O ano eleitoral ainda não chegou, mas a disputa por uma cadeira no Senado Federal pelo Tocantins já tem movimentos, alianças em formação e baixas prematuras. Para quem acompanha o cenário de perto, o jogo real começou bem antes do calendário oficial — e os primeiros sinais são reveladores.
A avaliação é do analista político Geovane Oliveira, que mapeou as últimas movimentações e chegou a uma conclusão direta: Alexandre Guimarães, do MDB, e o ex-governador Mauro Carlesse, do PSD, saem na frente. Quem mais perdeu terreno, por ora, foram o senador Eduardo Gomes, o também senador Irajá e o ex-governador Gaguim.
A direita que se dividiu — e está pagando o preço
O abalo mais significativo do momento veio de dentro do próprio campo bolsonarista. A entrada de Eli Borges na corrida por uma vaga no Senado criou um problema imediato para Eduardo Gomes: um concorrente direto, com o mesmo perfil ideológico, disputando o mesmo bloco de eleitores.
Em eleições majoritárias, esse tipo de divisão raramente termina bem para ambos os lados. Um cresce à custa do outro — e, no fim, os dois chegam menores do que poderiam.
“São do mesmo campo político. Um cresce à custa do outro”, sintetiza Oliveira.
O resultado prático é uma sangria de votos que beneficia, sobretudo, quem está fora dessa disputa interna. Guimarães e Carlesse ocupam exatamente essa posição.
Dimas, o “voo de galinha” que complica a vida de Gomes e Irajá
Outro elemento que pesa contra Eduardo Gomes e Irajá é menos óbvio, mas igualmente relevante: a candidatura de Dimas. Oliveira a classifica como um “voo de galinha” — fôlego curto, sem condições reais de chegar competitivo ao fim da corrida. Mas o efeito sobre o eleitorado dos dois é concreto.
A chave está na geografia. Dimas é de Araguaína. Guimarães também. E Araguaína é uma cidade reconhecidamente bairrista — onde o eleitor valoriza e tende a votar em quem é da terra.
Há ainda um detalhe técnico que amplifica esse efeito: em 2026, o eleitor tocantinense terá dois votos para o Senado Federal, já que duas vagas estarão em disputa. Isso significa que o eleitor de Araguaína pode — e provavelmente vai — votar em Dimas e em Guimarães ao mesmo tempo, sem que um prejudique o outro.
Quem perde são os candidatos de fora, especialmente Gomes e Irajá, que dependem de parte desse eleitorado para se consolidar.
Campelo e Guimarães: a aliança que o campo inteiro observa
A movimentação mais aguardada do cenário é a decisão de Lucas Campelo. O nome dele circula há semanas nas conversas políticas — e o motivo é simples: dependendo de qual lado ele escolher, o peso eleitoral de toda a corrida muda.
Se Campelo fechar apoio com Guimarães, o candidato do MDB chegará à largada com uma base ampliada e uma narrativa de unidade que poucos conseguem construir nessa fase. O perdedor imediato seria Gaguim, que já disputa o mesmo espaço que Guimarães e, numa aliança dessas, ficaria ainda mais espremido.
A decisão de Campelo ainda não está tomada. Mas a simples possibilidade já alterou o cálculo de todos ao redor.
Carlesse: o candidato que vence sem precisar jogar
Há uma figura no tabuleiro que observa tudo isso de um lugar confortável: Mauro Carlesse. O ex-governador não tem um concorrente direto disputando seu perfil de eleitor, não está no centro de nenhuma das divisões internas que desgastam os adversários e chega a esta fase da pré-campanha numa posição que poucos alcançam — intacto e fortalecido.
Para Oliveira, esse é o diferencial de Carlesse neste momento. Enquanto Gomes e Borges consomem energia entre si, enquanto Gaguim tenta segurar espaço diante de Guimarães, e enquanto Irajá sente o impacto de Dimas em Araguaína, Carlesse avança sem se desgastar.
Em política, às vezes o movimento mais inteligente é não se mover.
Conclusão: quem tem base sólida está na frente
O recado de Geovane Oliveira é direto: num cenário de fragmentação da direita, bairrismo atuando como fator de concentração de votos e alianças ainda em formação, quem chega com base sólida, identidade regional e capacidade de atrair apoios parte na frente.
Guimarães e Carlesse reúnem essas condições. Os demais ainda precisam resolver equações internas que, por ora, jogam contra eles — e o relógio já está correndo.
Por Geovane Oliveira, analista político — Portal O Melhor da Amazônia.


