Análise de cenário aponta que vereador mais votado de Araguaína lida com resistência na base governista e desgaste por votações polêmicas, enquanto Alfredo Júnior ganha terreno no Legislativo local
A corrida rumo ao Congresso Nacional em 2026 já movimenta os bastidores da política no Norte do Tocantins. O vereador Lucas Campelo (União Brasil), que emergiu das urnas em 2024 como o parlamentar mais votado de Araguaína, enfrenta agora um teste de fogo para viabilizar sua pré-candidatura a deputado federal. Apesar do capital eleitoral, o cenário interno é de incerteza e crescente resistência.
O “Trampolim” e a Crise de Apoio
Fontes ligadas ao Palácio Tancredo Neves indicam que a rápida ascensão de Lucas é vista com cautela por aliados. A avaliação predominante nos corredores da Câmara Municipal é que o vereador teria utilizado o mandato local como um “trampolim político”, focando em Brasília antes mesmo de consolidar sua atuação no município.
Mesmo pertencendo à base do prefeito Wagner Rodrigues, Campelo não goza de apoio integral do grupo político. A fragmentação é visível: enquanto o prefeito tenta manter a coesão, Lucas não conseguiu, até o momento, formar um bloco sólido de sustentação entre seus pares. Atualmente, ele conta com o apoio declarado de apenas dois colegas: Vilarindo e Max Baroli.
A Ameaça que Vem de Fora
Enquanto Campelo tenta estancar a sangria interna, um nome de fora do estado começa a ditar o ritmo das articulações em Araguaína. Alfredo Júnior, político vindo do Maranhão, tem surpreendido analistas ao conquistar espaço dentro da Câmara Municipal.
Relatos de bastidores apontam que Alfredo já teria garantido o compromisso de pelo menos três vereadores da cidade, superando a articulação do próprio Lucas dentro da “casa” onde ele exerce mandato. Essa movimentação é lida como um sinal de fragilidade na liderança regional do vereador do União Brasil.
Os Gargalos da Pré-Candidatura
Além da dificuldade de aglutinar forças políticas, Lucas Campelo carrega o peso de decisões impopulares tomadas no plenário. Dois pontos são destacados por analistas como possíveis “tendões de Aquiles” na campanha:
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Aumento de Impostos: O voto favorável à mudança da alíquota do ISSQN de 4% para 5% é visto como um prato cheio para a oposição.
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Reajustes do IPTU: A participação em aprovações que elevaram a carga tributária municipal deve ser explorada exaustivamente durante o debate eleitoral, atingindo diretamente o eleitorado de classe média e o setor produtivo.
Prós e Contras: O Balanço da Viabilidade
| Pontos Fortes (Prós) | Pontos Fracos (Contras) |
| Votação Recorde: Foi o vereador mais votado em 2024, demonstrando forte apelo popular inicial. | Isolamento Político: Baixa capilaridade de apoio entre os vereadores de Araguaína. |
| Ligação com a Gestão: Estar na base de um prefeito bem avaliado (Wagner Rodrigues). | Desgaste Tributário: Votos favoráveis ao aumento de ISS e IPTU pesam contra a imagem de renovação. |
| Juventude e Oratória: Perfil dinâmico que comunica bem com fatias específicas do eleitorado. | Concorrência Externa: Avanço de figuras como Alfredo Júnior em seu reduto eleitoral principal. |
O que esperar?
O momento é de definição. Para Lucas Campelo, o desafio será converter os 2.670 votos obtidos para vereador em uma estrutura estadual capaz de levá-lo à Brasília. Sem o apoio unificado do grupo de Wagner e sob o bombardeio do tema “impostos”, o parlamentar precisará recalcular a rota se não quiser ver sua pré-candidatura naufragar antes mesmo da convenção.
Por: Geovane Oliveira




