Operação Código Branco cumpre 10 mandados de busca e apreensão na região norte do estado e no Bico do Papagaio. Penas para os envolvidos podem passar de 30 anos.
A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quarta-feira (8) a operação Código Branco, que investiga um forte esquema de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro na área da saúde no Tocantins.
Ao todo, os agentes federais cumprem 10 mandados de busca e apreensão em cidades da região norte do estado e do Bico do Papagaio. As ordens judiciais, expedidas pela 2ª Vara Federal Cível e Criminal da Subseção Judiciária de Araguaína, têm como alvos endereços nos municípios de Araguaína, Riachinho, Filadélfia, Babaçulândia e Barra do Ouro.
De acordo com as investigações da PF, uma empresa de serviços médicos foi contratada diversas vezes por prefeituras da região por meio de licitações direcionadas. O esquema eliminava a competitividade do processo, favorecendo o grupo.
A operação busca colher provas para frear a utilização de empresas de fachada. A suspeita é de que o grupo simulava capacidade operacional para justificar as contratações e, com isso, viabilizar o pagamento de propina a agentes públicos.
Durante as apurações, os investigadores descobriram que a empresa realizava subcontratações que eram expressamente proibidas pelos editais.
A PF também identificou repasses financeiros suspeitos, apontando para um esquema de dissimulação e ocultação da origem do dinheiro desviado dos cofres públicos.
Os investigados poderão responder pelos crimes de fraude à licitação, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Se condenados, as penas somadas podem ultrapassar a marca de 30 anos de prisão.
O nome da operação, “Código Branco”, é uma referência direta ao jargão utilizado em hospitais para identificar emergências que exigem resposta imediata e ação coordenada de toda a equipe médica.
O que dizem as prefeituras
Procuradas, as gestões dos municípios onde os mandados foram cumpridos se posicionaram sobre a operação da Polícia Federal.
A Prefeitura de Araguaína informou que as buscas na cidade ocorreram apenas na sede da empresa investigada, garantindo que não há qualquer ligação do esquema com a administração do município.
Em Filadélfia, o Governo Municipal afirmou à TV Anhanguera que os agentes estiveram no Hospital Municipal exclusivamente para colher o depoimento de um profissional de saúde que estava de plantão. A prefeitura ressaltou que não é alvo de investigação e que o inquérito foca em uma cidade vizinha.
Já a Prefeitura de Barra do Ouro declarou, em nota, que atendeu prontamente às autoridades e que cumpriu rigorosamente a lei em suas licitações, incluindo as pesquisas de preços. O município defendeu que os serviços contratados foram efetivamente prestados à população e que as contas foram entregues conforme exigem as normas vigentes.
Por: Geovane Oliveira , com informações do G1 Tocantins.



