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É possível produzir mais alimentos na Amazônia sem desmatar, diz estudo

Gado atravessa área desmatada em fazenda perto de Novo Progresso (PA), na Amazônia Legal. Estudo sugere que é possível reduzir o desmatamento e, ao mesmo tempo, aumentar a produção de soja e gado na Amazônia Legal (Foto: Nacho Doce/Reuters)

É possível reduzir o desmatamento na Amazônia e, ao mesmo tempo, aumentar a produtividade de alimentos no país. Essa é a conclusão de um estudo divulgado nesta quinta-feira (5) pela revista “Science”, realizado pelo Instituto de Inovação da Terra e o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).

Os pesquisadores analisaram as taxas de desflorestamento do bioma brasileiro durante cerca de dez anos e a produção de soja e carne bovina na Amazônia Legal, que compreende todos os estados da Região Norte, além de Mato Grosso e parte do Maranhão.

Segundo o artigo, a média anual de desmate até 2005 era de 19.500 km² e caiu para 5.843 km² em 2013. Enquanto isso, a produção de soja subiu de 16,3 milhões de toneladas em 2004 para 25,51 milhões de toneladas, em 2012. O rebanho bovino aumentou de 50,21 milhões de cabeças de gado para 79,6 milhões no mesmo período.

De acordo com os cientistas, isso foi possível devido a esforços entre o governo federal e o setor agropecuário, que criou iniciativas como a Moratória da Soja e aderiu a programas de fiscalização, como o “Carne Legal”.

No entanto, para os autores, é preciso integrar mais o público e o privado, além de estudar formas de beneficiar agricultores que mantêm as florestas em pé em suas propriedades.

Parceria
Do lado público, a fiscalização e o combate ao desmatamento ilegal foram reforçados com a criação da lista negra das cidades que mais devastam a Amazônia, iniciativa criada em 2008 pelo Ministério do Meio Ambiente para coibir o avanço do desmate. Os municípios incluídos sofrem sanções como a não liberação de crédito agrícola a produtores rurais.

Do lado privado, a Moratória da Soja, em vigor desde 2006, impede que novas áreas de floresta sejam derrubadas para o plantio do grão e proíbe quaisquer negociações de grandes empresas brasileiras e estrangeiras com aqueles que descumprirem a norma.

Já o Carne Legal, idealizado pelo Ministério Público Federal e que conta com cem indústrias frigoríficas, tem a missão de desestimular consumo de carne produzida com a prática de desmatamento e fiscalizar empresas que criam gado em áreas de preservação.

Segundo Daniel Nepstad, principal investigador do estudo, as medidas, tanto do governo, quanto dos setores alimentícios, são louváveis, mas precisam ser integradas e reforçadas para que o desmatamento seja zerado e a floresta não sofra a pressão que pode existir por conta do crescimento da demanda por alimentos.

Ele cita que é necessária a implantação de metas regionais de combate ao desmatamento, no intuito de que os municípios zerem suas taxas até 2020, com participação das empresas. “Tendo uma abordagem territorial e estadual simplifica essa agenda de sustentabilidade”.

Ane Alencar, diretora do programa Cenários para a Amazônia do Ipam, reforça a ideia de que uma aliança entre a indústria de commodities e as políticas públicas é uma oportunidade de exigir do mercado que o Código Florestal seja aplicado.

“Dificilmente políticas baseadas no comando e controle vão conseguir sozinhas controlar o avanço do desmatamento em um cenário de alta das commodities”, explica a coautora.

Incentivos positivos
Um outro ponto citado pela pesquisadora refere-se à necessidade de conceder incentivos positivos aos agricultores que estão agindo de maneira correta no plantio dentro da Amazônia Legal.

Segundo ela, a facilitação do acesso a crédito, por exemplo, seria uma forma de compensar produtores que sempre estiveram dentro da lei e, desta forma, evitar um possível desmate no bioma.

“Como o Código Florestal veio e anistiou vários produtores que desmataram ilegalmente, é preciso dar um ‘prêmio’ a quem sempre fez o certo. Senão fica a sensação de que ‘preservei minha floresta, dentro da lei, e o cara que desmatou aqui do lado ganhou dinheiro e ainda foi anistiado’”, explica Ane.

Balanço do desmatamento
Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em novembro passado apontaram que foram desmatados 5.843 km²  no período de agosto de 2012 a julho de 2013 na Amazônia Legal, número 27,8% maior que no período anterior, quando foram registrados 4.571 km² de áreas derrubadas.

Apesar de ter crescido, a taxa de 2013 é a segunda mais baixa da história. O recorde foi em 2012, quando a Amazônia Legal registrou desmatamento de 4.571 km².

