55.3 F
Nova Iorque
quarta-feira, março 11, 2026

Intervenção pode fortalecer crime organizado no Rio, alerta tenente-coronel reformado

A intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro reproduz uma lógica falida de segurança pública e pode fortalecer o crime organizado, afirma o tenente-coronel reformado da Polícia Militar de São Paulo Adilson Paes de Souza em entrevista à Sputnik Brasil.

“Essa intervenção não vai produzir ganho real nenhum”, diz Souza. O tenente-coronel acredita que algum “ganho momentâneo” poderá ser alcançado, mas ele não será sustentável.”Se você quer levar paz para uma comunidade, você tem que levar o Estado por completo e com a preocupação de proporcionar o bem comum. Colocar a polícia e achar que isso vai resolver é mentira.”

Souza diz que as forças de segurança trabalham com a lógica de que a população é inimiga das autoridades, principalmente os “pretos e pobres”.

“Ano passado, segundo relatório da Human Rights Watch, a polícia do Rio matou mais de mil pessoas. Não era pra ter produzido resultados se fosse efetiva essa medida? O que aconteceu, matou-se mais de mil pessoas e houve a intervenção. Se modelo do confronto e eliminação fosse eficaz, não haveria essa onda de assalto e de insegurança”, afirma Souza, que também é mestre em direitos humanos pela USP.

Os militares já estavam no Rio de Janeiro pelo uso do dispositivo de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Com a intervenção, entretanto, o general de Exército Walter Souza Braga Netto irá comandar as Polícias Civil e Militar cariocas.

Nesta segunda-feira (19), o ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirmou que serão necessários mandados de busca e apreensão coletivos por causa da “realidade urbanística” carioca.

Souza diz que a medida é uma maneira de “rasgar” a Constituição. Para ele, o Poder Judiciário é “conivente” com a violência ao validar mandatos coletivos, ignorar a prática de tortura e de violência policial.

“Tratar a população como inimiga vai fortalecer o crime organizado, porque enquanto o Estado se ausenta e quando comparece agride, o outro lado vai aparecer como o ‘bonzinho’ e vai ‘acolher’ essas pessoas, ganhando mais forças e adeptos”, diz o o tenente-coronel reformado.

br.sputniknews.com/

Últimas Notícias

Mulher no agro: trajetória de produtora no Tocantins destaca protagonismo feminino no cooperativismo

A presença feminina no agronegócio brasileiro cresce ano após...

Governador Wanderlei Barbosa embarca em missão no Paraguai para encontro do BID com líderes de 48 países

Chefe do Executivo viaja nesta nesta terça-feira, 10, para Assunção,...

STF inicia julgamento de deputados do PL acusados de cobrar propina para liberação de emendas parlamentares

Escreva um titulo  padrão grandes portais de noticias    A...

Veja também