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Internacional

Talibãs afegãos condenam matança de Peshawar

Foto: AP/Fareed Khan

Foto: AP/Fareed Khan

No dia seguinte ao sangrento atentado terrorista em Peshawar, o premiê do Paquistão Nawaz Sharif tomou, provavelmente, a decisão mais correta ao reintroduzir a pena de morte.

Isso, infelizmente, não irá devolver a vida às mais de 140 vítimas, mas as autoridades do país recebem carta-branca para tomar as medidas mais duras relativamente aos que apenas são capazes de assassinar inocentes.

É difícil comentar acontecimentos semelhantes aos que ocorreram na terça-feira em Peshawar ou há dez anos em Beslan – as emoções são demasiado fortes. Mas como já não é possível alterar nada, somos obrigados a refletir sobre o que terá falhado no passado e sobre o que deverá ser feito para evitar a repetição de tragédias semelhantes no futuro.

Podemos retirar várias lições dessa ocorrência.

Em primeiro lugar, as ações dos terroristas que atacaram a escola em Peshawar e mataram mais de 140 pessoas (dos quais mais de cem eram crianças), eram muito diferentes do “esquema clássico” de tomada de reféns. Os terroristas de Peshawar não avançaram quaisquer exigências, seu único objetivo era matar o máximo possível de pessoas, fossem adultos ou crianças.

O porta-voz oficial do Tehrik-i-Taliban Pakistan (Movimento Talibã do Paquistão, ou TTP) Muhammad Khurasani tentou mesmo dar fundamentação ideológica a esses atos, tendo declarado: “A nossa shura decidiu atacar esses inimigos do Islã em sua própria casa para que eles sentissem a dor da perda de seus próprios filhos.”

Dessa forma, o Taliban paquistanês declarou de fato uma guerra de extermínio não apenas contra as autoridades do país, mas a toda a população que não partilha de seus objetivos. Dessa forma é completamente excluída toda a possibilidade de haver quaisquer negociações de paz, apesar de ainda no início do ano existir a ilusão de se poder negociar alguma coisa com o TTP.

Parece que o governo do Paquistão finalmente percebeu essa dura realidade. Na quarta-feira, o primeiro-ministro Nawaz Sharif anunciou o levantamento da moratória sobre a pena de morte, que tinha sido decretada em 2008 pelo anterior governo de presidente Asif Ali Zardari. Dessa forma foi desfeita mais uma ilusão: a de que a não utilização da pena capital favorece a correção dos costumes da sociedade.

Ao contrário, segundo demonstrou o atentado realizado dois dias antes em Sidney, na Austrália, hoje nenhum país se pode sentir em segurança, mesmo que as leis que aí vigoram cumpram com rigor as normas da democracia liberal ocidental.

Se nos recordarmos uma história ainda mais recuada no passado, os atentados da Noruega em 2011, podemos afirmar que a pena ridícula a que Anders Breivik foi condenado  pelo assassinato de 77 pessoas (21 anos de reclusão em uma prisão confortável) apenas estimula este tipo de atos.

Também é importante referir que, ao realizar o atentado em uma escola de Peshawar, o Taliban paquistanês não apenas se colocou ao mesmo nível com as forças mais cruéis, sem princípios e radicais como o Estado Islâmico (a quem os líderes do TTP juraram recentemente fidelidade), mas também provocou o repúdio mesmo das forças que até há pouco eram consideradas suas aliadas.

Assim, o movimento homônimo afegão tornou pública uma declaração em que o assassinato de pessoas inocentes é condenado e declarado como contrário ao Islã. Os talibãs afegãos também não são anjinhos, claro, mas existe uma grande diferença entre combates contra forças militares (em primeiro lugar, forças de ocupação estrangeiras) e o assassinato de crianças desarmadas, cuja única culpa é alguns deles terem nascido em famílias de militares.

Outra lição consiste em que hoje quaisquer tentativas para mudar o sistema político de qualquer país (mesmo que existam fundamentos de peso e plenamente justificados para o protesto) favorecem inevitavelmente apenas as forças extremistas mais radicais.