Em relação a cada estado, a maior área desmatada foi no Pará, que derrubou 2.379 km², 37% a mais do que em 2012. No entanto, o maior aumento de desmate (52%) ocorreu em Mato Grosso, onde 1.149 km² de floresta foram cortados.

Eduardo CarvalhoDo G1, em São Paulo

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Toffoli mantém suspensão de entrevistas de Lula na prisão

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, decidiu hoje (1º) manter suspensa a determinação do ministro Ricardo Lewandowski que autorizou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a conceder entrevistas à imprensa dentro da cela da Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba. 

Com o entendimento, é a segunda vez que uma decisão de Lewandowski, que liberava as entrevistas, é derrubada por um colega do STF. Antes do despacho de Toffoli, o ministro Luiz Fux atendeu a um pedido liminar feito pelo Partido Novo e também derrubou a autorização para que o ex-presidente possa dar entrevistas. 

A decisão do presidente vale até que a questão seja julgada no plenário da Corte e foi tomada após o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, questionar qual decisão deveria ser cumprida. 

Desde 7 de abril, Lula cumpre, na capital paranaense, pena de 12 anos e um mês de prisão, imposta pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá (SP).

Edição: Fábio Massalli
Por André Richter – Repórter da Agência Brasil
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Nacional

CNT/MDA: Bolsonaro (28,2%) e Haddad (25,2%) empatados tecnicamente

Os candidatos à presidência Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) aparecem tecnicamente empatados de acordo com a pesquisa CNT/MDA, divulgada pela Confederação Nacional do Transporte no domingo 30. O relatório da pesquisa mostra Bolsonaro com 28,2% das intenções de voto e Haddad com 25,2%. No entanto, como a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, o candidato do PSL pode ficar entre 30,4 e 26% e o petista entre 27,4 e 23% das intenções de voto.

Em comparação à última pesquisa, feita de 12 a 15 de setembro, Haddad registrou crescimento de 7,6 pontos percentuais em intenções de voto – de 17,6 para 25,2 –  e Bolsonaro se manteve estagnado com 28,2%.

Ciro Gomes (PDT) aparece em terceiro lugar, tecnicamente empatado com Geraldo Alckmin (PSDB), com 9,4% e 7,3% de intenções de voto, respectivamente.

Confira como ficaram as intenções de voto em um primeiro turno:

Jair Bolsonaro (PSL) 28,2%
Fernando Haddad (PT) 25,2%
Ciro Gomes (PDT) 9,4%
Geraldo Alckmin (PSDB) 7,3%
Marina Silva (Rede) 2,6%
Henrique Meirelles (MDB) 2,0%
João Amoêdo (Novo) 2,0%
Alvaro Dias (Podemos) 1,7%
Cabo Daciolo (Patriota) 0,7%
Guilherme Boulos (PSOL) 0,4%
Vera (PSTU) 0,3%
Eymael (DC) 0,1%
João Goulart Filho (PPL) 0,1%
Branco / Nulo 11,7%
Indeciso 8,3%

O levantamento foi feito entre os dias 27 e 28 de setembro, a partir de mais de 2 mil entrevistas realizada por amostragem em 137 municípios brasileiros.

Haddad e Bolsonaro são os candidatos que mais se destacam em relação a um voto definitivo do eleitorado, ambos ficam na faixa dos 80%. Já entre os que se declaram indecisos quanto ao voto à Presidência, Haddad leva vantagem de 1,8 ponto percentual em relação a Bolsonaro. 19,3% dos indecisos disseram que votariam no candidato do PT, 18,7% em Ciro Gomes (PDT) e 17,5% no candidato do PSL.

A pesquisa também simulou cenários de segundo turno, considerando a intenção de voto estimulada entre os eleitores, quando o nome dos candidatos é apresentado. Confira:

Fernando Haddad 42,7%
Jair Bolsonaro 37,3%
Branco / Nulo 16,1%
Indeciso 3,9%

Ciro Gomes 42,7%
Jair Bolsonaro 35,3%
Branco / Nulo 17,8%
Indeciso 4,2%

Jair Bolsonaro 37,0%
Geraldo Alckmin 33,6%
Branco / Nulo 25,1%
Indeciso 4,3 %

Ciro Gomes 34,0%
Fernando Haddad 33,9%
Branco / Nulo 26,9%
Indeciso 5,2%

Ciro Gomes 41,5%
Geraldo Alckmin 23,8%
Branco / Nulo 29,1%
Indeciso 5,6%

Fernando Haddad 39,8%
Geraldo Alckmin 28,5%
Branco / Nulo 26,4%
Indeciso 5,3%

Bolsonaro tem o maior índice de rejeição entre os pesquisados: 55,7% disseram que não votariam no candidato de jeito nenhum; seguido por Alckmin (52,8%), Haddad (48,3%) e Ciro Gomes (37,1%).

cartacapital

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