Nisman, responsável pelo caso da AMIA, solicitou um inquérito à atuação da presidente e do chanceler, assim como um embargo de 200 milhões de pesos (61 milhões de reais ou 23 milhões de dólares estadunidenses) por cada um dos denunciados.
De acordo com o promotor, o governo da Argentina teria garantido ao Irã impunidade total por razões puramente econômicas. O país, que sofre uma crise energética, obteria acordos comerciais, segundo a acusação, “a troca de grãos e carne”.
A denúncia baseia-se em um memorando pactuado secretamente entre a Argentina e o Irã em 2012 e que trata da criação de uma Comissão da Verdade para a investigação do atentado. A existência do acordo foi confirmada e aprovada em 2013. Porém, a parte iraniana não ratificou o memorando, porque a Argentina não cumpriu a exigência desse país de suspender o pedido de captura, pela Interpol, dos iranianos acusados de terem perpetrado o ataque.
Segundo o jornal argentino InfoBAE, a denúncia “sacudiu” a comunidade judaica, que “sentiu uma profunda preocupação” com esta notícia.
No entanto, o governo argentino desmentiu as acusações de Nisman. O secretário-geral da Presidência, Aníbal Fernández, qualificou a denúncia como “ridícula”, sublinhando que o memorando foi assinado com respeito pelas normas constitucionais.
O governador de Buenos Aires, Daniel Scioli, afirmou no seu Twitter que “é inconcebível envolver a presidente da Nação, Cristina Kirchner, em um encobrimento, porque foi precisamente este governo que mais contribuiu para esclarecer os atentados à AMIA e à embaixada de Israel, fato reconhecido pela comunidade judaica”. Um tweet não bastou, e o governador teve que colocar duas postagens seguidas.
Es inconcebible involucrar a la Presidenta de la Nación @CFKArgentina en un supuesto encubrimiento, cuando fue precisamente este gobierno…
— Daniel Scioli (@danielscioli) 14 января 2015
…quien más hizo por esclarecer los criminales atentados a la AMIA y la Embajada de Israel, tal como lo ha reconocido la comunidad judía.
— Daniel Scioli (@danielscioli) 14 января 2015