi confirmada na unidade da BRF da cidade de Mineiros (GO) e nos frigoríficos de Jaguará do Sul (SC) e Curitiba, da empresa Peccin Agroindustrial. Os três estabelecimentos foram fechados pelo Ministério da Agricultura e passarão por “inspeção rigorosa”.

“São 21 SIFs [Serviço de Inspeção Federal], de quatro grupos econômicos, de um universo de 5 mil estabelecimentos. Isso demonstra que não é um fato cotidiano, mas um fato isolado, que não representa, de modo algum, a postura do Ministério da Agricultura”, afirmou Novaki. Segundo o secretário, em até 15 dias, o ministério apresentará um diagnóstico “preciso” sobre os produtos comercializados pelas empresas investigadas.

Mesmo afirmando que os consumidores podem ficar tranquilos quanto à procedência dos produtos, o secretário recomendou que a população fique atenta a possíveis sinais de má conservação.  De acordo com Novaki, o ministério está atuando para identificar e retirar do mercado lotes de produtos adulterados.

“O queremos dizer para a população é que fique absolutamente tranquila. Nosso sistema de fiscalização é um dos mais respeitados do mundo. Se perceberem qualquer problema, comuniquem ao Ministério da Agricultura, que tomaremos a providências.”

O secretário afirmou ainda que o ministério já vinha, desde o ano passado, tomando medidas para evitar falhas no processo de fiscalização e inspeção. Ele ponderou, no entanto, que é impossível impedir desvios individuais.

“Desde que chegamos, o ministro Blairo Maggi determinou que uma série de procedimentos fossem reestudados e mudados, entre eles, o de inspeção. São 33 servidores, em um universo de 11 mil do ministério, e de 2,3 mil da área de inspeção”, comparou.

Apesar das fraudes identificadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, Novaki assegurou que o sistema de vigilância sanitária brasileiros é “consolidado”, “robusto” e “aprovado por inspeções internacionais”. “Nenhum sistema está livre de má índole. Se tem uma pessoa operando com segundas e más intenções, haverá falhas. Estamos trabalhando para evitar fraudes”, disse.

Ao pedir que a população denuncie qualquer suspeita de produtos estragados ou com más condições para o consumo, o secretário não descartou a possibilidade da ocorrência de novas operações.  “Novas operações poderão vir porque tudo que estamos detectando de irregularidade no ministério estamos tomando providências administrativas e encaminhando  para o Ministério Público e para a PF. Estamos tomando as medidas para que isso não se repita no futuro.”

Exportações

Perguntado sobre o possível impacto nas exportações, já que o Brasil é o principal exportador de carne do mundo, o secretário executivo do Ministério da Agricultura disse que os países compradores também fiscalizam os produtos. Além disso, Novaki reiterou que os “fatos isolados” não podem comprometer toda a cadeia.

“Os produtos brasileiros estão presentes em mais de 150 países, e isso demonstra a qualidade dos produtos produzidos no país. Cada um dos países tem seu sistema de vigilância que atesta os produtos quando lá chegam. Portanto, se tiver problema, isso será acionado e será resolvido, e aquilo não será entregue.”

Edição: Amanda Cieglinski
Ivan Richard Esposito – Repórter da Agência Brasil

Procon encontra variação de até 473% nos preços de medicamentos em farmácias de Palmas

