As articulações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ampliar sua base política visando a reeleição em 2026 têm provocado reflexos diretos nos estados. No centro dessa estratégia está o MDB, legenda considerada peça-chave pelo Palácio do Planalto para consolidar alianças com partidos de direita e do chamado Centrão. A informação foi destacada pela Folha de S.Paulo no último sábado (7).
No plano nacional, o movimento do PT tem como objetivo reduzir o isolamento político do governo, ampliar o tempo de propaganda eleitoral na TV e, sobretudo, enfraquecer adversários competitivos no campo conservador. Entre as possibilidades em estudo está a indicação de um nome do MDB para a vice-presidência, estratégia que, segundo a publicação, ajudaria a isolar o senador Flávio Bolsonaro, um dos principais expoentes da oposição bolsonarista.
Reflexos no Tocantins
Esse reposicionamento nacional pode reverberar diretamente no Tocantins, onde o MDB vive um momento de reorganização e fortalecimento interno. No comando da legenda está o deputado federal Alexandre Guimarães, que também se apresenta como pré-candidato ao Senado e passa a ganhar ainda mais protagonismo diante do novo cenário.
Nos bastidores da política tocantinense, a avaliação é de que a aproximação entre Lula e o MDB nacional tende a ampliar o espaço e o poder de barganha da sigla no estado. Alexandre Guimarães, por sua vez, pode emergir não apenas como um nome competitivo ao Senado, mas até mesmo como alternativa viável para a disputa ao governo, caso o partido opte por uma candidatura própria.
Direita, centro e limites da aliança
Apesar do fortalecimento institucional, o alinhamento político não é automático. Alexandre Guimarães se posiciona publicamente como um político de direita, o que pode dificultar uma convergência direta com partidos de esquerda e de centro-esquerda no âmbito estadual. Esse fator pode inviabilizar, ao menos em um primeiro momento, uma aliança ampla nos moldes do que Lula tenta construir nacionalmente.
Diante disso, outra possibilidade em avaliação seria o MDB lançar um nome “de fora” para a disputa ao Palácio Araguaia, enquanto Alexandre concentraria forças na corrida pelo Senado, onde já possui densidade eleitoral e estrutura partidária.
Estratégia nacional e cenário em São Paulo
No mesmo contexto, Lula afirmou, durante o evento de aniversário do PT, que o vice-presidente Geraldo Alckmin terá papel estratégico nas eleições em São Paulo. O estado é considerado peça-chave no tabuleiro nacional, especialmente diante do favoritismo do governador Tarcísio de Freitas à reeleição, conforme indicam as pesquisas de opinião.
A fala reforça a leitura de que o presidente trabalha simultaneamente em várias frentes: nacionalmente, para ampliar alianças e reduzir resistências; e localmente, para enfraquecer adversários fortes em estados estratégicos.
Xadrez aberto para 2026
No Tocantins, a movimentação de Lula com o MDB mantém o cenário em aberto e eleva a importância das decisões que serão tomadas nos próximos meses. Seja com candidatura própria ao governo, composição majoritária ou foco no Senado, o MDB tocantinense passa a ocupar posição central no debate político estadual, com Alexandre Guimarães como figura-chave desse novo tabuleiro.
Por: Geovane Oliveira, com informações da Folha de S.Paulo