Foi o que aconteceu na Síria, onde as tentativas apoiadas pelo Ocidente para derrubar Bashar Assad resultaram no crescimento do Estado Islâmico. O mesmo ocorreu na Ucrânia, onde o movimento Maidan, inspirado pelo mesmo Ocidente, provocou o aumento do neonazismo. Da mesma forma, também no Paquistão os órgãos policiais, cujas atenções estavam consideravelmente desviadas para as ações de Imran Khan, falharam na prevenção do atentado de Peshawar.

Finalmente, a conclusão principal consiste em que, da mesma forma que o terrorismo se tornou há muito tempo em um fenômeno transnacional que não reconhece fronteiras, o combate ao mesmo também deve deixar de ser assunto para cada país em particular e exige a criação de uma frente unida global.

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Internacional

‘Colapso das bolsas dos EUA ameaça mundo com nova Grande Depressão’

Os principais índices bolsistas dos EUA caíram entre 3,8 e 4,6% no início desta semana. O colapso se estendeu às bolsas da Ásia e Europa.

Há muito produtos financeiros exóticos para comercializar e algum dia eles farão explodir o mercado, disse o multimilionário Carl Icahn à CNBC. Icahn descreveu a possível explosão como “talvez pior que a de 1929”, referindo-se ao colapso nas bolsas durante a Grande Depressão.

Para o multimilionário, o mercado não é nada mais que um “casino com esteroides”. Em sua opinião, os fundos cotados na bolsa são “falhas” que eventualmente levarão a um “terremoto” em Wall Street.

“Esse é apenas é o início de um colapso”, prevê ele.

O índice industrial Dow Jones perdeu em apenas um dia de negociação 4,6%; o índice S&P 500 − 4,1%; o Nasdaq perdeu 3,78%. O Dow Jones caiu mais de 1.500 pontos e, no fim da sessão, foi registrada uma queda de 1.175 pontos, a maior em toda sua história de 122 anos.

Ao mesmo tempo, o colapso no mercado bolsista norte-americano provocou uma reação em cadeia nos mercados mundiais. As bolsas da Ásia e Europa têm fechado em queda nos últimos dias.

Os ex-chefes da Reserva Federal (banco central dos EUA) Alan Greenspan e Janet Yellen, fizeram declarações fortes sobre a iminente crise financeira.

Em entrevista ao canal de televisão CBS News, Yellen comentou que as valorizações constantes do mercado deveriam ser motivo de preocupação.

“Bem, não quero dizer que sejam excessivamente altas. Mas quero dizer que são altas”, afirmou ela. “A relação preço/lucro das empresas está perto do limite máximo dos intervalos históricos”, acrescentou ela.

Além dos preços elevados das ações, para Yellen, os da propriedade comercial também são “bastante altas” em comparação com o valor das rendas.

“Temos uma bolha? É difícil dizer. Mas é um motivo de preocupação as valorizações dos ativos serem tão elevadas”, acrescentou a economista.

Alan Greenspan também lançou uma dura advertência sobre os mercados financeiros.

“Creio que há duas bolhas. Temos uma bolha bolsista e temos outra no mercado de títulos de dívida”, disse Greenspan em uma entrevista à Bloomberg. “Creio que a bolha do mercado de títulos será o tema crítico”, disse ele.

O colapso nas bolsas de valores dos EUA não é difícil de prever, tendo em consideração que o rendimento da dívida dos EUA a longo prazo superou os 2,8%, um nível crítico para os EUA, disse à Sputnik o economista Sergei Khestanov.

Ele sublinhou que até o fim da semana ficará claro se os índices de bolsa dos EUA caem a curto prazo ou se é o início de uma nova crise mundial.

br.sputniknews.com

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Internacional

Estrategista: ‘Missão de paz de soldados brasileiros vai enfrentar combate real na África’

O número crescente de baixas entre os soldados dos contingentes de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), os capacetes azuis, nos últimos anos, vai representar uma séria ameaça ao contingente brasileiro de 750 homens que será enviado à República Centro-Africana até maio.

