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Internacional

Alemanha apresentou sua versão da tragédia do Boeing na Ucrânia

9RIAN_02468265.HRFotografias do local da queda do Boeing malaio fornecidas pelo lado ucraniano foram falsificadas. Isso, segundo a revista alemã Spiegel, foi declarado pelo chefe do Serviço Federal de Inteligência da Alemanha (BND), Gerhard Schindler. Os dados do Ministério da Defesa russo sobre que o avião malaio tinha sido acompanhado por um avião de ataque Su-25 ucraniano, também foram refutados. Segundo o lado alemão, o Boeing foi atingido por um míssil do sistema de mísseis de defesa aérea Buk ucraniano que poderia ter sido capturado por milícias de Donbass.

O chefe do serviço de inteligência alemão apresentou a sua própria versão do que aconteceu com o Boeing da Malaysia Airlines no céu sobre a Ucrânia em 17 de julho de 2014. Falando perante uma comissão parlamentar da Alemanha, Gerhard Schindler disse que o avião foi abatido por um míssil lançado por um sistema de defesa aérea de mísseis Buk em serviço do exército ucraniano. No entanto, ele está convencido de que isso foi feito por milícias. Consequentemente, esse complexo de mísseis foi capturado por eles. O Sr. Schindler não providenciou provas de sua versão. Mas observou que as imagens do terreno feitas por satélite e apresentadas por Kiev são falsas.

Só que não está claro exatamente quem falsificou as fotos. Já que a Ucrânia não tem suas próprias capacidades de capturar imagens do espaço, foi Washington quem compartilhou as fotos com Kiev. O Ministério da Defesa da Rússia, comparando as fotos publicadas por Kiev com suas próprias, imediatamente apontou para inconsistências e propôs realizar uma análise comparativa pública dos dados de satélites russos e norte-americanos. Os Estados Unidos rejeitaram a ideia.

Porquê não se dirigiram aos Estados Unidos a Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO) e os representantes da Holanda, que estão encarregados de investigar as circunstâncias da queda do Boeing? Este é um dos muitos “porquês” que causam ação, ou melhor a inação de investigadores internacionais, nota o presidente da agência de consultoria e análise Segurança de Voos, membro do conselho de administração da Flight Safety Foundation (FSF, Washington) Valeri Shelkovnikov:

“O lado ucraniano devia submeter à ICAO todas as informações sobre os voos regulares de todos os aviões militares, sobre práticas DE TIRO naquele período, sobre todas as conversações entre o centro de controle de tráfego aéreo da Ucrânia e os postos de comando da Força Aérea da Ucrânia. Todos os registros, todas as comunicações de rádio devem ser apresentadas. Mas nada disso foi feito. Estamos surpresos que a ICAO não disse nada. Porque segundo o Anexo 13 da Convenção sobre a Organização da Aviação Civil Internacional, todos estes dados devem ser recolhidos”.

Mas em vez de fatos temos hipóteses, suposições e alegações infundadas. O Ministério da Defesa russo, quase imediatamente após a tragédia, revelou os dados de meios de controle objetivos, segundo os quais, no momento da queda do Boeing, junto dele estava um caça ucraniano Su-25. O presidente da Ucrânia Piotr Poroshenko disse que isso não aconteceu.

O Departamento de Estado dos EUA, na pessoa de Marie Harf, declarou que Washington tem uma enorme quantidade de provas que refutam a versão dos militares russos. Mas nenhuma prova foi tornada pública. Além disso, ninguém pôde refutar que na tarde de 17 de julho houve um aumento de atividade dos radares ucranianos 9S18 (estações de detecção e alvejamento) Kupol dos complexos de mísseis Buk: estavam funcionando nove estações. Poucos dias antes da tragédia funcionavam 7 e 8 radares 9S18, e desde 18 de julho, ou seja imediatamente após a tragédia do Boeing, estavam funcionando apenas 2-3 estações ucranianas. Isto foi registrado por meios russos de controle objectivo.

Mas os investigadores internacionais e a comunidade ocidental simplesmente ignoraram esta informação. Enquanto que os argumentos de que as milícias de Donbass poderiam ter capturado um Buk, tê-lo levado para seu território, treinado a tripulação, disparado e atingido o avião em voo, acabaram por ser muito populares. Embora antes da tragédia ter ocorrido, os militares ucranianos negavam completamente tal oportunidade.

Moscou insiste que uma investigação, objetiva e transparente, da queda do Boeing na Ucrânia deve ser continuada.

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Internacional

‘Colapso das bolsas dos EUA ameaça mundo com nova Grande Depressão’

Os principais índices bolsistas dos EUA caíram entre 3,8 e 4,6% no início desta semana. O colapso se estendeu às bolsas da Ásia e Europa.

Há muito produtos financeiros exóticos para comercializar e algum dia eles farão explodir o mercado, disse o multimilionário Carl Icahn à CNBC. Icahn descreveu a possível explosão como “talvez pior que a de 1929”, referindo-se ao colapso nas bolsas durante a Grande Depressão.

Para o multimilionário, o mercado não é nada mais que um “casino com esteroides”. Em sua opinião, os fundos cotados na bolsa são “falhas” que eventualmente levarão a um “terremoto” em Wall Street.

“Esse é apenas é o início de um colapso”, prevê ele.

O índice industrial Dow Jones perdeu em apenas um dia de negociação 4,6%; o índice S&P 500 − 4,1%; o Nasdaq perdeu 3,78%. O Dow Jones caiu mais de 1.500 pontos e, no fim da sessão, foi registrada uma queda de 1.175 pontos, a maior em toda sua história de 122 anos.

Ao mesmo tempo, o colapso no mercado bolsista norte-americano provocou uma reação em cadeia nos mercados mundiais. As bolsas da Ásia e Europa têm fechado em queda nos últimos dias.

