Geovane Oliveira, do Portal O Melhor da Amazônia, entrevistou com exclusividade a senadora Professora Dorinha Seabra Rezende (União Brasil), nesta quarta-feira (1º), para uma conversa sobre os principais desafios e perspectivas para o futuro do Tocantins. Pré-candidata ao Governo do Estado, Dorinha respondeu a perguntas sobre economia, infraestrutura, gestão pública, articulação política e o cenário das eleições de 2026.
Durante a entrevista, concedida ao jornalista Geovane Oliveira por meio de um aplicativo de mensagens, a senadora abordou temas como o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Tocantins, as obras estruturantes consideradas prioritárias para impulsionar o desenvolvimento do Estado, estratégias para transformar a baixa densidade populacional em uma oportunidade de crescimento, a manutenção do equilíbrio fiscal, a relação com as diferentes lideranças políticas de Araguaína, a parceria com o governador Wanderlei Barbosa, a disputa pelas vagas ao Senado dentro do grupo político e a relação institucional com o Governo Federal em um eventual novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Além disso, Dorinha detalhou quais serão as prioridades de uma eventual gestão estadual, destacando que a educação continuará como uma das principais bandeiras, mas reforçando que áreas como saúde, infraestrutura, desenvolvimento econômico, geração de empregos e assistência social também estarão entre os eixos centrais de seu plano de governo.
Ao longo da entrevista, a pré-candidata respondeu a todos os questionamentos de forma direta e apresentou sua visão para o futuro do Tocantins. Confira a íntegra da entrevista.
- Senadora, o PIB do Tocantins tem demonstrado um crescimento sólido… Quais são as obras estruturantes prioritárias?
O Tocantins vive um momento muito positivo, mas crescimento só se sustenta quando é acompanhado de infraestrutura. O meu compromisso é fazer o Estado crescer na mesma velocidade da sua economia.
As prioridades passam pela melhoria da nossa malha rodoviária, pela conclusão e modernização de obras estratégicas, pela ampliação da infraestrutura logística ligada à Ferrovia Norte-Sul, pela recuperação de pontes e pela criação de corredores de escoamento da produção, principalmente nas regiões do Vale do Araguaia, Bico do Papagaio, Sudeste e Matopiba tocantinense.
Também quero fortalecer aeroportos regionais, ampliar a conectividade digital e investir em infraestrutura energética para receber novas indústrias. Muitos desses projetos podem ser executados em parceria com o Governo Federal, por meio do Novo PAC, financiamentos junto ao BNDES, Banco do Brasil, Caixa e organismos internacionais, além de recursos próprios do Estado.
- O Tocantins ainda é pouco povoado. Como transformar isso em oportunidade?
Eu vejo isso como uma das maiores oportunidades do Tocantins. Nosso estado está no centro do Brasil, uma localização muito estratégica, próximo dos grandes mercados consumidores e dentro da região mais dinâmica da agropecuária brasileira. Precisamos deixar de ser apenas exportadores de matéria-prima e passar a agregar valor ao que produzimos.
Isso significa incentivar agroindústrias, frigoríficos, indústrias de processamento de grãos, de biocombustíveis, de alimentos, de madeira e de mineração sustentável.
Ao mesmo tempo, precisamos oferecer segurança jurídica, simplificação tributária, qualificação profissional, infraestrutura e um ambiente favorável para quem deseja investir. Quando uma indústria chega, ela não gera apenas empregos diretos. Ela movimenta comércio, serviços, inovação, universidades e atrai famílias. É esse ciclo de desenvolvimento que quero construir.
- Como blindar o equilíbrio fiscal do Estado?
Responsabilidade fiscal não é uma opção. É uma obrigação. Minha experiência no Congresso, analisando orçamentos bilionários e relatando matérias de grande impacto financeiro, me ensinou que não existe política pública sustentável sem equilíbrio das contas.
Se eu tiver a oportunidade de ser governadora, todo projeto será analisado sob dois critérios: se melhora a vida das pessoas e se cabe no orçamento. Não tem como permitir que decisões de curto prazo comprometam o futuro do Tocantins. É possível investir, ampliar serviços e cuidar das pessoas mantendo responsabilidade com o dinheiro público.
