Análise de Geovane Oliveira, jornalista do portal O Melhor da Amazônia, avalia a participação de Dorinha no debate e os principais temas apresentados pelos candidatos e jornalistas
A participação de Dorinha no debate promovido pela TV Record News Tocantins/TV Cristal e pela Rede Hits FM apresentou propostas principalmente nas áreas de saúde, regionalização dos serviços públicos, parcerias com a iniciativa privada e enfrentamento à violência de gênero.
Na avaliação do jornalista Geovane Oliveira, do portal O Melhor da Amazônia, a cobertura conseguiu registrar de forma objetiva os principais momentos da participação da candidata, com destaque para o Hospital Geral de Araguaína, a regionalização da saúde e as propostas apresentadas ao longo dos blocos.
Entre os pontos de maior repercussão esteve o cronograma do Hospital Geral de Araguaína, que, segundo Dorinha, deverá iniciar as atividades em 2027, com mais de 400 leitos e previsão de aproximadamente 90% de execução da obra até o fim de 2026.
A candidata também apresentou uma proposta de regionalização da saúde envolvendo municípios como Gurupi, Augustinópolis, Araguatins, Arraias e Dianópolis, além de defender parcerias com a iniciativa privada, desde que não resultem em custos excessivos para a população.
Apesar dos avanços registrados na discussão, a análise aponta que alguns pontos poderiam ter sido aprofundados pelos jornalistas e pelos candidatos.
Financiamento das propostas
Um dos principais questionamentos que permanecem é como serão financiadas as obras e os serviços anunciados.
Ao afirmar que é contrária ao aumento de impostos e taxas, Dorinha apresenta uma posição clara sobre a política tributária. No entanto, para que o eleitor consiga avaliar a proposta, seria importante conhecer também os custos previstos para implantação e manutenção das novas unidades de saúde.
A construção de hospitais representa apenas uma etapa. Depois da entrega, o Estado precisa garantir recursos permanentes para contratação de profissionais, aquisição de medicamentos e insumos, manutenção de equipamentos, energia, alimentação e demais despesas necessárias ao funcionamento das unidades.
PPPs ainda precisam de detalhes
Outro tema que poderia ter recebido maior atenção é a utilização de parcerias com a iniciativa privada.
A defesa de parcerias desde que não representem uma conta excessiva para a população estabelece uma diretriz, mas não esclarece qual modelo seria utilizado em cada situação.
O eleitor precisa saber se a proposta envolve concessões, Parcerias Público-Privadas, organizações sociais ou outros formatos de gestão, além dos mecanismos de fiscalização e controle dos contratos.
Matopiba ficou fora do centro do debate
Para Geovane Oliveira, outro ponto que chamou atenção foi a pouca presença do Matopiba na discussão.
O Tocantins ocupa posição estratégica na expansão agrícola da região, que envolve também Maranhão, Piauí e Bahia. O tema poderia ter sido utilizado para discutir infraestrutura, logística, geração de empregos, regularização fundiária, arrecadação e desenvolvimento regional.
A ausência de uma discussão mais aprofundada sobre o assunto representa uma oportunidade perdida, principalmente em um Estado onde o agronegócio possui forte influência econômica.
Geração de empregos
A geração de empregos também poderia ter sido tratada de maneira mais objetiva.
Além de anunciar obras e investimentos, os candidatos poderiam apresentar metas concretas de contratação, qualificação profissional e aproveitamento da mão de obra local.
A pergunta central para o eleitor é simples: quantos empregos serão criados, em quais áreas e quantos trabalhadores tocantinenses terão acesso a essas oportunidades?
Pequenos municípios
Entre as falas de Dorinha, um dos pontos considerados mais relevantes pela análise foi a promessa de apoio aos quase 60 municípios tocantinenses de pequeno porte.
O tema, porém, poderia ter sido aprofundado com perguntas sobre critérios de distribuição de recursos, mecanismos de fiscalização e instrumentos de transparência.
Em um Estado com grande extensão territorial e municípios com diferentes capacidades administrativas e financeiras, garantir que os recursos cheguem efetivamente à população exige planejamento, acompanhamento e prestação de contas.
Uma cobertura que pode avançar
Na avaliação de Geovane Oliveira, a cobertura conseguiu apresentar ao público os principais pontos do debate, mas futuras entrevistas e confrontos entre os candidatos podem avançar na cobrança por números, prazos e mecanismos de execução.
A pergunta que deve orientar a cobertura eleitoral é: quanto custa, de onde virá o recurso, qual será o prazo, quem será beneficiado e como a população poderá fiscalizar?
Esses questionamentos devem ser feitos não apenas a Dorinha, mas a todos os candidatos ao Governo do Tocantins.
Mais do que registrar promessas, o papel do jornalismo é oferecer ao eleitor informações suficientes para que ele possa comparar propostas e avaliar a viabilidade de cada projeto apresentado durante a campanha.
Por: Geovane Oliveira


