Presidente estadual do partido afirma que decisão contraria acordo firmado com o PT e defende manutenção da aliança em torno de Paulo Mourão
A pré-candidatura de Ivanete Lima (PSD) ao Senado Federal abriu uma crise pública dentro do PSD do Tocantins e expôs um impasse entre duas das principais lideranças da legenda no Estado. O anúncio foi feito nesta terça-feira (7) pelo senador Irajá Abreu durante uma coletiva de imprensa, sem a presença do presidente estadual do partido e vice-governador, Laurez Moreira.
Horas depois do evento, Laurez afirmou que a iniciativa do senador desrespeita o entendimento político construído entre o PSD e o PT para as eleições de 2026. Segundo ele, o acordo prevê que o PSD apresente apenas um candidato ao Senado — o próprio Irajá, que buscará a reeleição — enquanto a segunda vaga da aliança será destinada ao ex-deputado federal Paulo Mourão, indicado pelo PT.
“O partido tem compromisso com o PT, que é uma vaga nossa e outra do PT. Para a Ivanete ser candidata, só se alguém desistir de ser candidato. Não tenho nada contra ela”, declarou Laurez.
O vice-governador também revelou que não participou da coletiva de imprensa porque, segundo ele, sequer foi informado sobre sua realização.
“Não fiquei sabendo do evento”, afirmou.
Ao comentar o lançamento da pré-candidatura de Ivanete Lima, Laurez classificou a decisão como incompatível com os entendimentos políticos firmados pela direção estadual do partido.
“Eu acho absurdo o que ele fez”, disse.
Laurez reforçou ainda que pretende manter o compromisso assumido com o PT e reiterou que Paulo Mourão continua sendo o nome defendido pela direção estadual do PSD para compor a chapa majoritária ao Senado.
“O candidato nosso ao Senado é Paulo Mourão. O partido tem compromisso. Eu sou homem de uma palavra só”, afirmou.
Movimento amplia tensão interna
O episódio evidencia uma disputa de comando dentro do PSD tocantinense. Embora Irajá seja um dos principais nomes da legenda em nível nacional, a presidência estadual do partido permanece sob o comando de Laurez Moreira, responsável pela condução das articulações políticas no Estado.
Nos bastidores, a decisão de Irajá foi interpretada como um movimento político independente da direção estadual. O lançamento de uma segunda pré-candidatura ao Senado pelo PSD cria um cenário de incerteza para a composição da chapa liderada por Laurez, que busca consolidar uma ampla aliança de oposição ao governo estadual.
Ivanete Lima disputou a vice-prefeitura de Palmas em 2024 na chapa encabeçada pelo deputado estadual Professor Júnior Geo, mas a candidatura não avançou para o segundo turno.
Aliança com o PT fica sob pressão
A principal consequência política da decisão é o desgaste da aliança entre PSD e PT. Caso prevaleça a pré-candidatura de Ivanete Lima, o acordo que reservava ao PT uma das vagas ao Senado poderá ser revisto, colocando em risco uma das principais composições políticas articuladas por Laurez para as eleições de 2026.
O impasse também levanta questionamentos sobre a condução das decisões internas do partido e sobre quem detém, na prática, o comando das definições eleitorais do PSD no Tocantins.
Até o momento, Irajá Abreu não se manifestou publicamente sobre as declarações de Laurez Moreira nem explicou como pretende compatibilizar a candidatura de Ivanete Lima com o acordo político anunciado pela direção estadual da legenda.
Cenário indefinido
Com posições públicas divergentes entre o presidente estadual do PSD e o senador da República, a legenda passa a enfrentar uma de suas maiores crises internas desde o início das articulações para as eleições de 2026.
Nos próximos dias, caberá à direção partidária e às lideranças nacionais do PSD definir se a estratégia eleitoral seguirá o acordo firmado com o PT ou se prevalecerá a composição anunciada por Irajá. Até lá, o episódio adiciona um novo capítulo à disputa política no Tocantins e amplia as incertezas sobre a formação da chapa que representará o partido nas próximas eleições.
por: Geovane Oliveira