- Como administrar as diferentes correntes políticas em Araguaína?
A política se faz com diálogo e respeito. Tenho uma relação construída ao longo de muitos anos com diversas lideranças de Araguaína. São pessoas que, mesmo tendo trajetórias diferentes, hoje compartilham um objetivo comum: construir um Tocantins melhor.
Não faço política escolhendo lados dentro da minha própria base. Faço política ouvindo, construindo consensos e respeitando cada liderança. Quem me conhece sabe que nunca trabalhei dividindo pessoas. Sempre procurei unir forças em favor dos municípios.
- Como associar sua candidatura à alta aprovação do governador Wanderlei Barbosa?
O governador Wanderlei Barbosa realiza um governo aprovado pela população porque entregou resultados importantes para o Tocantins. Eu participei desse processo ajudando o Estado em Brasília. Destinei recursos, articulei obras, apoiei projetos e mantive uma parceria institucional permanente.
Acredito que a população saberá reconhecer essa parceria. Mas a minha pré-candidatura não está sendo construída apenas olhando para o passado. Ela será construída apresentando um projeto para o futuro. Quero dar continuidade ao que deu certo e avançar onde ainda existem desafios.
- Como administrar a disputa pelas vagas ao Senado dentro do grupo?
Faz parte do processo político. Esse é um debate que está sendo conduzido com muito diálogo. Temos lideranças qualificadas, experientes e legitimadas pela população. Isso demonstra a força do nosso grupo. Mais importante do que projetos individuais é o projeto para o Tocantins.
- Como será a relação com o Governo Federal caso Lula seja reeleito?
Sempre defendi uma postura republicana. Tanto como deputada federal quanto como senadora, trabalhei com governos de diferentes partidos e consegui trazer muito recurso para o Tocantins, como avançamos em projetos importantes como o Fundeb permanente, porque meu compromisso sempre foi com o estado e com o nosso país, não com disputas ideológicas.
Se eu for eleita governadora será exatamente da mesma forma. Vou dialogar com qualquer presidente da República, ministro e instituição que possa contribuir para melhorar a vida dos tocantinenses. Quem perde quando há conflito político permanente é a população. O Tocantins precisa de portas abertas em Brasília.
- Além da educação, quais serão as prioridades do seu governo?
A educação continuará sendo uma prioridade porque ela transforma vidas. Mas governar exige olhar para todas as áreas.
Minha prioridade será construir um governo eficiente, capaz de oferecer saúde com atendimento digno, reduzir filas e fortalecer a atenção especializada. Também quero investir fortemente na segurança pública, valorizando policiais, ampliando tecnologia, inteligência e prevenção.
A infraestrutura será outro eixo estratégico, porque estradas, pontes, energia e conectividade geram desenvolvimento. Vamos fortalecer a agricultura e apoiar quem produz, desde a agricultura familiar até o grande produtor. Recentemente realizamos a entrega de maquinários a dezenas de cidades do estado. Essa é uma ação que reúne cerca de R$ 10 milhões em investimentos, fruto de recursos destinados por mim e pelo deputado federal Carlos Gaguim. Desse total, destinei mais de R$ 7 milhões, que permitiram a entrega de 55 tratores com implementos para associações, sindicatos, comunidades tradicionais, agricultores familiares e prefeituras de diversas regiões do Tocantins. Tenho muita convicção de que investir na produção é investir na geração de renda, no fortalecimento da agricultura familiar e no desenvolvimento dos nossos municípios.
Também temos que estimular a industrialização da nossa economia, ampliar programas habitacionais, investir em saneamento, cuidar das mulheres, dos jovens e da primeira infância.
Meu objetivo é simples: fazer o Tocantins crescer economicamente sem deixar ninguém para trás. Quero um estado que gere oportunidades, reduza desigualdades e ofereça qualidade de vida para quem vive aqui e para quem deseja investir no nosso futuro.
Entrevista exclusiva realizada por Geovane Oliveira, jornalista e editor do Portal O Melhor da Amazônia, sediado em Araguaína (TO).


