A costura de alianças para as eleições no Tocantins impôs um cenário de escolhas pragmáticas e difíceis para o ex-prefeito Ronaldo. Com seu partido, o Podemos, declarando oficialmente apoio à pré-candidatura da senadora Dorinha ao Palácio do Araguaia, as portas para a composição da chapa majoritária — seja na disputa pelo Senado Federal ou pela vice-governadoria — se fecharam em definitivo para o líder político.
De acordo com o analista político Geovane Oliveira, o ex-prefeito encontra-se agora em uma verdadeira encruzilhada eleitoral: Ou redireciona seu capital político para disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Tocantins (Aleto), ou corre o sério risco de encerrar o ciclo amargando a ausência de um mandato.
“Com o alinhamento orgânico do Podemos ao projeto de Dorinha, Ronaldo ficou sem margem de manobra na parte de cima da chapa”, avalia Oliveira. “Para não ficar fora do tabuleiro político e evitar a perda de influência que a falta de mandato traz, a descida para a disputa proporcional tornou-se a sua única rota de sobrevivência viável.”
O desafio das urnas e a “dobradinha” familiar
Apesar de se apresentar como a saída mais lógica para evitar o ostracismo político, a corrida para o Legislativo estadual está longe de ser considerada uma tarefa simples. O analista ressalta que a eleição proporcional no Tocantins tem se mostrado cada vez mais acirrada, exigindo uma reestruturação imediata da estratégia de campanha do ex-prefeito.
O cenário ganha uma camada extra de complexidade devido ao projeto familiar: o filho de Ronaldo deverá concorrer à reeleição para o cargo de deputado federal. A ausência do ex-prefeito em um cargo majoritário, que naturalmente “puxaria” votos para a base, força o grupo a concentrar todos os seus esforços logísticos e financeiros em duas frentes proporcionais simultâneas.
Para os especialistas de bastidores, a chamada “dobradinha” familiar — com o pai disputando a vaga de estadual e o filho buscando manter a cadeira na Câmara dos Deputados — exigirá um alinhamento fino com prefeitos e vereadores aliados em suas bases de reduto. O recuo forçado de Ronaldo define o novo compasso de sua trajetória política, transformando a eleição para a Assembleia em uma verdadeira prova de fogo para a manutenção do peso de seu nome no estado.
Por: Geovane Oliveira



