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quarta-feira, fevereiro 18, 2026

Ausência de folia esvazia hotéis e bares, e enfraquece microempreendedores em Araguaína

Pelo terceiro ano consecutivo, ausência de programação carnavalesca gera prejuízos milionários; entidades de classe mantêm silêncio enquanto prefeitura prioriza agenda religiosa sob o manto da “moralidade”.

Enquanto cidades vizinhas e capitais da Região Norte e Nordeste contabilizam os lucros da maior festa popular do planeta, Araguaína — a segunda maior economia do Tocantins — mergulha em um hiato cultural e financeiro. A decisão do governo municipal de não realizar o Carnaval oficial pelo terceiro ano consecutivo não é apenas uma escolha estética ou moral; é um golpe direto no caixa do microempreendedor, do setor hoteleiro e da rede de serviços local.

Especialistas e analistas de mercado estimam que a não realização do evento resulte na “evasão de divisas” de milhões de reais. Quando o município deixa de ofertar o Carnaval, o fluxo é inverso: o cidadão de Araguaína gasta seu capital em cidades como Imperatriz (MA), Carolina (MA) ou na capital Palmas.

“O Carnaval não é gasto, é investimento com retorno imediato. Para cada real investido pela prefeitura, o setor de serviços costuma retornar entre quatro e seis vezes esse valor para a economia da cidade através de consumo em postos de gasolina, salões de beleza, lojas de vestuário e alimentação fora do lar”, afirma um consultor econômico que preferiu não se identificar.

Em Araguaína, o setor hoteleiro registra taxas de ocupação abaixo da média para o período, enquanto bares e restaurantes, que poderiam estar operando com capacidade máxima e gerando empregos temporários, veem as mesas vazias.

 

O que causa estranheza nos corredores do poder é a passividade das instituições que deveriam representar o comércio. Associações comerciais e câmaras de dirigentes lojistas, que historicamente são as primeiras a cobrar fomento econômico, mantêm um silêncio obsequioso diante da paralisia festiva.

A pergunta que ecoa no setor produtivo, embora dita à meia-voz por medo de retaliações em licenciamentos e parcerias, é: por que essas entidades não cobram o prefeito? O receio de um embate direto com o Executivo parece ter sobreposto o dever de defender o faturamento dos associados. A ausência de uma nota de repúdio ou de um pedido formal de audiência para discutir o calendário de eventos sugere um alinhamento político que ignora a saúde financeira do comércio de rua.

O Estado Laico e a Prioridade Seletiva

A justificativa oficial, muitas vezes pautada na “contenção de despesas”, cai por terra quando se observa o calendário de eventos da gestão. Enquanto o Carnaval é negligenciado sob o pretexto de austeridade, a prefeitura não economiza no apoio e financiamento de eventos de matriz gospel.

Essa “prioridade seletiva” levanta um debate jurídico e ético sobre a laicidade do Estado. Ao investir o dinheiro do contribuinte — independente de sua crença — exclusivamente em eventos de uma vertente religiosa, o governo municipal deixa de governar para o coletivo para privilegiar um nicho eleitoral estratégico.

A contradição é clara: se há orçamento para grandes estruturas e cachês de artistas do segmento religioso, o argumento da “falta de verba” para o Carnaval torna-se uma falácia administrativa. O que se vê em Araguaína não é uma gestão de escassez, mas uma gestão de escolhas ideológicas que, no final do dia, deixam o comerciante local no prejuízo e a cidade fora do mapa do turismo regional.

O Futuro da Competitividade Local

Ao ignorar o Carnaval, Araguaína perde competitividade. A cidade deixa de ser um polo de atração para se tornar um dormitório em feriados prolongados. Enquanto a política de eventos for tratada como extensão de convicções religiosas pessoais e não como estratégia de desenvolvimento econômico, o comércio local continuará pagando a conta de uma festa que não aconteceu.

Análise: A gestão pública moderna exige a separação entre a fé pessoal do gestor e a responsabilidade com o PIB municipal. Ao sufocar o Carnaval e privilegiar o Gospel, Araguaína não apenas fere a pluralidade cultural, mas assina um atestado de ineficiência econômica que será sentido no fechamento das contas de fevereiro de cada comerciante araguainense.

Por: Geovane Oliveira

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