Documento teria circulado em grupos de WhatsApp antes da aplicação oficial; Prefeitura diz que não foi notificada e banca tem dez dias para apresentar esclarecimentos
O Ministério Público do Tocantins (MPTO) abriu investigação para apurar o suposto vazamento do caderno de questões do concurso público da Prefeitura de Araguaína, no norte do estado. Segundo as apurações, o documento teria circulado em grupos de WhatsApp antes de ser disponibilizado oficialmente pela banca organizadora, o Instituto de Desenvolvimento Institucional Brasileiro (IDIB).
O caso chegou ao conhecimento da promotoria por meio de denúncias encaminhadas pela Ouvidoria e de relatos recebidos diretamente pela 6ª Promotoria de Justiça de Araguaína nos dias 23 e 24 de agosto, datas em que as provas foram aplicadas.
De acordo com o MP, o material que teria sido antecipado é referente ao cargo de analista administrativo. Análises realizadas pela promotoria indicam que o arquivo circulou por volta das 11h39 — antes, portanto, de os candidatos receberem os cadernos oficialmente.
Documentos solicitados
A promotoria determinou prazo de dez dias para que o IDIB e a Prefeitura de Araguaína apresentem documentos e esclarecimentos sobre o caso. O MP quer saber se o arquivo que circulou nas redes corresponde parcial ou integralmente ao caderno de questões aplicado.
O IDIB também deverá prestar informações detalhadas sobre todo o processo que envolve a prova: elaboração, impressão, controle de acesso, transporte e distribuição dos materiais. O Ministério Público solicitou, ainda, esclarecimentos à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
A Prefeitura de Araguaína informou, em nota, que não foi oficialmente notificada sobre a investigação e que a comissão responsável pelo certame segue monitorando o caso.
A Subseção da OAB de Araguaína declarou que acompanha a situação e que levará as irregularidades apontadas ao Conselho Seccional, para análise e adoção das medidas cabíveis.
Outras irregularidades relatadas
Além do suposto vazamento, denúncias registradas junto à promotoria apontam falhas na condução das provas. Entre os problemas relatados estão inconsistências na fiscalização: enquanto parte dos candidatos foi orientada a utilizar apenas garrafas transparentes e sem rótulo, outros permaneceram nos locais de prova com garrafas térmicas e sacolas de supermercado.
Houve também relatos de desorganização no início das provas. Em pelo menos uma sala, candidatos que já haviam assinado a lista de presença teriam começado a responder as questões enquanto outros ainda aguardavam para assinar o documento.
Antes mesmo da abertura dos portões, candidatos relataram inconsistências nos cartões-resposta e problemas nas condições de acesso aos locais de prova durante o período de espera.
O concurso
O certame da Prefeitura de Araguaína ofertou 1.533 vagas para o quadro geral do Poder Executivo, a Secretaria Municipal da Educação, o Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores, a Procuradoria Municipal e a Agência Municipal de Segurança, Transporte e Trânsito. Os salários chegam a R$ 16.458,70.
O concurso atraiu 38.350 inscritos. O cargo de procurador municipal foi o mais concorrido, com 542 candidatos disputando cada vaga.
Íntegra da nota da Prefeitura de Araguaína
A Prefeitura de Araguaína informa que, até o momento, não foi oficialmente notificada pelo Ministério Público do Estado do Tocantins (MPTO) acerca da apuração mencionada.
A Comissão responsável segue monitorando os procedimentos relacionados ao certame e acompanhará eventuais desdobramentos ou solicitações dos órgãos competentes.
A Prefeitura prestará os esclarecimentos e informações solicitados dentro dos procedimentos legais.
Por: Geovane Oliveira, com informações do g1 Tocantins.


