Com cinco mandatos na Câmara Federal, prestígio no agronegócio e base eleitoral sólida em Araguaína, o veterano político desponta nos bastidores como opção natural para a vice-governador
À medida que as articulações em torno da pré-candidatura da senadora Professora Dorinha Seabra (União Brasil) ao Palácio Araguaia ganham corpo, um nome começa a circular com crescente insistência nos corredores da política tocantinense: o do ex-deputado federal Lázaro Botelho Martins (PP), de Araguaína. Experiente, alinhado ao campo político do governador Wanderlei Barbosa e com trânsito respeitado tanto no interior do estado quanto em Brasília, ele reúne atributos que, segundo aliados, o colocam como candidato natural a integrar a chapa como vice-governador.
Dorinha oficializou sua pré-candidatura ao governo do Tocantins em evento realizado em Palmas, no auditório da Associação Tocantinense de Municípios (ATM), reunindo lideranças políticas de todo o estado. Se eleita em outubro de 2026, ela se tornaria a primeira mulher a governar o Tocantins em seus 37 anos de história.
O desafio agora é montar uma chapa competitiva, capaz de ampliar o alcance eleitoral da candidatura para além das bases naturais do União Brasil. E é nesse cálculo que o nome de Lázaro Botelho ganha peso.
Cinco mandatos e uma carreira marcada pela persistência
Lázaro Botelho Martins nasceu em Loreto, no Maranhão, em 11 de fevereiro de 1947. Antes de ingressar na política nacional, atuou como secretário de Fazenda da Prefeitura de Araguaína entre 2001 e 2005. Em 2006, descompatibilizou-se do cargo de secretário municipal para disputar as eleições e foi eleito deputado federal.
Ao longo da carreira, acumulou cinco mandatos como deputado federal pelo Tocantins. A trajetória não foi linear — houve percalços, inclusive uma derrota nas urnas em 2018 e uma disputa judicial pelo mandato nas eleições de 2022 —, mas cada capítulo da história de Botelho reforçou um traço central de sua personalidade política: a resiliência.
Recentemente, o ex-deputado confirmou sua permanência no Partido Progressistas (PP) e sinalizou otimismo com a possível formação de uma federação partidária com o União Brasil — justamente o partido de Dorinha —, movimento que, segundo ele, pode fortalecer significativamente a presença da sigla nas eleições de 2026. A confluência partidária não é coincidência: ela abre uma janela política que favorece a construção da chapa.
O valor estratégico de Araguaína
Nenhuma análise sobre Lázaro Botelho faz sentido sem considerar sua base: Araguaína, a maior cidade do Tocantins, com mais de 200 mil habitantes e protagonismo econômico incontestável no norte do estado. Ter um nome da maior cidade tocantinense na chapa não é um detalhe secundário — é uma decisão estratégica que pode definir o resultado no segundo turno, caso a disputa se estenda.
Com reduto consolidado em Araguaína, ele é considerado um nome com grande potencial de votos. Sua rede de relacionamentos com prefeitos, vereadores e lideranças comunitárias da região norte representa um ativo político de difícil substituição.
Alinhamento com Wanderlei e o projeto de continuidade
Um elemento central da pré-candidatura de Dorinha é a proposta de dar continuidade ao governo Wanderlei Barbosa. A senadora afirmou que pretende dar continuidade ao trabalho do governador, ressaltando a responsabilidade de suceder a atual gestão, e reforçou o compromisso com os municípios e a articulação com prefeitos e deputados.
Nesse contexto, o alinhamento histórico de Lázaro Botelho com Wanderlei Barbosa reforça a coerência da composição. Os dois políticos compartilham a mesma base de apoio no interior do estado e transitam confortavelmente no mesmo campo político. Uma chapa Dorinha-Lázaro, portanto, seria lida pelos eleitores como uma extensão natural do projeto que está no poder — sem rupturas, sem inconsistências.
Agronegócio, Maçonaria e Brasília: um perfil de articulador
Outro diferencial que pesa favoravelmente a Lázaro Botelho é seu perfil de articulador. Com ligações consolidadas no setor do agronegócio — base econômica fundamental do Tocantins — e com reconhecido prestígio nos bastidores de Brasília, ele opera em uma dimensão que vai além do voto: a captação de recursos e a intermediação com o governo federal.
O evento de consolidação da pré-candidatura de Dorinha reuniu mais de 100 prefeitos do estado e representantes de cinco partidos: União Brasil, Republicanos, Partido Liberal, Podemos e Progressistas. O PP, partido de Lázaro, já está nessa frente. A eventual confirmação dele como vice seria, portanto, a tradução prática de uma aliança que já existe no papel.
O cenário eleitoral e os próximos passos
A consolidação da frente União pelo Tocantins sinaliza que o campo político alinhado ao atual governo estadual tende a chegar a 2026 com nome e projeto definidos. A pluralidade de siglas envolvidas aponta para uma estratégia de amplitude eleitoral, capaz de dialogar com diferentes segmentos do eleitorado tocantinense.
A definição do vice é, portanto, a próxima peça do tabuleiro. E as conversas, ainda que discretas, já ocorrem. Nos bastidores, o consenso entre aliados é que a chapa precisa de alguém que equilibre o perfil urbano e educacional de Dorinha com uma presença forte no interior e junto ao setor produtivo. Lázaro Botelho preenche esse requisito com folga.
Restam, ainda, meses de negociação, e os nomes não estão fechados. Mas em política, quando um nome começa a ser sussurrado por muitas vozes ao mesmo tempo, raramente é por acaso.
Por: Geovane Oliveira