A opinião é de Ricardo Gennari, especialista em Inteligência Estratégica e diretor da Tróia Intelligence. Em entrevista à Sputnik Brasil, Gennari analisou o relatório coordenado pelo general Carlos Alberto dos Santos Cruz, feito a pedido da ONU, para recomendar ações que diminuam essa mortalidade. O general, que hoje responde pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, chefiou duas missões de paz de tropas brasileiras, a Minustah, no Haiti, e a Monusco, no Congo, comandando a brigada da ONU que venceu os rebeldes do M23. Desde 2011, foram registradas 195 mortes entre os capacetes azuis, ou 20% do total de baixas registradas pelo contingente desde o início das operações em 1948.

O relatório observa que, nos últimos anos, as ações dos capacetes azuis acontecem em países onde guerras civis ou insurgência entre grupos rebeldes substituíram os conflitos entre governos, tornando a atuação dos contingentes mais difícil e arriscada. Entre as sugestões apresentadas à ONU, o estudo recomenda a compra de equipamentos como blindados mais resistentes, rifles de precisão, mudança nas cadeias de comando e, sobretudo, que as tropas adotem uma postura mais pró-ativa, abandonando as atuais ações meramente passivas.

O estudo observa que mais de 90% da capacidade militar dos capacetes azuis acontecem hoje em missões voltadas para a autoproteção e para a escolta de comboios. As sugestões incluem ainda maior uso de inteligência tática, com a criação de redes de informantes e monitoramento de operações com drones e câmeras de vigilância. Por fim, sugere que as tropas respondam às agressões, identificando os responsáveis e os levando à Justiça local.

Para Ricardo Gennari, neste novo cenário, as tropas brasileiras que vão compor a força de paz da ONU na República Centro-Africana correm sérios riscos. Segundo ele, a missão será completamente diferente da que os brasileiros realizaram no Haiti, com distribuição de alimentos e remédios e força meramente de apoio à polícia no tocante à segurança.

“Na República Centro-Africana não vejo como uma missão de paz. O Brasil também pode ser deslocado para oito ou nove países naquela região. De 1947 até agora, o Brasil já foi convocado pela ONU 50 vezes (nessas missões). No entorno da Centro-Africana, temos Sudão, Mali, Nigéria, temos o Boko Haram, vários grupos terroristas e guerrilhas que trabalham em função de minérios. Existe uma matança muito grande naquela região”, explica o especialista.

Para dimensionar o poder de destruição desses grupos, Gennari diz que alguns estão detonando bombas de até 500 quilos. O problema, segundo ele, é que os brasileiros não estão acostumados a essas situações. Ele também questiona o porquê do Brasil estar substituindo contingentes da Suécia e da Austrália.

“Para os Estados Unidos não é importante mais estar guerreando na África, não é mais o foco estratégico americano. O Brasil está cada dia mais comprando essas missões e não sei se estão fazendo os estudos adequados, mas não será como no Haiti. Nossas forças lá vão ter que reagir. Será que estamos prontos? Outro problema é que a ONU tem um orçamento até um certo limite. Depois desse limite, será que o Brasil vai colocar dinheiro nesses equipamentos? Será que estamos preparados para receber soldados mortos em sacos pretos? Será que o soldado brasileiro está preparado para ficar um ano numa zona de combate?”, questiona o diretor da Tróia Intelligence, lembrando que a última participação bélica do Brasil aconteceu na Campanha da Itália, durante a Segunda Guerra Mundial, em 1945.

Ainda com relação ao custeio dessas operações, Gennari cita que só o orçamento da Seal, as tropas especiais da Marinha dos EUA, é de US$ 1 bilhão por ano para manter a brigada de dois mil e poucos homens.

A Sputnik Brasil solicitou entrevista com o general Santos Cruz, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

 br.sputniknews.com
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