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sábado, março 28, 2026

Natal sem brilho expõe descaso com Araguaína

O mês de dezembro de 2025 escancarou uma realidade que incomoda e não pode ser ignorada: Araguaína ficou devendo quando o assunto é valorização da cidade e respeito à população. Em um período tradicionalmente marcado por luzes, símbolos e ações que fortalecem o sentimento de pertencimento, o que se viu foi uma decoração natalina fraca, mal executada e distante da importância econômica e social do município.

A Avenida Cônego João Lima, principal vitrine comercial da cidade, simplesmente passou em branco. Não houve iluminação, ornamentação ou qualquer iniciativa que traduzisse o espírito natalino. No Parque Cimba, anunciado como ponto central da decoração, o cenário causou frustração: estruturas antigas, materiais visivelmente reaproveitados e ausência de criatividade. O resultado foi um Natal sem identidade e sem encanto.

A insatisfação popular é legítima. Araguaína figura entre os municípios com maior arrecadação do Tocantins, e o questionamento é inevitável: onde estão sendo aplicados os recursos oriundos dos impostos pagos pelo contribuinte? A cidade não pode ser tratada apenas como fonte de arrecadação nem lembrada apenas em períodos eleitorais.

É preciso destacar que a crítica não se resume a nomes ou cargos. O secretário municipal de Cultura é reconhecido como um profissional capacitado. No entanto, nenhuma gestão entrega resultados sem apoio político, orçamento adequado e planejamento estratégico. Cultura e eventos não podem ser tratados como gastos secundários, mas como investimento social, turístico e econômico.

O contraste chama ainda mais atenção quando se observa que municípios menores, com arrecadação muito inferior, conseguiram realizar decorações natalinas mais organizadas, criativas e acolhedoras. Araguaína, por sua estrutura e potencial, deveria ser referência — e não exceção negativa.

A crítica, contudo, precisa apontar caminhos. Entre as soluções possíveis estão o planejamento antecipado das ações, a transparência na aplicação dos recursos, a valorização dos espaços centrais e dos bairros, além do incentivo a parcerias com artistas locais, comerciantes e iniciativa privada. Acima de tudo, é fundamental que a gestão municipal trate o cidadão com respeito e sensibilidade.

Araguaína é uma cidade forte, polo regional e construída pelo trabalho diário de sua população. O Natal de 2025 deixa uma lição clara: a cidade precisa de uma gestão que valorize seus espaços, sua gente e seus símbolos durante todo o ano — não apenas em ciclos políticos. A população não pede luxo, pede atenção, planejamento e respeito.

Por Geovane Oliveira

 

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