Os ex-chefes da Reserva Federal (banco central dos EUA) Alan Greenspan e Janet Yellen, fizeram declarações fortes sobre a iminente crise financeira.

Em entrevista ao canal de televisão CBS News, Yellen comentou que as valorizações constantes do mercado deveriam ser motivo de preocupação.

“Bem, não quero dizer que sejam excessivamente altas. Mas quero dizer que são altas”, afirmou ela. “A relação preço/lucro das empresas está perto do limite máximo dos intervalos históricos”, acrescentou ela.

Além dos preços elevados das ações, para Yellen, os da propriedade comercial também são “bastante altas” em comparação com o valor das rendas.

“Temos uma bolha? É difícil dizer. Mas é um motivo de preocupação as valorizações dos ativos serem tão elevadas”, acrescentou a economista.

Alan Greenspan também lançou uma dura advertência sobre os mercados financeiros.

“Creio que há duas bolhas. Temos uma bolha bolsista e temos outra no mercado de títulos de dívida”, disse Greenspan em uma entrevista à Bloomberg. “Creio que a bolha do mercado de títulos será o tema crítico”, disse ele.

O colapso nas bolsas de valores dos EUA não é difícil de prever, tendo em consideração que o rendimento da dívida dos EUA a longo prazo superou os 2,8%, um nível crítico para os EUA, disse à Sputnik o economista Sergei Khestanov.

Ele sublinhou que até o fim da semana ficará claro se os índices de bolsa dos EUA caem a curto prazo ou se é o início de uma nova crise mundial.

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Internacional

Estrategista: ‘Missão de paz de soldados brasileiros vai enfrentar combate real na África’

O número crescente de baixas entre os soldados dos contingentes de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), os capacetes azuis, nos últimos anos, vai representar uma séria ameaça ao contingente brasileiro de 750 homens que será enviado à República Centro-Africana até maio.

A opinião é de Ricardo Gennari, especialista em Inteligência Estratégica e diretor da Tróia Intelligence. Em entrevista à Sputnik Brasil, Gennari analisou o relatório coordenado pelo general Carlos Alberto dos Santos Cruz, feito a pedido da ONU, para recomendar ações que diminuam essa mortalidade. O general, que hoje responde pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, chefiou duas missões de paz de tropas brasileiras, a Minustah, no Haiti, e a Monusco, no Congo, comandando a brigada da ONU que venceu os rebeldes do M23. Desde 2011, foram registradas 195 mortes entre os capacetes azuis, ou 20% do total de baixas registradas pelo contingente desde o início das operações em 1948.

O relatório observa que, nos últimos anos, as ações dos capacetes azuis acontecem em países onde guerras civis ou insurgência entre grupos rebeldes substituíram os conflitos entre governos, tornando a atuação dos contingentes mais difícil e arriscada. Entre as sugestões apresentadas à ONU, o estudo recomenda a compra de equipamentos como blindados mais resistentes, rifles de precisão, mudança nas cadeias de comando e, sobretudo, que as tropas adotem uma postura mais pró-ativa, abandonando as atuais ações meramente passivas.

O estudo observa que mais de 90% da capacidade militar dos capacetes azuis acontecem hoje em missões voltadas para a autoproteção e para a escolta de comboios. As sugestões incluem ainda maior uso de inteligência tática, com a criação de redes de informantes e monitoramento de operações com drones e câmeras de vigilância. Por fim, sugere que as tropas respondam às agressões, identificando os responsáveis e os levando à Justiça local.

Para Ricardo Gennari, neste novo cenário, as tropas brasileiras que vão compor a força de paz da ONU na República Centro-Africana correm sérios riscos. Segundo ele, a missão será completamente diferente da que os brasileiros realizaram no Haiti, com distribuição de alimentos e remédios e força meramente de apoio à polícia no tocante à segurança.

“Na República Centro-Africana não vejo como uma missão de paz. O Brasil também pode ser deslocado para oito ou nove países naquela região. De 1947 até agora, o Brasil já foi convocado pela ONU 50 vezes (nessas missões). No entorno da Centro-Africana, temos Sudão, Mali, Nigéria, temos o Boko Haram, vários grupos terroristas e guerrilhas que trabalham em função de minérios. Existe uma matança muito grande naquela região”, explica o especialista.

Para dimensionar o poder de destruição desses grupos, Gennari diz que alguns estão detonando bombas de até 500 quilos. O problema, segundo ele, é que os brasileiros não estão acostumados a essas situações. Ele também questiona o porquê do Brasil estar substituindo contingentes da Suécia e da Austrália.

“Para os Estados Unidos não é importante mais estar guerreando na África, não é mais o foco estratégico americano. O Brasil está cada dia mais comprando essas missões e não sei se estão fazendo os estudos adequados, mas não será como no Haiti. Nossas forças lá vão ter que reagir. Será que estamos prontos? Outro problema é que a ONU tem um orçamento até um certo limite. Depois desse limite, será que o Brasil vai colocar dinheiro nesses equipamentos? Será que estamos preparados para receber soldados mortos em sacos pretos? Será que o soldado brasileiro está preparado para ficar um ano numa zona de combate?”, questiona o diretor da Tróia Intelligence, lembrando que a última participação bélica do Brasil aconteceu na Campanha da Itália, durante a Segunda Guerra Mundial, em 1945.

Ainda com relação ao custeio dessas operações, Gennari cita que só o orçamento da Seal, as tropas especiais da Marinha dos EUA, é de US$ 1 bilhão por ano para manter a brigada de dois mil e poucos homens.

A Sputnik Brasil solicitou entrevista com o general Santos Cruz, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

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