A Superintendência de Proteção aos Direitos do Consumidor no Tocantins (Procon) realizou pesquisa de preço de medicamentos vendidos nas farmácias de Palmas. A pesquisa, feita entre os 13 e 16 deste mês, foi realizada em sete estabelecimentos, sendo quatro no centro da cidade e três em Taquaralto. Os fiscais registraram uma variação de até 473% nos preços do mesmo medicamento. Foi o caso da Losartana Potássica (50 mg, genérico), remédio para controle da pressão alta, cuja caixa com 30 comprimidos tem preço praticado de R$ 5 a R$ 28,65. Técnicos do Procon pesquisaram 40 medicamentos, sendo 20 de referência (marca) e 20 genéricos. O gerente de fiscalização, Magno Silva, explicou que a pesquisa foi concentrada nos medicamentos mais procurados e/ou de uso contínuo e que, por isso, têm preços tão variados. Entre os remédios que são o alvo da pesquisa estão aqueles para tratamento da hipertensão arterial, controle de diabetes, analgésicos, renite alérgica, anti-inflamatório, antibiótico e outros. A Glibenclamida (5,0 mg, genérico) usada para controle da diabetes, tem a caixa de 30 comprimidos vendida entre R$ 2,70 e R$ 12,50, ou seja, uma variação de preço de 362,96%. Já o Maleato Enalapril (10 mg, marca), usado para controle da pressão alta ou tratamento da insuficiência cardíaca, tem a caixa de 30 comprimidos sendo vendida entre R$ 7,80 e R$ 32,50, uma variação de 357,14%. “A pesquisa constatou que a variação não é apenas de uma farmácia para outra, mas também de laboratórios; ou seja, o mesmo medicamento genérico, dependendo do laboratório que o fabrica, pode custar mais caro que outro, por isso pesquisar antes de comprar é tão importante”, frisou Magno Silva. O superintendente do Procon, Nelito Cavalcante, disse que a pesquisa encerra as atividades da Semana do Consumidor com uma lição importante: “O que queremos mostrar quando realizamos pesquisas como essas é que o consumidor precisa ficar cada vez mais atento às variações de preços e passar a prestigiar aqueles estabelecimentos que praticam preços mais justos, em qualquer segmento”, reforçou. Dicas do Procon antes de comprar medicamentos Entre as dicas estão: verificar se o número de lote e data de fabricação que constam na caixa do medicamento são iguais aos marcados nas cartelas ou frascos e se a embalagem encontra-se lacrada; e observar sempre o prazo de validade do medicamento, lembrando que todo medicamento deve possuir o número de registro no Ministério da Saúde. A pesquisa completa pode ser encontrada no site www.procon.to.gov.br, no link de pesquisa: https://central3.to.gov.br/arquivo/333173/ .

PF desarticula esquema criminoso envolvendo agentes públicos e empresários

Curitiba/PR – A Polícia Federal deflagrou nesta manhã (17/3) a Operação Carne Fraca,  com o objetivo de desarticular organização criminosa liderada por fiscais agropecuários federais e empresários do agronegócio. A operação detectou, em quase dois anos de investigação, que as  Superintendências Regionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, do Paraná, Minas Gerais e Goiás atuavam diretamente para proteger grupos empresariais, em detrimento do interesse público.

 Aproximadamente 1100 policiais federais estão cumprindo 309 mandados judiciais, sendo 27 de prisão preventiva, 11 de prisão temporária, 77 de condução coercitiva e 194 de busca e apreensão, em residências e locais de trabalho dos investigados e em empresas supostamente ligadas ao grupo criminoso, números que fazem desta a maior operação já realizada pela PF em toda sua história. As ordens judiciais foram expedidas pela 14ª Vara da Justiça Federal de Curitiba/PR e estão sendo cumpridas em 7 estados: São Paulo, Distrito Federal, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás.
 Os agentes públicos, utilizando-se do poder fiscalizatório do cargo, mediante pagamento de propina, atuavam para facilitar a produção de alimentos adulterados, emitindo certificados sanitários sem qualquer fiscalização efetiva.Dentre as ilegalidades praticadas no âmbito do setor público, denota-se a remoção de agentes públicos, com desvio de finalidade para atender interesses dos grupos empresariais. Tal conduta permitia a continuidade delitiva de frigoríficos e empresas do ramo alimentício que operavam em total desrespeito à legislação vigente.
 ENTREVISTA COLETIVA
Horário – 10h
Local – auditório da Superintendência de Policia Federal em Curitiba/PR.
Link da Coletiva de Imprensa:
Http://Youtu.be/zCrTfgpxuSY
 Comunicação Social da Polícia Federal em Curitiba/PR

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